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À medida que a IA automatiza tarefas rotineiras e redefine funções inteiras, essas ferramentas estão criando um novo teste de sobrevivência no mercado de trabalho— um cenário em que os profissionais precisam evoluir ou correm o risco de ficar para trás. O CEO da Palo Alto Networks, Nikesh Arora, alerta que 90% dos funcionários das grandes empresas não dominam IA— e isso pode definir o destino de suas carreiras nesse novo mundo.
“Acho que voltamos a um momento darwinista em que todo mundo precisa descobrir quem é realmente bom”, disse Arora recentemente em um episódio do podcast 20VC.
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“Os profissionais precisam aprender. Eu não posso mandá-los para a universidade; não existe curso que você possa fazer em nenhuma escola, em lugar nenhum”, acrescentou. “Eles precisam ser capazes de aprender por conta própria.”
E o líder da empresa de cibersegurança avaliada em US$ 278 bilhões diz já estar vendo as consequências disso. As contratações praticamente pararam, à medida que empresas cortam milhares de funcionários em nome da IA— e quem tiver familiaridade com tecnologia terá mais chances de prosperar na carreira.
Quase 40% dos empregadores já cortam pessoal— e ele recruta em hackathonsEstima-se que 39% dos líderes empresariais já tornaram funcionários redundantes por causa do uso de IA, segundo um estudo de 2025 da Orgvue. Leia também: Câmara acelera tramitação de projeto que equipara misoginia ao crime de racismo
E algumas empresas já avançaram com grandes cortes de pessoal: Coinbase, de Brian Armstrong, Block, de Jack Dorsey, e Cloudflare, de Matthew Prince, anunciaram demissões em larga escala ligadas à IA.
“Você já viu pessoas como Brian Armstrong e Jack Dorsey saírem e dizerem: ‘Vou dizimar minha organização e recomeçar do zero’”, afirmou o CEO da Palo Alto.
“Eles foram para algo como 30% a 40% menos pessoas, porque concluíram que não há salvação. ‘Eu não consigo treinar essas pessoas; vou simplesmente buscar quem já consegue entrar e me ajudar a fazer isso.’”
Outra forma de as empresas enfrentarem o problema é reconstruindo gradualmente seus times com profissionais fluentes em IA. Na missão de levar a Palo Alto para essa nova era, Arora diz que está contratando “apenas por meio de hackathons” para reforçar as competências técnicas entre os 21 mil funcionários da empresa.
“Nós contratamos em hackathons. Me dê 12 meses e eu terei transformado 20% a 25% da minha equipe”, disse Arora. “Me dê três anos e, espero, terei gente suficiente com domínio de IA trabalhando na Palo Alto.” Mais de economia
CEOs dizem que a era da IA será um jogo de afunda ou nadaA projeção do CEO da Palo Alto reflete uma preocupação crescente entre líderes empresariais: a era da IA será um momento de afunda ou nada para os trabalhadores, com a capacidade de adaptação se tornando a nova moeda da carreira. Ninguém está imune à transformação tecnológica— nem mesmo os CEOs que comandam as empresas.
Na visão dele, todas as funções podem ser impactadas pela nova tecnologia— e ele próprio admitiu que seu cargo de CEO é “uma das coisas mais fáceis” que a IA poderia assumir um dia. Pichai ressaltou que as ferramentas vão criar novas oportunidades de trabalho, mas reconheceu que algumas funções serão extintas. As pessoas terão de agir por conta própria para se adaptar.
“As pessoas vão precisar se adaptar, e haverá áreas em que isso vai afetar alguns empregos. Então, como sociedade, acho que precisamos ter essas conversas”, disse Pichai à BBC, em entrevista de 2025. Leia também: Como e o que comprar na Bolsa com Ibovespa perdendo para o CDI em 2026
“Acho que as pessoas que aprenderem a adotar e se adaptar à IA vão se sair melhor”, continuou o CEO. “Não importa se você quer ser professor, médico— todas essas profissões continuarão existindo, mas quem vai se destacar em cada uma delas será quem aprender a usar essas ferramentas.”
Micha Kaufman, CEO da plataforma de freelancers Fiverr, também fez um alerta aos profissionais: a tecnologia está mudando e automatizando absolutamente todas as funções, inclusive as da alta liderança. E, assim como Pichai, ele também acredita que nem mesmo seu disputado cargo no topo está a salvo da virada da IA. Para ele, é essencial que os funcionários façam mais do que apenas falar sobre tecnologia— eles precisam testá-la, desenvolver habilidades e incorporá-la ao trabalho do dia a dia.
“A IA está vindo atrás dos seus empregos. E, francamente, do meu também. Isso é um alerta”, disse Kaufman em entrevista à Fortune no início deste ano. Um ano depois, ele deixou um recado para a alta cúpula que tenta apenas resistir ao “tsunami da IA”: “Não seja só animador de torcida. Se você não pratica, não pregue… Você não pode transformar IA em um valor pendurado na parede e depois não agir de acordo com isso.”
Já o bilionário da Nvidia Jensen Huang não acredita pessoalmente que a IA vá substituir seu cargo, mas reconhece que a verdadeira competição virá de profissionais que sabem usar a tecnologia. Em vez de se preocupar com um chatbot ou um robô tomando seu lugar, os trabalhadores deveriam ficar atentos aos colegas que dominam IA e vão avançar a toda velocidade.
“É improvável que a maioria das pessoas perca o emprego para a IA”, disse Huang em entrevista na Stanford Graduate School of Business, no início deste ano. “O mais provável é que a maioria das pessoas perca o emprego para alguém que usa IA. Por isso, precisamos garantir que todo mundo use IA.”
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