Deputada estadual em segundo mandato no estado de São Paulo, Marina Helou está deixando a Rede Sustentabilidade, que ajudou a fundar há 12 anos. Ela vai se filiar ao PSB para se candidatar a deputada federal.
Helou deve puxar a fila de uma debandada de lideranças ligadas à ministra Marina Silva, do Meio Ambiente —ela própria também deve deixar a Rede. O grupo se sente asfixiado pela atual direção partidária, controlada por aliados da deputada federal Heloisa Helena (RJ).
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"Eu colhi a assinatura para a Rede ser criada, como voluntária. É difícil sair do partido, emocionalmente e estruturalmente, mas a gente chegou num ponto de irracionalidade na relação com a direção", diz Helou.
A decisão é irreversível, diz. "Não faz mais sentido eu gastar a minha energia e a contribuição que eu posso dar à sociedade numa briga interna improdutiva, com pessoas completamente autoritárias, em vez de usar isso para construir as políticas públicas em que eu acredito", afirma. Leia também: Empresas com licença-maternidade estendida diminuem; 380 mil mulheres foram
Entre as medidas que a deputada aponta como autoritárias está o fato de seu grupo ter tido suspensa a senha do sistema interno de novas filiações ao partido. Também menciona a dissolução de diretórios estaduais e convocação de um encontro de forma irregular.
A decisão sobre a saída de Marina Silva e outras figuras do partido, diz Helou, ainda está sendo tomada. O prazo é curto, pois é preciso estar filiado até 4 de abril para disputar a eleição.
A ministra tem convites de PT, PSOL, PV, PDT e PSB para disputar o Senado por São Paulo. "Marina Silva é a melhor candidata que a gente tem para o Senado. É a maior chance que o nosso campo tem de ganhar", diz Helou, que tem a ministra como mentora e referência maior na política.
"O PSB vem se consolidando como um espaço para construir. A gente se acostumou com a política do contrário. Sou contra isso, sou contra aquilo. Mas e o que a gente quer construir? O PSB abre um espaço para isso", afirma ela. Mais de politica
Seus "padrinhos" do partido na filiação, diz, são o deputado Caio França, seu colega na Assembleia Legislativa, e a deputada federal Tabata Amaral.
Como candidata a deputada federal, ela propõe o passo seguinte: proibir por lei crianças e adolescentes de menos de 16 anos de terem rede social, uma tendência em outros países. Leia também: Chico Lopes, a anatomia de uma queda
"A Austrália começou a implementar, a França e a Espanha aprovaram, a China está indo para este caminho. A gente tem certeza que isso importa muito na proteção do desenvolvimento saudável de crianças e adolescentes", afirma.
No Congresso, ela também pretende se dedicar a pautas ambientais e à oposição a temas como a exploração de petróleo na amazônia e a flexibilização das regras de licenciamento. Frequentemente, são políticas que contam com apoio na própria base do governo Lula.
"A gente vive hoje um Congresso Nacional de costas para a população, que está patrocinando retrocessos em todas as áreas, que só trabalha para si mesmo", critica. "Por isso é preciso ter lá mais pessoas dedicadas à pauta ambiental".
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