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Magnetismo de João Gomes conduz 'Dominguinho' em show de gala com Fagner no Allianz

Há pouco menos de um ano, João Gomes, Mestrinho e Jota

Magnetismo de João Gomes conduz 'Dominguinho' em show de gala com Fagner no Allianz

Há pouco menos de um ano, João Gomes, Mestrinho e Jota. Pê fizeram o primeiro show do projeto "Dominguinho", na Casa Natura, em São Paulo. Havia menos de mil pessoas no espaço, mas era surpreendente ver como a maioria já sabia cantar de cor as músicas do álbum, então recém-lançado.

Depois de rodar o Brasil e passar pela Europa, o trio celebrou um ano do trabalho com show no Allianz Parque, também na capital paulista, neste sábado (25). Dado o sucesso do projeto, desta vez não chegou a surpreender que as dezenas de milhares de pessoas presentes no estádio acompanhassem as performances com coros do começo ao fim. Às 19h30, quando o show começou, com meia hora de atraso, o Allianz não estava lotado.

Leia no AINotícia: Panorama do Entretenimento: Música e Cultura em Destaque

Havia ingressos à venda para a pista premium (R$ 495) e cadeira inferior (R$ 385). Ainda assim, o espaço estava quase todo ocupado, com apenas um buraco visível na arquibancada da parte mais distante do palco. Mais do que a multidão reunida —algo que não é novidade para o forró Brasil afora— chamou a atenção a materialização da rápida ascensão do projeto em uma apresentação de gala.

O show foi transmitido na TV a cabo, com palco imitando a arquitetura de Olinda, onde o disco foi gravado, com convidados do calibre de Fagner e Vanessa da Mata, no estádio mais emblemático para música ao vivo da maior cidade brasileira. A escolha de São Paulo, aliás, é adequada. "

Dominguinho " é calcado no forró, mas não na sonoridade mais popular do gênero atualmente, e sim numa versão pop e acústica que remete à MPB com violões e altas doses de fofura. Leia também: Magnetismo de João Gomes conduz 'Dominguinho' em show de gala com Fagner no Allianz

Pode ser difícil imaginar Xand Avião, que move multidões no Nordeste, tocando no Allianz, mas não o projeto de João Gomes, mais alinhado à música que faz sucesso na porção sul do país. Chamar "Dominguinho" de forró para paulista é exagero. Fora o sucesso do projeto dentro do Nordeste, há na metrópole uma agenda quente de shows do gênero, e uma imensa comunidade de nordestinos e seus descendentes.

Mas a roupagem das músicas é certamente uma das chaves de seu sucesso em espaços considerados mais nobres —seja o Allianz, a TV a cabo ou o Grammy Latino, onde o trio foi premiado. Isso ficou claro na sequência inicial, com as músicas do álbum que batiza o projeto, incluindo "Lembrei de Nós", "Beija Flor", " Arriadin por Tu" e "

Flor". As canções românticas e açucaradas, símbolos de "Dominguinho", botaram a plateia para dançar juntinho, enquanto casais trocavam beijos e o resto da plateia berrava os versos do trio. Foi interessante ver um estádio em São Paulo entoar "

Flor de Flamboyant", música de Kara Veia gravado pelo trio. Apresentado por João Gomes como "o melhor cantor vaqueiro que já existiu", o alagoano, morto em 2004, é quase um desconhecido fora do sertão e agreste nordestino. Considerando o curto repertório autoral do projeto, a setlist foi recheada de versões.

Boa parte de canções conhecidas na voz de forrozeiros mais tradicionais como Flávio José (como "Mala e Cuia" e "Filho do Dono"), Dominguinhos (" Te Faço um Cafuné") e Luiz Gonzaga (" Fogo Mais de entretenimento

Sem Fuzil", " Pagode Russo") , além de cantores de piseiro como Zé Vaqueiro ("Some ou me Assume") e do próprio Gomes em sua carreira solo.

O mais instigante, contudo, veio quando o trio botou em forró canções de outros estilos —algo que Gomes faz com maestria desde que despontou há cerca de seis anos. Isso inclui versões de bandas de rock como Charlie Brown Jr. ("Pontes Indestrutíveis"), a MPB de Alceu Valença ("Tropicana"), o R&B de Luiz Lins ("Mete um Block Nele"), o trap de Orochi ("Ela Tem") e a sequência final com clássicos de Tim Maia e Jorge Ben Jor levados na sanfona. João Gomes é a figura mais popular do projeto, mas Mestrinho e Jota.

Pê foram bastante celebrados pela plateia. O primeiro, acostumado aos grandes palcos após integrar a turnê "Tempo Rei", de Gilberto Gil, mostrou que é uma sumidade na sanfona. O segundo, de voz marcante, chorou e fez chorar com "Ouro Marrom", um provocativo lamento sobre o racismo entoado ao violão. Leia também: Panorama do Entretenimento: Música e Cultura em Destaque

Um dos momentos mais emblemáticos foi a participação de Fagner, que fez ecoar três de seus sucessos —" Espumas ao Vento" , "Deslizes"

e "Borbulhas de Amor" . Vanessa da Mata, que veio em seguida, aumentou o nível de energia com "Amado" e "

Ai, Ai, Ai" , antes de fazer um discurso em favor de "Dominguinho". Ela disse que o trio defende "o verdadeiro e o amoroso" contra o que chamou de artificialidade do Brasil atual.

O show teve ainda outras duas participações. A cantora Bruna Black se juntou a Jota.pê numa performance de " Conte Comigo" na primeira metade da apresentação, enquanto Tato, vocalista do Falamansa, veio no fim para um medley de sucessos de seu grupo.

Os convidados engrossaram o caldo, mas não eclipsaram o trio titular de "Dominguinho", que estava visivelmente emocionado, e cuja musicalidade parece nascer de uma amizade genuína. Isso somado à estética cândida e ao talento dos três é a força por trás do sucesso do projeto. Ainda que uma ou outra performance tenha soado bagunçada, eles se portaram musicalmente como um grupo coeso no palco por quase duas horas e meia.

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