Fazer amigos vale mais que força de vontade para manter a constância nos treinos
Ler matéria →Mais do que um hobby, colecionar figurinha de futebol faz bem à saúde Na maioria das vezes, o hábito reduz o tempo de tela e ajuda a fazer amigos. Em alguns casos, porém, pode gerar frustração e provocar ansiedade Completar o álbum da Copa, convenhamos, pode ser tão difícil quanto conquistar o título mundial.
Se, para levantar a taça, a seleção campeã tem de disputar oito jogos (três da fase de grupos e cinco do mata-mata), para completar o álbum, crianças e adolescentes têm de colar 980 figurinhas. Não é pouca coisa. O Brasil nem estreou na competição e a estudante Rafaella Carvalho Rodrigues, de 13 anos, já completou o dela.
Leia no AINotícia: Saúde: Panorama Semanal de Novidades e Cuidados
Haja disposição física e aplicação tática! “É o quarto álbum que completo”, orgulha-se Rafa. “
O que me motiva é que o meu irmão, Marcelo, está sempre disposto a dedicar boa parte de seu tempo para me ajudar”. “ Para completar o álbum, passei um mês inteirinho, indo a postos de troca, todo final de semana.
Isso ajudou a reduzir meu tempo de tela. Troquei o celular pelas figurinhas. Cada pacote que abro, cada figurinha que troco, é uma emoção que experimento”, afirma Rafaella. Leia também: Golden retriever tem mais risco de ter câncer? O que fazer?
Tudo começou na Copa de 2018, na Rússia, quando Rafaella tinha seis anos. O irmão mais velho, Marcelo, então com 24, levava a caçula até os postos de troca, em bancas de jornal, praças de alimentação ou lojas de departamento. “Numa época em que as telas ocupam tanto espaço em nossa rotina, qualquer atividade que promova a convivência social e a diversão presencial tem um valor muito grande”, destaca a mãe da Rafaella e do Marcelo, Andrea Carvalho.
Parece que não, mas colecionar figurinha faz um bem danado à saúde. É o que explica a psicopedagoga Maria Irene Maluf, conselheira vitalícia da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). Uma das maiores vantagens é ativar o sistema de recompensa do cérebro.
Ao abrir o envelope e colar as figurinhas, o corpo libera neurotransmissores como a dopamina que produz uma sensação de prazer e bem-estar. “Reduz o estresse, estimula a memória e fortalece o raciocínio”, lista Maluf. “Não bastasse, ainda trabalha habilidades cognitivas e executivas, como planejamento, seleção e organização”, acrescenta.
Colecionar as figurinhas da Copa possibilita, de maneira lúdica, diferentes aprendizados. Quem garante é Mônica Pagel Eidelwein, presidente da ABPp. “É possível lidar com frustrações, resolver conflitos e traçar estratégias.
Uma delas é ‘bater bafo’”, sugere Eidelwein, referindo-se a uma antiga brincadeira que, com as mãos em formato de concha, consistia em virar figurinhas. Ansiosa, eu? Pelas contas de Cintia Lopes, ainda faltam umas 60 figurinhas para a filha, Cecilia Lopes Tavares, de 12 anos, completar o álbum dela. Mais de saude
A ideia partiu da própria Cecilia, que torce pelo Flamengo, mas treina no Botafogo. Todos os finais de semana, ela e o pai, Ricardo, vão a postos de troca em shoppings do Rio de Janeiro, onde moram. “Ela não costuma conversar com quem não conhece.
Onde há troca de figurinha, porém, interage com outras pessoas e faz novas amizades. Chega a trocar mais de 100 figurinhas por dia”, afirma a mãe. Cecilia tinha um ano quando seus pais colecionaram o álbum da Copa de 2014, no Brasil.
Além deste, tem mais três: os da Copa de 2018, na Rússia; 2022, no Catar, e o atual, no México, Estados Unidos e Canadá. “Algumas crianças levam numa boa. Eu, por exemplo. Leia também: Saúde em Destaque: Panorama Semanal de Alertas e Dicas
Comecei a socializar mais com outras crianças e até com alguns adultos”, avalia. “Mas, tem criança que fica viciada nisso e até sente ansiedade quando não tira a figurinha que deseja”. Gol de placa Para muitos jogadores, a Copa de 2026 pode ser também a última da carreira.
Caso do brasileiro Neymar, de 34 anos; do argentino Lionel Messi, de 38; ou do português Cristiano Ronaldo, 41. Para muitos colecionadores, pode ser a última chance de tirar esses e outros craques da bola.
“ Pais podem explicar aos filhos que aqueles atletas não estão ali à toa. Para vencer na vida, não basta ter dom ou talento.
É preciso disciplina e organização”, explica Liubiana Arantes de Araújo, coordenadora do Departamento Científico do Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). “ Ter regras é positivo.
Quando obedecidas, geram resultados grandiosos”. Socialização, pondera a neuropediatra Marli Marra, presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil (Abenepi), é apenas uma das vantagens. As outras são: recompensa a longo prazo e planejamento financeiro.
Leia também no AINotícia
- Fazer amigos vale mais que força de vontade para manter a constância nos treinosSaude · 3h atrás
- Braquicefalia ganha destaque após novo desdobramento em braquicefaliaSaude · 4h atrás
- Elon Musk e SpaceX: Riscos ao investir nos US$ 75 bi da bolsaSaude · 7h atrás
- Saúde: Panorama Semanal de Novidades e CuidadosSaude · 8h atrás


