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Marcelo D2 e Rachel Reis se apresentam em festival gratuito em São Paulo

30.ago.2025 às 23h00 Ouvir o texto Diminuir fonte Aumentar fonte Victória Cócolo "Vamos começar pelo fim"

Marcelo D2 e Rachel Reis se apresentam em festival gratuito em São Paulo
30.ago.2025 às 23h00
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Victória Cócolo

"Vamos começar pelo fim". Foi essa a primeira frase que Marcelo D2, vocalista do Planet Hemp, disse à coluna assim que foi iniciada a entrevista para falar sobre o término do grupo, um dos mais influentes do rap nacional há três décadas.

Seis homens estão posando juntos em um estúdio. Eles estão vestidos com roupas escuras e algumas pessoas usam óculos escuros. O fundo é claro e neutro, destacando os membros da banda. A expressão deles é séria e confiante.
A banda Planet Hemp anúncia término depois de mais de 30 anos de carreira - Wilmore/Reprodução

Em junho de 2025, numa coletiva de imprensa, o Planet afirmou que acabaria e, junto, fez o anúncio da turnê de despedida, que tem o primeiro show marcado para 13 de setembro em Salvador.

Sem conflitos internos, a decisão foi unânime entre a atual formação do grupo: Marcelo D2 (vocal), BNegão (vocal), Formigão (baixo), Nobru (guitarra), Pedro Garcia (bateria), Daniel Ganjaman (guitarra/baixo) e Venom (DJ). Eles optaram por terminar no momento em que consideram estar no auge, dois anos depois de ganharem o primeiro Grammy da história da banda.

"Não é fácil ser um grande do rap. A gente aguentou bravamente por esses 30 e poucos anos. Fomos para a cadeia, brigamos com outras bandas e também entre a gente. Passamos por muita coisa. Estava na hora de fechar o ciclo", afirmou D2.

Foi no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, em 1993, que o Planet Hemp surgiu. Nasceu do encontro de dois jovens: Marcelo Maldonado Peixoto (D2) e Luís Antônio Machado, o Skunk. Na época, Marcelo trabalhava como camelô, vendendo camisetas de banda no centro do Rio. Leia também: 'Euphoria' chega ao fim com narrativa solta e polêmica por 'male gaze'

O amor pela música e a vontade de desafiar uma sociedade em que só se falava sobre maconha nas páginas policiais foi o que os uniu. Suas letras defendiam não apenas a legalização da cannabis, mas abordavam também temas como racismo e preconceito.

"A gente usou maconha nas letras como um vetor de liberdade. Era diferente da discussão que se tem hoje em dia, apesar de o Brasil estar muito atrás do resto do mundo nesse tema", diz o cantor.

Um ano depois da formação do Planet Hemp, em 1994, e com apenas uma demo gravada, Skunk morreu em consequência de complicações decorrentes da Aids.

Entre lá e cá, foram muitas intercorrências e trocas na formação, mas a banda atravessou os anos mantendo sua relevância, um público fiel e conquistando fãs nas novas gerações.

Segundo Marcelo D2 e BNegão, o fim do Planet Hemp é certo. Mas eles não descartam a possibilidade de o grupo se reunir em novos projetos no futuro. "Se a gente quiser tocar junto, faz uma outra banda", diz D2. Mais de entretenimento

"Quando a gente tava nessa de acaba ou não acaba, eu falei que, se fosse para acabar, acabou. Eu não vou ser o cara que vai voltar, não tem essa. Essa é realmente a última ponta bruta", afirma BNegão.

FIM DO PLANET HEMP

Vocês mesmos dizem que a banda está no auge. Por que terminar agora?

Marcelo D2: Quando os amigos me perguntam sobre isso, costumo responder: "Você já teve uma banda de 30 anos?" Eles, em geral, brincam: "Deus me livre".

Para mim, o Planet Hemp tem que ser a prioridade, e ele não é mais. Tem uma coisa que é essa energia de confronto que a banda precisa ter. Um bom Planet estaria lá no Congresso agora brigando pelas pautas que defendemos.

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