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'Meu sonho é conquistar tudo que eu perdi', diz mulher que vendeu casas e fez dívida de R$ 50 mil em jogos de aposta online

Após perder duas casas e acumular uma dívida de cerca de R$ 50 mil por causa do vício em jogos de aposta online, a cearense Assíria Macêdo, de 29 anos, agora luta para

'Meu sonho é conquistar tudo que eu perdi', diz mulher que vendeu casas e fez dívida de R$ 50 mil em jogos de aposta online

Após perder duas casas e acumular uma dívida de cerca de R$ 50 mil por causa do vício em jogos de aposta online, a cearense Assíria Macêdo, de 29 anos, agora luta para quitar todos os débitos e reconstruir o patrimônio que perdeu. Ao g1, ela relatou que seu objetivo é comprar uma nova casa para seus pais, que venderam os imóveis que tinham para ajudá-la.

Assíria viralizou nas redes sociais após contar a história de como perdeu tudo e precisou até vender até os móveis da casa para pagar as contas que fez por causa do vício em apostas online. Ela começou a jogar há cerca de 4 anos e o vício ficou incontrolável com o passar do tempo.

Quando os pais souberam da verdadeira situação da filha, as contas já estavam em um valor muito mais alto do que a família poderia pagar. Para tentar ajudar, os idosos venderam as casas e um veículo que tinham. "Eu sonho realmente em comprar a casa dos meus pais, que foi uma coisa que a gente perdeu", relatou.

Com a venda das casas, ela, suas duas filhas e os pais dela passaram a morar de aluguel - pago pelo pai da filha mais nova de Assíria. O casal se separou devido aos problemas envolvendo o vício da extensionista em apostas.

Atualmente, a renda dela vem da ajuda de amigos e da venda de açaí em uma praça - ela prepara a bebida em casa e os pais fazem a venda. Mesmo após a venda das casas, do carro e dos móveis, ela ainda possui uma dívida de cerca de R$ 50 mil. Por isso, amigos abriram uma campanha de financiamento online para arrecadar os valores e quitar as dívidas. Leia também: Atividades criativas podem rejuvenescer o cérebro em até 7 anos, segundo estudo

"O meu sonho no momento é conquistar tudo que eu perdi. Os móveis da minha casa porque lá em casa não tem mais nada. A gente não tem mais nada. Tudo o que tinha lá em casa foi vendido", contou.

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Pedido de ajuda

Em entrevista ao g1, Assíria contou que começou a jogar por volta de 2022, quando descobriu os jogos de apostas online através de uma pessoa do seu local de trabalho que divulgava as plataformas. "Apostava pouco e depois fui começando a fazer apostas mais altas. Até tive ganhos de R$ 10, 15 mil. Mas também perdia muito dinheiro", relembra.

Com o passar dos meses, o que começou como diversão saiu do controle, fazendo com que ela contraísse dívidas de milhares de reais. Primeiro, ela pediu a ajuda do então companheiro, que chegou a vender uma motocicleta e usar dinheiro da reserva para pagar as contas. O vício, no entanto, continuou, e o ciclo recomeçou. Mais de noticia

"Na cabeça do viciado, ele acha que tem um controle sobre o jogo, que ele pode parar a qualquer momento, como eu achei, e eu cheguei a parar durante um mês", contou. "Eu achava que eu poderia parar a hora que eu quisesse, que não tava me fazendo mal. E, às vezes, até quando eu enxergava, eu mesmo assim não conseguia sair do jogo. Foi quando eu comecei a pedir dinheiro a agiota", completou.

Os amigos, inicialmente, não acreditaram que a situação fosse tão séria, até entenderem o tamanho da dívida e verem tudo que Assíria já havia feito ou vendido para pagar as contas. Desde então, eles têm ajudado com doações e mobilizações para arrecadar dinheiro.

Nas últimas semanas, Assíria estava sem redes sociais. Os amigos estavam limitando seu acesso ao telefone celular, mas aconselharam que ela gravasse o desabafo para revelar toda a situação e pedir ajuda. "No dia que eu postei o vídeo, eu tava recebendo ameaças, recebendo pressão", disse. Leia também: Recifes artificiais recuperam biodiversidade no litoral do Paraná após 25 anos

O desabafo, de 11 minutos, teve mais de 300 mil visualizações e milhares de comentários. No relato, a extensionista contou que havia perdido as casas da família e feito uma dívida de R$ 50 mil por conta dos jogos online.

"Eu sempre aprendi a me virar sozinha, desde os meus 14 anos eu sempre trabalhei. Então expor aquela situação sobre a minha vida, expor tudo que aconteceu comigo e mostrar aquele momento ali de fragilidade, de vulnerabilidade, para mim foi muito complicado", contou.

Após a repercussão do caso, Assíria conseguiu um acompanhamento psicológico gratuito. Agora, ela segue em busca de juntar a quantia necessária para quitar o que deve e procura um tratamento terapêutico para ajudá-la a "ter estabilidade e saúde mental". "Eu mais que nunca preciso de saúde para poder oferecer o melhor para meus pais e para minhas filhas", afirma.

Repercussão

  • Fortaleza

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