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Mercado brasileiro de ETFs triplica em meio ao boom de novos fundos na América

Leda Alvim Felipe Saturnino Kelsey Butler Bloomberg Os fundos negociados em bolsa (ETFs) estão surgindo em ritmo acelerado nos mercados locais da América Latina , à

Mercado brasileiro de ETFs triplica em meio ao boom de novos fundos na América
Leda Alvim Felipe Saturnino Kelsey Butler
Bloomberg

Os fundos negociados em bolsa (ETFs) estão surgindo em ritmo acelerado nos mercados locais da América Latina, à medida que investidores migram para uma série de novos produtos adaptados à demanda doméstica.

O avanço é mais visível no Brasil, onde a combinação de novos produtos e de novos fluxos de recursos levou os ativos dos ETFs listados localmente a quase triplicarem nos últimos dois anos, para cerca de R$ 116 bilhões (US$ 22,8 bilhões). Gestoras, da BTG Pactual Asset Management à Itaú Asset Management, estão entre aquelas que expandiram rapidamente seus negócios de ETFs, atendendo investidores que buscam formas eficientes em termos tributários de investir nos mercados de dívida de alto rendimento do país. Em México, Chile e Colômbia, emissores de ETFs também viram o apetite por suas ofertas locais crescer para níveis recordes.

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A onda de novos produtos reflete uma evolução mais ampla dos mercados financeiros da América Latina, onde os investidores têm cada vez mais acesso a veículos especializados adaptados às preferências locais. Ela se assemelha ao desenvolvimento observado em mercados de ETFs mais maduros, como o da Coreia do Sul, onde a expansão da oferta de produtos acompanhou uma base de investidores mais sofisticada.

"O crescimento que estamos vendo nos ETFs no Brasil é inevitável", disse Bernardo Feijó, sócio e diretor de operações da Kapitalo Investimentos, sediada em São Paulo. "O fato de operarmos globalmente em praticamente todos os mercados e classes de ativos investíveis significa que precisamos de instrumentos que sejam líquidos, eficientes em termos de custo e eficientes em termos tributários, e os ETFs cumprem esse papel."

Embora grandes investidores já utilizem há muito tempo ETFs amplos listados nos Estados Unidos, como o EWZ, que acompanha ações brasileiras, as opções locais permaneceram amplamente limitadas por uma oferta restrita de produtos e por um mercado há muito tempo dominado por fundos de gestão ativa. Leia também: “Ninguém vai nos derrotar com base em mentiras”, diz Lula em artigo no Post

Os maiores provedores de ETFs da região estão se movimentando rapidamente para aproveitar essa nova demanda. Os ativos do negócio de ETFs do BTG ultrapassaram R$ 20 bilhões, ante cerca de R$ 1 bilhão no fim de 2024. Na Investo, apoiada pela VanEck, eles aumentaram de R$ 1,7 bilhão para mais de R$ 11 bilhões em quase dois anos.

"Como um ETF pode acomodar praticamente qualquer tipo de investimento, ele deve acabar se tornando a classe de ativos que atrai o maior volume de entradas de recursos", disse Tiago Lima, sócio e diretor de distribuição da BTG Pactual Asset Management.

Os ETFs brasileiros de renda fixa atraíram mais de R$ 27 bilhões em novos recursos neste ano, segundo dados da associação dos mercados de capitais Anbima. Esses produtos normalmente cobram taxas menores e são isentos de um sistema de recolhimento de impostos pelo qual os investidores antecipam o pagamento do imposto de renda duas vezes por ano, comum em muitos fundos tradicionais de renda fixa.

Na Itaú Asset Management, os ETFs que investem em títulos públicos atraíram a demanda mais forte, disse Renato Eid, responsável pelos fundos indexados da gestora.

Esse impulso está se espalhando pela região. Na Colômbia, as listagens de ETFs aumentaram 24% em comparação com um ano atrás, enquanto o Chile registrou um aumento de 37% no mesmo período. Mais de economia

No México, os ativos de ETFs e de outros produtos negociados em bolsa cresceram para US$ 15,3 bilhões (R$ 77,5 bilhões), ante US$ 14,3 bilhões (R$ 72,4 bilhões) no ano passado, segundo a ETFGI. No país, grandes investidores institucionais estão utilizando cada vez mais esses produtos para obter exposição aos mercados acionários internacionais, especialmente às empresas americanas de tecnologia e inteligência artificial, de acordo com Ignacio Saralegui, responsável por soluções de portfólio para a América Latina na Vanguard.

Os crescentes fundos de pensão do país, conhecidos como Afores, estão utilizando ETFs para obter exposição a ações, com veículos temáticos e de gestão ativa impulsionando o crescimento, segundo Nestor Fernandez, diretor de investimentos da Principal Afore, que supervisiona quase US$ 26 bilhões em ativos (R$ 131,7 bilhões).

"É muito transparente, altamente eficiente e de baixo custo, e nos permite obter exposição a geografias onde o acesso, de outra forma, é limitado", disse ele. Leia também: China amplia investimento em projetos verdes enquanto a guerra no Irã afeta

A América Latina ainda está atrás das indústrias de ETFs mais maduras. Os ativos sob gestão dos ETFs dos Estados Unidos, que decolaram no fim dos anos 2000, ultrapassaram US$ 15,6 trilhões (R$ 79 trilhões). Os ETFs europeus administram mais de US$ 3 trilhões (R$ 15,7 trilhões) em ativos. Nesses mercados, os produtos de gestão ativa ganharam força ao oferecer aos investidores maior flexibilidade e custos mais baixos.

Na Ásia, o maior mercado de ETFs é o Japão, com cerca de US$ 845 bilhões (R$ 4,2 trilhões) em ativos sob gestão ao fim do segundo trimestre, seguido pela China continental, Taiwan e Coreia do Sul, segundo a Bloomberg Intelligence. Os ETFs de gestão ativa ainda são relativamente novos —Taiwan lançou o primeiro em 2025, enquanto se espera que a China os permita ainda este ano. Os ETFs listados localmente na Índia estão concentrados em fundos passivos que acompanham índices de ações e ouro.

Os principais ETFs da Ásia, em desempenho e em ativos, estão predominantemente ligados ao boom da inteligência artificial —cujas fortes oscilações levaram recentemente os reguladores da Coreia do Sul a agir para limitar grandes perdas.

De volta ao Brasil, os reguladores estão conduzindo estudos para implementar estratégias de gestão ativa para ETFs, com um possível resultado e um novo impulso na demanda previstos para 2027.

"Parece que finalmente chegou o momento dos ETFs", disse Cauê Mançanares, sócio-fundador e CEO da Investo. "Ainda existe uma diferença significativa de adoção em comparação com os Estados Unidos e a Europa, mas fecharemos essa diferença muito mais rapidamente do que eles porque já conhecemos o roteiro."

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