← Tecnologia
Tecnologia

Meta e TikTok são acusados em caso envolvendo morte de adolescente

Tudo sobre TikTok ver mais Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio

Meta e TikTok são acusados em caso envolvendo morte de adolescente
TikTok logo
Tudo sobre TikTok
ver mais

Atenção: a matéria a seguir inclui uma discussão sobre suicídio. Se você ou alguém que você conhece precisar de ajuda, procure ajuda especializada. O Centro de Valorização da Vida (CVV) funciona 24h por dia pelo telefone 188. Também é possível conversar por chat ou e-mail.

O que começou dentro de uma casa virou um processo judicial contra duas das maiores redes sociais do mundo. Uma mãe italiana acusa a Meta e o TikTok de falhas na proteção de menores após a morte da filha de 12 anos.

Leia no AINotícia: Tecnologia: O que movimenta o setor esta semana?

Segundo a família, a adolescente foi exposta a conteúdos de automutilação e depressão nas plataformas antes de tirar a própria vida.

adolescente tocando na tela de um smartphone
Segundo a família, conteúdos depressivos passaram a dominar o que a adolescente via online em poucos meses. Imagem: Marina Demidiuk/iStock – Imagem: Marina Demidiuk/iStock

Um caso que expôs o lado mais sensível das redes sociais

A história de Rossella Ugues ganhou repercussão depois que os pais perceberam, tarde demais, como o comportamento da filha mudou em poucos meses. Aos poucos, ela passou a consumir conteúdos cada vez mais ligados à tristeza e à automutilação, impulsionados por algoritmos de recomendação.

Na avaliação da mãe, Irene Roggero Ugues, o processo foi silencioso e difícil de enxergar no dia a dia. Em entrevista, ela descreveu a sensação com uma frase forte: “Em algum momento, pareceu ganhar vida própria, crescendo até sufocar o lado alegre e sociável dela— a parte mais brilhante”, disse. Leia também: Tecnologia: O que movimenta o setor esta semana?

A ação aberta na Itália sustenta que as plataformas não teriam oferecido proteção suficiente a usuários menores, permitindo a exposição a conteúdos considerados de risco.

Algoritmos, ciclos e o ponto mais delicado da discussão

A acusação central envolve o funcionamento dos sistemas de recomendação. Segundo o processo, esses mecanismos identificam interesses e passam a reforçar conteúdos semelhantes, inclusive sensíveis. O problema, apontam as famílias, é que isso pode criar um ciclo contínuo de exposição.

No meio desse debate, surgem pontos levantados pelos autores da ação:

  • Reforço constante de conteúdos sensíveis
  • Proteção considerada insuficiente para menores
  • Dificuldade prática de supervisão parental
  • Possível padrão de uso semelhante à dependência
  • Exposição prolongada sem interrupção eficaz

As empresas envolvidas, Meta e TikTok, negam responsabilidade direta e afirmam que mantêm sistemas de segurança, filtros de conteúdo e ferramentas específicas para adolescentes.

Quando a rotina familiar não acompanha o ritmo das redes sociais

Um dos trechos mais repetidos por famílias envolvidas no debate é simples: o controle não dá conta. Mesmo com regras em casa, muitos pais relatam que os adolescentes conseguem contornar restrições com facilidade. Mais de tecnologia

“Monitorar o uso das redes sociais é um trabalho em tempo integral”, afirmou uma representante de famílias numerosas na Itália. Segundo ela, na prática, a supervisão constante é quase impossível.

E há um ponto que aparece com frequência nesses relatos: a mudança de comportamento costuma ser gradual, quase imperceptível no começo, o que dificulta ainda mais a intervenção.

Entre ciência, cautela e interpretações diferentes

Pesquisas citadas no processo apontam que mecanismos como curtidas, notificações e recomendações podem ativar sistemas de recompensa no cérebro, especialmente em adolescentes. Por isso, parte dos especialistas fala em padrões semelhantes aos de dependência. Leia também: Júlio Verne e a Artemis 2: mais de 160 anos antes da missão, o escritor

Leia mais:

  • Fim de uma era: redes sociais já são a principal fonte de notícias
  • Reino Unido endurece regras e pode proibir redes sociais para adolescentes
  • Por que o mundo começa a banir redes para adolescentes – e o que o Brasil está fazendo

Mas o tema não é fechado. Outros especialistas alertam que é preciso cautela ao tirar conclusões diretas. Para eles, reduzir o problema apenas às plataformas pode simplificar demais uma questão mais ampla, que envolve também convivência, diálogo e acompanhamento familiar.

Um debate que ainda está longe do fim

O processo na Itália segue em andamento e pode influenciar discussões mais amplas sobre a responsabilidade de plataformas digitais no uso por menores. Meta e TikTok negam as acusações e dizem investir continuamente em segurança e proteção de jovens usuários.

No fim, o caso vai além de um tribunal. Ele pressiona uma pergunta que ainda não tem resposta definitiva: até onde vai o impacto das redes sociais na vida de crianças e adolescentes— e quem deve responder por isso?

Valdir Antonelli
Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Ver todos os artigos →
Tags: Adolescência Algoritmos meta redes sociais saúde mental TikTok

Notícias relacionadas

Internet e Redes Sociais Uzbequistão x Colômbia: onde assistir, horário e escalações do jogo da Copa do Mundo Matheus Labourdette Internet e Redes Sociais Gana x Panamá: onde assistir, horário e escalações do jogo da Copa do Mundo Enzo Monteiro Internet e Redes Sociais Inglaterra x Croácia: onde assistir e horário do jogo da Copa do Mundo Matheus Labourdette Internet e Redes Sociais Portugal x RD Congo: onde assistir, horário e escalações do jogo da Copa do Mundo Enzo Monteiro
Tecnologia: O que movimenta o setor esta semana?
Tecnologia

Tecnologia: O que movimenta o setor esta semana?

Ler matéria →

Leia também