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Mercado paralelo de canetas emagrecedoras movimentou R$ 12,5 bilhões no último

REUTERS/George Frey/File Photo Publicidade A procura por medicamentos com semaglutida, as famosas canetas emagrecedoras, tem crescido rapidamente no Brasil

Mercado paralelo de canetas emagrecedoras movimentou R$ 12,5 bilhões no último
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A procura por medicamentos com semaglutida, as famosas canetas emagrecedoras, tem crescido rapidamente no Brasil. Mesmo com a entrada de produtos semelhantes mais baratos, após a quebra da patente, o mercado informal de GLP-1 continua se expandido em rápida velocidade.

Entre farmácias de manipulação e medicamentos importados do Paraguai, ainda não se sabe o quanto do mercado total já é ou será capturado por esse canal não rastreável e informal. De acordo com o Itaú BBA, as dimensões do mercado de canetas emagrecedoras no Brasil já deve ser maior que o previsto, considerando esses canais.

Leia no AINotícia: Economia: O que movimentou o setor nesta semana

Cálculos do banco estimam que apenas o mercado de farmácias de manipulação tenha alcançado aproximadamente R$ 10 bilhões nos últimos doze meses. No mesmo período, os produtos importados do Paraguai devem ter movimentado R$ 2,5 bilhões.

Os custos mensais com o tratamento via canais de manipulação costumam ser 45% menores do que os do medicamento de marca. Considerando um ticket médio mensal de aproximadamente R$ 800, o mercado potencial pode chegar a cerca de R$ 10 bilhões apenas para a manipulação. Leia também: Compras, investimentos e mais: o que dá para fazer com o prêmio da Quina de São

Para 2026, a projeção é que esse segmento informal alcance cerca de R$ 19 bilhões, superando em 1,6 vez as vendas do principal medicamento formal da categoria no país.

De acordo com o BBA, 43% da receita total com a comercialização de GLP-1 no Brasil deve ocorrer no mercado não rastreável. Considerando os medicamentos de marca, os similares/genéricos e o mercado informal, o mercado total endereçável deve chegar a R$ 61 bilhões no país.

Medicamentos do Paraguai

Para além da fronteira, a ausência de proteção patentária no Paraguai permite a produção legal de medicamentos à base de tirzepatida, o principio ativo do Mounjaro.

Conforme os analistas do BBA, os produtos manipulados e paraguaios representaram 1,7x das vendas totais de Mounjaro no Brasil no último ano. As marcas paraguaias de tirzepatida são proibidas de serem comercializadas no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Mais de economia

Utilizando informações de empresas do setor, o BBA estima que aproximadamente 3,1 milhões de caixas tenham pousado no Brasil nos últimos 12 meses. Esse valor equivalente a cerca de 90% da produção total do país.

Regulação tenta travar mercado informal

Em paralelo a esse crescimento, a Anvisa tem aplicado ações regulatórias concretas desde meados de 2025 para barrar o crescimento do mercado informal no Brasil. Atualmente, três regulamentações já estão em vigor e uma quarta está em discussão. Leia também: Bolsas da Europa fecham em queda sob pressão tech e de olho em avanços EUA-Irã

Vigente desde, a RDC 973/2025 impôs a retenção de receitas médicas e o rastreamento via Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) para toda a classe de GLP-1, equiparando essas moléculas a substâncias controladas.

Além disso, a Nota Técnica 200/2025 restringiu a manipulação a APIs (Ingredientes Farmacêuticos Ativos, na sigla em inglês) utilizados em medicamentos já registrados, provenientes de fabricantes validados e adquiridos por meio de distribuidores licenciados.

O Despacho 97/2025 também proibiu especificamente a manipulação de semaglutida sintética. Em, a diretoria da Anvisa discutiu um modelo regulatório que exigiria aprovação lote a lote pelo Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) para todas as importações de APIs de GLP-1.

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Erick Souza

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