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Mais da metade das vítimas de estupro no RJ tem até 14 anos; menina de 3 anos

Se forem contabilizados os casos de vítimas até 17 anos, o percentual sobe para 70%, com 1.086 registros

Mais da metade das vítimas de estupro no RJ tem até 14 anos; menina de 3 anos

Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) no Rio— Foto: Henrique Coelho/G1

Dados do primeiro trimestre de 2026 do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam que os estupros de vítimas vulneráveis, abaixo de 14 anos, representaram 56% de todos os casos no Rio de Janeiro.

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Se forem contabilizados os casos de vítimas até 17 anos, o percentual sobe para 70%, com 1.086 registros.

Levantamento feito pelo g1 indica que foram registrados 1.556 estupros entre janeiro e março deste ano. Desse total, 875 vítimas tinham menos de 14 anos, e 702 (52% do total) são meninas e adolescentes.

Dados do Dossiê Mulher indicam ainda que meninas de 0 a 11 representaram 49% das vítimas de estupros de vulnerável em 2025. Leia também: Agir lança 77 pré-candidatos estaduais em MG e apoia Simões para 2026

Outras 31,8% eram de adolescentes entre 12 e 17 anos. Somadas, as faixas etárias até 17 anos representam mais de 80% das vítimas.

"Dados do dossiê apontam que meninas de 13 anos são as principais vítimas de violência sexual no estado, com 585 vitimas no último ano", diz a diretora-presidente do ISP, Bárbara Caballero.

Em fevereiro de 2026, Q., mãe de uma menina de apenas 3 de anos, teve que ir até a Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) para registrar um caso de estupro de vulnerável.

Ela trabalhava como faxineira e está separada do pai de sua filha. Porém, precisou deixar a criança na casa do pai durante um final de semana.

Na segunda-feira seguinte, Q. disse que, ao trocar a fralda, percebeu que a região íntima da filha estava avermelhada. Ao perguntar o que tinha acontecido, a resposta foi devastadora: Mais de noticia

"Ela falou com uma clareza assim: 'O papai mexeu'. Ele mexeu, acho assim, ele fez isso e ela foi explicando, dando detalhes. Para uma criança que só tem 3 anos, os detalhes que ela dava eram muito claros, né? Não tinha como ser coisa da imaginação dela."

A delegada Maria Luiza Machado, titular da Dcav, que investiga o caso, não deu detalhes sobre o inquérito. No entanto, explicou que uma criança de 3 anos não poderia prestar depoimento a respeito do abuso sofrido.

"Com 3 anos a gente vê que essa criança ainda não tem uma realidade espaço temporal muito bem definida, por conta de questões, de desenvolvimento cerebral. Então, além de ser extremamente prejudicial àquela criança, não existe nenhuma definição científica de que isso seria proveitoso", explicou. Leia também: Vendaval no Rio: 500 mil imóveis sem luz e investigações sobre mortes

Segundo a delegada, o depoimento especial, com uma abordagem especial para casos envolvendo crianças e adolescentes, é mais utilizado com crianças a partir dos 6 anos.

Infográfico— Foto: Kayan Albertin/Arte g1

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São considerados vulneráveis, nos casos de crimes sexuais, toda e qualquer criança abaixo dos 14 anos. Também podem ser enquadradas nessa categoria pessoas que não têm o discernimento necessário para a prática do ato, devido a uma enfermidade ou condição psíquica, ou que por algum motivo não possam se defender.

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