TOC de relacionamento: 'Não saía de casa por medo de trair meu namorado'
Ler matéria →Mercurocromo: o remédio tóxico que quase todo mundo usava para machucados de crianças

Crédito, Getty Images
- Author, Edison Veiga
- Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
- Published 29 julho 2026
- Tempo de leitura: 7 min
Quem foi criança na segunda metade do século 20 no Brasil certamente se lembra que ralar os joelhos brincando de bola significava passar pela tortura de ter que sentir uma pequena espátula plástica raspando no machucado com um remédio vermelho— que muitas vezes ardia.
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Comercializado sob o nome de mercúrio cromo ou mercurocromo— que é o nome certo segundo dicionários —, foi um antisséptico tópico amplamente popular. Tanto que constava na maior parte dos lares brasileiros e era a primeira coisa que se pensava no caso de primeiros-socorros para pequenas escoriações comuns a toda infância.
O remédio sumiu das prateleiras do país há 25 anos, quando uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu a produção e a venda desse tipo de produto porque havia mercúrio na fórmula. O metal é altamente tóxico, mas nessas fórmulas, em tese, não havia um risco direto ao paciente.
"O mercurocromo original tinha como princípio ativo a merbromina, que é um composto organomercurial", explica o químico Adriano Andricopulo, professor na Universidade de São Paulo (USP) e membro da Academia Brasileira de Ciências. Leia também: O que explica os ventos de 100 km/h que causaram mortes, destruição e apagões
"Portanto, ele realmente continha mercúrio, mas não na forma de mercúrio metálico solto, como nos antigos termômetros. O mercúrio fazia parte da própria estrutura química da molécula."
O professor afirma que a ideia da Anvisa ao retirar esse tipo de medicamento do mercado fazia parte de uma política de redução da exposição da população ao mercúrio.
"A preocupação era especialmente importante quando o produto era aplicado repetidamente ou sobre áreas extensas de pele lesionada, situação em que poderia haver maior absorção", lembra o químico.
Na época, segundo ele, a própria Anvisa explicou que o problema principal era reduzir fontes desnecessárias e cumulativas de exposição.
A decisão técnica foi um medida preventiva, baseada em estudos da relação entre "benefício, eficácia e segurança". Além disso, já existiam alternativas sem mercúrio para tratar pequenos ferimentos. Mais de mundo
Antes do antibiótico ser inventado

Crédito, Acervo: Farmacêuticos das Antigas
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O mercurocromo foi desenvolvido nos Estados Unidos em 1919 e, de lá, ganhou o mundo como um antisséptico prático e acessível para pequenas lesões.
Seu nome oficial é merbromina e a solução que costumava ser aplicada nos machucados geralmente era uma diluição de 2% do composto, a base de mercúrio, em 98% de álcool (daí o ardor) ou água.
O cientista creditado como inventor do composto é o norte-americano Hugh Hampton Young (1870-1945). Cirurgião e pesquisador, ele lecionava na Universidade Johns Hopkins, em Maryland— foi nessa instituição que, com sua equipe, descobriu as propriedades antissépticas da merbromina.
"É importante lembrar que isso ocorreu antes da descoberta da penicilina [que ocorreria em 1928] e muito antes dos antibióticos modernos. Naquela época, prevenir infecções em pequenos ferimentos era um enorme desafio, e a merbromina representou uma inovação importante", contextualiza o químico Andricopulo.
Mas a partir dos anos 1990, seu uso passou a ser questionado. A própria medicina passou a entender que havia soluções mais eficientes para desinfetar pequenos machucados, como água e sabão.

Proibição do uso

Alternativas contemporâneas

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