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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira mais uma investigação da Polícia Federal (PF) por eventual tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lulinha, como é conhecido, teria atuado em negócios relacionados à Dataprev, empresa pública responsável pela base de dados do INSS.
Segundo a PF, o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3Structure It, teria pagado ao menos uma viagem para o filho do presidente em troca de supostos favores no governo. Procurado, ele ainda não se posicionou.
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A informação foi revelada pelo Estado de S. Paulo e confirmada pelo Globo.
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Na quinta-feira, O Globo informou que o primogênito de Lula já era investigado pelo eventual cometimento do mesmo crime em caso relacionado ao comércio de cannabis medicinal, com conexões com o Ministério da Saúde e o gabinete Presidencial.
Lulinha foi investigado pela PF no escândalo dos descontos de aposentadoria porque mantinha relação próxima com Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, lobista responsável por operacionalizar o desvio de recursos de aposentados, segundo a corporação. Leia também: Datafolha: Raquel Lyra tem 49% e João Campos soma 45% em eventual segundo turno
Alvo da segunda investigação, o empresário Cleber Ribas de Oliveira também é ligado ao Careca do INSS.
O filho de Lula também atuava com a empresária Roberta Luchsinger, segundo a PF. Sua atuação, de acordo com a corporação, era prospectar contratos governamentais.
Procurada, a defesa de Lulinha nega que o seu cliente tenha cometido qualquer crime.
O advogado Marco Aurélio Carvalho classificou os pedidos da PF como “pirotecnia” e tentativa ilegal de fazer uma “pesca probatória”— uma investigação genérica sem foco específico.
— É mais do mesmo. A Polícia Federal está adotando a estratégia da tentativa e erro. “Não achei aqui, vou tentar ali”. É a chamada “melhor de três”, isso é pirotecnia, é pesca probatória. Ninguém quer que o Fábio esteja acima da lei, mas não podemos permitir que ele esteja abaixo dela”. Mais de economia
Já a defesa do careca do INSS diz que não vai se manifestar porque não teve acesso a nenhum auto sobre as novas investigações e ficou sabendo da informação pela imprensa.
Os advogados de Antônio Camilo Antunes protocolaram hoje um pedido no Supremo para acessar o material.
Atrito entre PF e Mendonça
A abertura da primeira investigação mobilizou o gabinete de Mendonça, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a presidência do STF, além da área técnica da Corte. Leia também: Infantino desiste de plano para investimentos privados na Fifa após ameaça
Um debate nos bastidores que se arrastou por quase uma semana diante da investida da Polícia Federal acabou escalando o desgaste dos investigadores com o gabinete de Mendonça, com direito a uma espécie de reviravolta eletrônica.
Ao encaminhar o pedido de abertura do inquérito, em 24 de julho, a Polícia Federal sustentou que a apuração tratava de fatos distintos dos investigados na Operação Sem Desconto.
O pedido chegou ao STF durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes na presidência da Corte, durante o recesso do Judiciário e em revezamento com Edson Fachin. A presidência do STF fica responsável por decidir em questões urgentes e também se um determinado gabinete tem ou não preferência para relatar um caso, a chamada prevenção.
Antes de decidir sobre a definição do relator, Moraes solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para avaliar se havia conexão entre a nova investigação e os inquéritos do INSS já em andamento sob a relatoria de Mendonça.
Em parecer encaminhado no dia 27 de julho, a PGR concordou com a avaliação da Polícia Federal. Para o órgão, a investigação tratava de fatos distintos daqueles apurados no escândalo dos descontos indevidos de aposentados e pensionistas revelado pela Operação Sem Desconto e, por isso, não havia motivo para reconhecer a prevenção de André Mendonça. A manifestação foi pela livre distribuição do procedimento, ou seja, sorteio eletrônico.
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