← Tecnologia
Tecnologia

Mapas indicam onde há mais chances de encontrar água em Marte

Dois estudos liderados por pesquisadores do Planetary Science Institute (PSI) apresentam novos mapas globais que indicam onde há maior probabilidade de existir gelo de

Mapas indicam onde há mais chances de encontrar água em Marte

Dois estudos liderados por pesquisadores do Planetary Science Institute (PSI) apresentam novos mapas globais que indicam onde há maior probabilidade de existir gelo de água abaixo da superfície de Marte. Publicados na revista The Planetary Science Journal, os trabalhos também propõem uma nova forma de medir o grau de certeza dessas estimativas, com foco no planejamento de futuras missões tripuladas ao planeta.

As pesquisas fazem parte do projeto Mars Subsurface Water Ice Mapping (SWIM) e buscam identificar regiões que possam oferecer recursos para astronautas. Além de apontar locais onde o gelo provavelmente está presente, os cientistas destacam áreas em que ainda são necessários novos dados antes que possam ser consideradas para exploração humana.

Leia no AINotícia: Tecnologia: Panorama Semanal de Inovação e Entretenimento

Mapa global do projeto SWIM mostra regiões de Marte com diferentes níveis de compatibilidade entre modelos para detectar gelo de água abaixo da superfície.
Mapas do projeto SWIM comparam diferentes modelos usados para identificar gelo subterrâneo em Marte a partir de dados térmicos obtidos por sondas em órbita. As áreas coloridas indicam o grau de concordância entre os modelos antes da exclusão de detecções em baixas latitudes – Imagem: The Planetary Science Journal (2026)

Mapas térmicos ajudam a localizar gelo sob a superfície

Atualmente, o gelo de água não consegue permanecer por longos períodos na maior parte da superfície marciana. Devido à atmosfera extremamente rarefeita do planeta, o gelo tende a sofrer sublimação, passando diretamente do estado sólido para o gasoso.

Missões anteriores, como a sonda Phoenix, já haviam encontrado gelo enterrado em regiões de altas latitudes, a poucos centímetros da superfície. Em áreas mais próximas das latitudes médias— consideradas mais adequadas para futuras operações humanas— os astronautas provavelmente precisarão escavar em profundidades maiores para encontrá-lo.

Segundo Hanna Sizemore, uma das líderes do estudo, o gelo retirado do subsolo pode ser convertido em hidrazina, combustível que poderia ser utilizado em uma viagem de retorno à Terra. Esse conceito faz parte do chamado uso de recursos in situ (ISRU), estratégia que pode reduzir a massa e o custo de uma missão tripulada. Leia também: Briga entre Apple e OpenAI entra na Justiça por segredo comercial

Para elaborar os mapas, a equipe utilizou dados do Thermal Emission Spectrometer (TES), da missão Mars Global Surveyor, e do Mars Climate Sounder (MCS), instalado na sonda Mars Reconnaissance Orbiter, ambos da NASA.

Os dois instrumentos produziram mapas térmicos do planeta, permitindo observar como a superfície e a atmosfera respondem às variações de iluminação entre o dia e a noite e ao longo das estações marcianas. As diferenças nas taxas de aquecimento e resfriamento ajudam os pesquisadores a inferir quais materiais estão enterrados logo abaixo da superfície, em profundidades de aproximadamente 1 metro.

Comparação entre modelos aumenta a confiabilidade

Segundo a pesquisadora, estimar a profundidade do gelo a partir de medições térmicas feitas em órbita é um processo complexo. Diferenças entre os instrumentos, nos modelos numéricos e até nas condições atmosféricas de Marte, como a quantidade de poeira, podem alterar os resultados.

Por isso, combinar mapas produzidos com diferentes conjuntos de dados, hipóteses e modelos permite aumentar a certeza sobre onde o gelo realmente está— especialmente nas regiões de transição entre áreas congeladas e não congeladas. Mais de tecnologia

De forma geral, os mapas apresentaram boa concordância. Já os locais onde surgiram divergências foram identificados como candidatos para futuras missões robóticas, que poderão coletar novas informações antes de uma eventual exploração humana.

Estatística mede a probabilidade de encontrar gelo

De acordo com o pesquisador, enquanto abordagens anteriores avaliavam apenas se os dados orbitais eram compatíveis com a presença de gelo, o novo método calcula explicitamente a probabilidade de ele realmente existir em cada local.

Sizemore explica que essa metodologia permite transformar uma avaliação qualitativa em uma estimativa quantitativa. Em vez de indicar apenas que uma técnica encontrou gelo enquanto outras não, passa a ser possível afirmar, por exemplo, que há 64% de chance de encontrar gelo em um determinado ponto de Marte. Leia também: Newton e Halley: uma amizade que revolucionou a Ciência

Nova tecnologia pode preencher lacuna nas medições

Os pesquisadores destacam que os dados utilizados atualmente investigam apenas o primeiro metro da superfície marciana. Por outro lado, as tecnologias de radar existentes conseguem mapear gelo apenas em profundidades superiores a 5 metros.

Isso deixa uma faixa intermediária, entre 1 e 5 metros, sem medições diretas. Segundo os autores, um radar de alta frequência capaz de detectar gelo nesse intervalo aumentaria significativamente a confiabilidade dos mapas produzidos pelo projeto SWIM.

Os dois artigos integram a edição especial da The Planetary Science Journal dedicada ao tema “Human Exploration of Mars: Resources and Science Targets”, que reúne estudos voltados à identificação de recursos e de alvos científicos para futuras missões humanas ao planeta.

Ana Luiza Figueiredo
Ana Luiza Figueiredo

Ana Figueiredo é repórter de tecnologia do Olhar Digital. É formada em jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Ver todos os artigos →
Tags: água Mapas Marte

Notícias relacionadas

Ciência e Espaço Brasileira da NASA desenvolve telescópio para buscar vida alienígena Pedro Spadoni Astronomia Enzo Monteiro Ciência e Espaço Novo método de criptografia quântica impede que mensagens cifradas sejam copiadas Rodrigo Mozelli Astronomia Problemas em Plutão! Parte do planeta anão estaria colapsando Rodrigo Mozelli
Briga entre Apple e OpenAI entra na Justiça por segredo comercial
Tecnologia

Briga entre Apple e OpenAI entra na Justiça por segredo comercial

Ler matéria →

Leia também