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Melhor investimento de renda fixa entrega 1,47% em julho; pior rende 0,85%

(Unsplash) Publicidade As debêntures atreladas ao IPCA renderam 1,47% em julho e entregaram o maior retorno entre os índices de renda fixa da Anbima no mês

Melhor investimento de renda fixa entrega 1,47% em julho; pior rende 0,85%
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As debêntures atreladas ao IPCA renderam 1,47% em julho e entregaram o maior retorno entre os índices de renda fixa da Anbima no mês. Logo atrás vieram as debêntures atreladas ao DI, com 1,43%. Entre os títulos públicos, o melhor desempenho foi do IMA-S, que espelha o Tesouro Selic e subiu 1,23% no mês.

Na outra ponta ficaram os prefixados: o IRF-M avançou 0,85%. Os títulos públicos de inflação (IMA-B) subiram 0,97% e as debêntures incentivadas, 1,02%. No acumulado do ano, a distância aumenta: as debêntures atreladas ao DI somam 8,62%, contra 2,46% das incentivadas– abaixo até do IMA-B, de 5,09%.

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“O IMA-S venceu porque capturou praticamente todo o carrego da Selic, sem uma exposição relevante à marcação a mercado”, diz Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital.

Prefixados e papéis IPCA+ também carregavam taxas elevadas, afirma, mas parte do ganho foi neutralizado pela curva, que seguiu exigindo prêmio diante do risco fiscal, do calendário eleitoral, de expectativa de inflação ainda alta e de um cenário externo incerto. “Houve momentos de alívio ao longo do mês, mas não um fechamento suficientemente amplo e consistente da curva”.

Dois mundos no crédito privado

Corano explica que debêntures atreladas ao DI e as incentivadas oferecem exposições distintas, ainda que na mesma categoria. As primeiras recebem o carrego de um CDI ainda elevado, têm prazos curtos e menor sensibilidade às oscilações de juros. As incentivadas são majoritariamente atreladas ao IPCA, têm prazos bem mais longos e ficam expostas tanto à curva das NTN-Bs– os títulos públicos de inflação– quanto ao spread de crédito do emissor. Leia também: O ‘fim do mundo’ não terá explosões: como a Física prevê o colapso do Universo

A isenção de Imposto de Renda, lembra, beneficia o retorno líquido da pessoa física, mas não entra no cálculo do IDA-IPCA Infraestrutura. “Não é exatamente uma divergência entre crédito bom e crédito ruim. É a diferença entre um crédito que recebe CDI alto e possui menor duration e outro que depende do comportamento da inflação, dos juros reais e dos prêmios de risco por um período mais longo”, afirma.

CDB de inflação

Nos CDBs indexados à inflação emitidos em julho, a taxa média de 12 meses foi de IPCA + 8,32%, ante IPCA+8,46% nos papéis de 24 meses e IPCA + 8,39% nos de 36 meses, segundo levantamento da Quantum Finance a pedido do InfoMoney. Em junho, a média de 12 meses estava em IPCA + 7,94%.

Para Bruno Corano, a leitura é de disputa maior por captação de curto prazo, o que pode refletir necessidades pontuais de liquidez ou preferência dos bancos por não contratar custo elevado por três ou quatro anos.

“Entre receber IPCA + 8,32% por um ano e IPCA + 8,39% por três anos, o prêmio adicional de apenas 0,07 ponto percentual não compensa automaticamente a perda de liquidez e a exposição mais longa ao mesmo emissor”, diz. Ainda assim, ele não encurtaria toda a carteira: quando o papel curto vencer, as taxas reais podem estar bem menores. A saída que o especialista sugere é montar uma escada de vencimentos.

Pós-fixados abaixo do CDI

Nos CDBs pós-fixados, os prazos intermediários seguiram pagando menos que o próprio benchmark: a média foi de 99,26% do CDI em seis meses, 98,39% em 12 meses e 99,51% em 24 meses. Só os prazos de três e de 36 meses superaram o CDI. Mais de economia

“Um CDB de 12 meses pagando 98,39% do CDI não me parece especialmente atraente. O investidor está assumindo risco de crédito bancário e, normalmente, abrindo mão de liquidez para receber menos do que o próprio benchmark”, afirma Corano.

Nos prefixados, a média de 12 meses ficou em 13,82% ao ano, abaixo da Selic de 14%. Ele argumenta que a comparação deve ser feita com o CDI médio que será acumulado até o vencimento, e não com a taxa de hoje. “Comprar um prefixado não é simplesmente apostar que o juro de hoje está alto. É apostar que o CDI médio dos próximos 12 meses será inferior à taxa que foi travada”. Leia também: Livros examinam a moral, os mercados e o dinheiro por trás do capitalismo

Sua recomendação é não travar todo o patrimônio agora, mas montar posição gradualmente, nos prazos curtos e intermediários e com vencimentos diferentes, sem abandonar o pós-fixado.

Onde investir em agosto

No cenário-base de Corano, o pós-fixado atrelado ao CDI ou à Selic segue como vencedor mais provável em agosto. Mesmo com a Selic em 14%, ele avalia que o carrego mensal continua elevado e com baixíssima volatilidade.

Prefixados e IPCA+ têm potencial de render mais, por combinarem carrego e marcação a mercado, mas dependem de a curva incorporar novos cortes sem piora do quadro fiscal, das expectativas de inflação ou das condições externas. “Para agosto, eu favoreço o CDI e o IMA-S em retorno ajustado ao risco”, resume.

A armadilha do mês, na visão dele, é confundir taxa alta com ausência de risco. “Um título IPCA + 8%, um prefixado próximo de 14% ou uma debênture com um spread elevado podem parecer oportunidades óbvias, mas continuam carregando riscos de marcação a mercado, crédito, liquidez e custo de oportunidade”, diz.

Ele mantém o núcleo da carteira em pós-fixados de boa qualidade e com liquidez, usando as taxas atuais para montar posições em juros reais e prefixados, com vencimentos diversificados e sem concentração excessiva em um único emissor. “Para quem já possui uma carteira equilibrada, agosto me parece muito mais um mês de ajuste fino do que de mudança radical”.

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Leonardo Guimarães
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