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As críticas públicas de Michelle Bolsonaro ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) podem representar mais do que um atrito familiar. Para analistas ouvidos no Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, o episódio marca a entrada definitiva da ex-primeira-dama na disputa pela influência sobre o futuro do bolsonarismo.
Na avaliação dos especialistas, o vídeo em que Michelle acusa Flávio de tê-la tratado mal e indica que não pretende fazer campanha para o senador em determinados estados deve ser interpretado como um movimento político em um momento em que a direita discute sua sucessão presidencial.
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“Ela talvez tenha percebido que estava perdendo espaço político e que precisava de uma medida mais contundente para delimitar o próprio quadrado dentro desse campo. Não me parece que o vídeo tenha sido apenas uma reação ao episódio do Ceará. Parece uma tentativa de afirmar que ela continua sendo uma liderança importante e que precisa ser considerada nas decisões do grupo”, afirmou o cientista político Leonardo Barreto. Leia também: Flávio Bolsonaro diz que briga com Michelle é ‘página virada’
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Segundo ele, Michelle reúne atributos eleitorais que nenhum outro integrante da família Bolsonaro possui hoje, especialmente entre mulheres e eleitores evangélicos. Isso faz com que sua influência ultrapasse o papel de apoiadora da campanha.
Para João Paulo Machado, analista de política da XP, o momento escolhido para a manifestação também chama atenção. Na avaliação dele, Michelle vinha enfrentando um período de menor protagonismo político e encontrou na crise uma oportunidade para voltar ao centro das articulações.
“Era um momento de fragilidade da articulação política da Michelle. O vídeo acabou funcionando como uma forma de mostrar que ela continua no jogo, que ainda tem peso dentro do bolsonarismo e que quer participar das decisões sobre o futuro desse grupo político”, afirmou.
Na leitura dos analistas, o movimento também amplia o poder de barganha da ex-primeira-dama para as negociações que antecedem a campanha eleitoral. Mesmo sem disputar a Presidência, Michelle pode influenciar alianças, composição de chapas e a mobilização de segmentos considerados estratégicos para a direita. Mais de economia
João Paulo Machado avalia que, no limite, a crise também preserva Michelle como alternativa caso o cenário eleitoral volte a mudar.
“O que ela poderia ganhar seria numa eventual possibilidade de ela ser alavancada como candidata desse grupo político. Ainda que essa hipótese hoje não seja a mais provável, manter protagonismo é importante para qualquer liderança que queira continuar influente”, afirmou. Leia também: Entusiasmo excessivo pela IA pode resultar em uma longa crise de investimentos
Para Leonardo Barreto, o episódio evidencia que a disputa dentro do bolsonarismo deixou de ser apenas sobre quem representará a direita nas urnas. Ela também envolve quem exercerá influência sobre esse eleitorado nos próximos anos. Nesse contexto, Michelle mostrou que não pretende ocupar apenas um papel de coadjuvante.
O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.
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Marina Verenicz
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