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As ações da América Latina— e especialmente do Brasil— continuam com perspectivas positivas no médio prazo, mesmo após a recente perda de fôlego diante da rotação global de investimentos para empresas ligadas à inteligência artificial (IA), aponta o Morgan Stanley. O banco mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para o mercado brasileiro e vê oportunidades sustentadas por valuations atrativos e pelo ciclo global de investimentos em tecnologia.
Segundo o banco, o Brasil negocia atualmente a cerca de 8,2 vezes preço/lucro (P/L), próximo de cenários considerados pessimistas, o que cria uma relação risco-retorno favorável. Isso ocorre apesar de desafios relevantes no front doméstico, como desaceleração do crescimento, incertezas fiscais e o ciclo eleitoral de 2026.
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O Morgan Stanley destaca que o primeiro semestre foi marcado por uma forte rotação de capital dentro de mercados emergentes, com recursos migrando para países asiáticos mais expostos ao boom de inteligência artificial, como Coreia do Sul e Taiwan.
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Esse movimento contribuiu para a saída de fluxo estrangeiro da Bolsa brasileira no segundo trimestre, após entradas robustas no início do ano. No entanto, o banco avalia que essa mudança reflete mais um reposicionamento tático dos investidores do que uma deterioração estrutural da tese para a América Latina.
Na avaliação dos estrategistas, a região deve, na verdade, se beneficiar do ciclo de investimentos em IA, já que fornece insumos essenciais— como energia, minerais e commodities— para sustentar essa expansão global. Leia também: Economia: Panorama de Negócios e Novas Regras
Assimetria positiva apesar dos riscos
Para o Brasil, o Morgan Stanley mantém visão construtiva, com recomendação overweight, destacando uma assimetria positiva nos preços atuais. O banco vê o mercado precificando grande parte dos riscos— incluindo juros elevados e incertezas fiscais— o que abre espaço para valorização caso o cenário melhore marginalmente.
O relatório ressalta que há divergência entre investidores locais e estrangeiros: enquanto os domésticos seguem mais cautelosos, citando crescimento mais fraco e juros altos, os analistas do banco entendem que essa desaceleração faz parte de um ajuste necessário da economia e pode, no longo prazo, contribuir para um ambiente de juros mais baixos.
Além disso, a instituição aponta que o desempenho recente mais fraco dos resultados corporativos— especialmente entre empresas domésticas— reflete esse processo de reequilíbrio, e não um sinal estrutural negativo para a renda variável.
Em termos setoriais, o Morgan Stanley recomenda priorizar empresas com exposição internacional, menos dependentes do ciclo doméstico. A preferência recai sobre setores como: energia; materiais básicos (mineração e commodities), utilities (energia e saneamento) e serviços financeiros. Mais de economia
Esses segmentos tendem a se beneficiar tanto do ciclo global de investimentos quanto de receitas em moeda forte, o que mitiga riscos associados ao cenário macro local. Por outro lado, o banco mantém uma visão mais cautelosa para empresas cíclicas domésticas, que são mais sensíveis ao crescimento econômico interno e ao patamar elevado de juros.
Juros nos EUA são principal risco
Embora o avanço da IA e a rotação de portfólio tenham dominado o debate recente, o Morgan Stanley avalia que o principal fator de risco para a América Latina segue sendo a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Leia também: Tiago Splitter é anunciado como novo técnico do Chicago Bulls na NBA
O rendimento dos Treasuries de 10 anos, referência global de custo de capital, influencia diretamente a alocação de recursos para mercados emergentes. Uma alta mais persistente dessas taxas pode limitar fluxos para a região e pressionar valuations.
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Ainda assim, o banco pondera que as taxas locais brasileiras já incorporam boa parte desse cenário mais restritivo, o que reforça a tese de que muitos riscos já estão precificados.
Eleições e fiscal ainda geram incerteza
No campo doméstico, as eleições de 2026 e a trajetória fiscal seguem como pontos de atenção para investidores. O relatório observa que há baixa convicção sobre o desfecho político e sobre possíveis mudanças de política econômica, o que dificulta apostas direcionais mais agressivas.
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