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Médicos questionam evidências de plano do Pentágono para rastreio

Vista do prédio do Pentágono, em Washington 15/10/2025 REUTERS/Kevin Lamarque Publicidade O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, determinou nesta

Médicos questionam evidências de plano do Pentágono para rastreio de
Vista do prédio do Pentágono, em Washington 15/10/2025 REUTERS/Kevin Lamarque
Vista do prédio do Pentágono, em Washington 15/10/2025 REUTERS/Kevin Lamarque

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, determinou nesta semana ⁠a realização de exames anuais para detectar deficiência de testosterona em militares na ativa e na reserva com 30 anos ou ⁠mais, o que, segundo ele, ajudará a manter a prontidão militar.

No entanto, muitos profissionais da área médica alertam que isso pode não surtir nenhum efeito nesse sentido ‌e, ao contrário, pode aumentar o risco de infertilidade dos militares ou acarretar outras consequências caso a testosterona seja prescrita de forma inadequada.

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A medida é uma das várias mudanças recentes na política de saúde implementadas por Hegseth e outros membros do gabinete do governo Trump que geraram debate entre especialistas e levantaram questões sobre qual base científica, se é que ‌existe alguma, as sustenta.

Hegseth também revogou a exigência de longa data das forças armadas relativa à vacina contra a gripe, uma decisão que foi revertida após um surto de gripe, enquanto o Departamento de Saúde e Serviços Humanos removeu 17 membros de seu painel consultivo sobre vacinas e alterou suas recomendações sobre vacinação.

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Cinco dos seis especialistas em saúde masculina contatados pela Reuters para esta reportagem disseram estar perplexos com o anúncio sobre os exames de testosterona e preocupados com a possibilidade de isso levar a tratamentos desnecessários— ou até mesmo prejudiciais. Leia também: Zema reforça apoio a Ricardo Salles ao Senado e diz que São Paulo atrai

Hegseth afirmou que os exames seriam acompanhados de orientações para ajudar os soldados a tomar decisões sobre o tratamento, que seria voluntário.

Os objetivos, acrescentou ele, são garantir que as tropas tenham os níveis adequados de testosterona para atuarem no ⁠seu melhor e ‌melhorar sua resiliência, longevidade e desempenho, de modo a garantir a prontidão de combate das forças armadas.

Quatro dos seis médicos afirmaram que não há evidências sólidas sugerindo que o rastreio de ⁠baixos níveis de testosterona em todo o pessoal militar com 30 anos ou mais otimizaria a prontidão dos EUA para o combate.

“Ouvimos de pacientes que, quando se trata a testosterona baixa, aspectos como o estado de alerta cognitivo e a resistência melhoram. Mas as evidências não são concretas e vêm de pacientes que foram tratados porque apresentavam sintomas”, disse o Dr. Kevin McVary, urologista do conselho consultivo médico da Rugiet, uma plataforma de telessaúde que fornece suplementos de testosterona.

O Pentágono se recusou a comentar o assunto além de sua breve declaração oficial. Mais de economia

Exames recomendados em caso de sintomas

A Associação Americana de Urologia e a Sociedade de Endocrinologia recomendam a suplementação de testosterona apenas para pacientes com deficiência ​confirmada de testosterona e sintomas como redução da libido, disfunção erétil, fadiga, diminuição da massa muscular e baixa densidade óssea.

A administração de testosterona sem a presença de sintomas clínicos leva ao tratamento excessivo, disse McVary, o que pode ter suas próprias consequências adversas.

Os níveis diminuem naturalmente com a idade, a partir dos 30 anos. Mas os 30 anos, ​por si só, não são um ponto adequado para o rastreio, disse o Dr. Haleem Mohammed, diretor médico da rede de clínicas médicas e de bem-estar masculino Gameday Health. Leia também: Ilha de excelência que impulsiona o agro, Embrapa enfrenta risco de deterioração

“Há um declínio populacional de 1% ao ano após os 30-40 anos, que se acelera à medida que se envelhece”, mas os padrões não são os mesmos para todos, disse Mohammed.

A maioria dos estudos sobre reposição de testosterona foi realizada em homens mais velhos, observou o Dr. Ugis Gruntmanis, endocrinologista do Dartmouth Hitchcock Medical Center, que afirmou que a nova determinação oferece uma oportunidade para coletar dados sobre homens mais jovens.

Ele acrescentou, no entanto, que a implementação generalizada do rastreio sem dados de estudos preliminares seria como colocar a carroça na frente dos bois.

FDA retirou alerta

Com ‌base, em parte, em um estudo liderado pelo Dr. Steven Nissen, da Cleveland Clinic, envolvendo mais de 5.200 homens com idades ​entre 45 e 80 anos com baixos níveis de testosterona e alto risco de doenças cardíacas, a Agência de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA) dos EUA revisou os rótulos dos medicamentos à base de testosterona para remover um aviso sobre o aumento dos riscos de ataque cardíaco ou derrame.

Os participantes, no entanto, apresentaram taxas mais elevadas de arritmia atrial— um ritmo cardíaco anormal— e fraturas ósseas, um achado que pode ter implicações para as ⁠forças armadas, disse Nissen.

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