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'Lula vive um efeito Biden', diz cientista política americana sobre desânimo

'Lula vive um efeito Biden', diz cientista política americana sobre desânimo do eleitorado brasileiro Crédito, Jim Watson/AFP via Getty Images Article Information

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'Lula vive um efeito Biden', diz cientista política americana sobre desânimo do eleitorado brasileiro
A imagem mostra dois homens em pé apertando as mãos diante das bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos. Ambos sorriem para a câmera durante um encontro oficial, tendo ao fundo cortinas azuis e, nas laterais, cadeiras de uma sala de reuniões.

Crédito, Jim Watson/AFP via Getty Images

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    • Author, João Caminoto
    • Role, De Paris para BBC News Brasil
  • Published 3 agosto 2026, 05:11 -03
    Atualizado Há 39 minutos
  • Tempo de leitura: 9 min

O Brasil chega às eleições presidenciais de outubro com uma economia que, nos números, não vai mal, mas com um eleitorado marcado pelo que Wendy Hunter chama de malaise, um desânimo difuso que ela compara ao que cercou Joe Biden nos seus últimos meses na Casa Branca.

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Hunter é professora de Ciência Política na Universidade do Texas, em Austin, e uma das maiores especialistas mundiais no Partido dos Trabalhadores (PT) e nas políticas sociais brasileiras.

Escreveu The Transformation of the Workers' Party in Brazil, 1989-2009, sobre a trajetória do partido, e Eroding Military Influence in Brazil, sobre a perda de poder político dos militares na redemocratização.

Com Timothy Power, professor de política brasileira na Universidade de Oxford, na Inglaterra, assina o artigo Lula's Second Act, publicado no Journal of Democracy em 2023. Leia também: A cirurgia experimental feita no útero de mãe para 'corrigir' bebê

Chegou ao Brasil pela primeira vez em 1988, no fim do governo de José Sarney, para a pesquisa de doutorado, e sempre voltou desde então.

Na entrevista a seguir à BBC News Brasil, ela fala sobre o déficit de entusiasmo que ameaça Lula, a mudança geracional que os analistas não estão captando, o que o apoio de Lula a Chávez e Maduro revela sobre ele, as chances do PT depois que o presidente deixar a cena e por que os estrangeiros ainda entendem mal o Brasil.

A imagem mostra uma mulher de cabelos castanhos na altura dos ombros, sorrindo para a câmera em um retrato de estúdio. Ela veste um blazer preto sobre uma blusa estampada e usa brincos pequenos, tendo ao fundo um cenário cinza neutro.

Crédito, American Political Science Association/Divulgação

Legenda da foto, A professora Wendy Hunter

BBC News Brasil– Quando você olha para o Brasil às vésperas de outubro, qual é a manchete para você? Do que essa eleição realmente se trata?

Wendy Hunter– Várias coisas me chamam a atenção. Uma delas, que não está sendo devidamente coberta, é a mudança geracional. Pessoas da nossa geração tendem a pensar no PT como um partido jovem, novo, cheio de energia. Não é mais assim. Os jovens não o veem assim. Mais de mundo

Há também uma mudança de valores que acho fascinante. Quando fui à escola de pós-graduação, e ainda décadas depois, todo mundo queria a carteira de trabalho, com CLT, emprego estável, décimo terceiro, aposentadoria. Isso era o marcador da cidadania. Leia também: Por que Ariana Grande vai pausar sua carreira e evitar aparições públicas

Hoje, quando converso com jovens, e fiz grupos focais neste verão, muitos deles não têm nenhum interesse nisso. Querem flexibilidade, querem ser autônomos, querem ser empreendedores, querem dirigir Uber. Falei com um motorista de Uber em Brasília que me deu um longo discurso sobre autonomia. Perguntei quantas horas por dia ele trabalhava, ele respondeu que umas 12. Eu fiquei pensando: 12 horas, sem décimo terceiro, sem aposentadoria, mas ele acredita na autonomia. Esse eleitor provavelmente vota à direita.

Muitos jornalistas e cientistas políticos não estão captando essa mudança. E ela se conecta diretamente à forma como as pessoas enxergam Lula hoje. Se você olha os principais indicadores econômicos e boa parte dos critérios objetivos, o Brasil não está indo mal. Mas há muito pouco entusiasmo por ele. Me lembra um pouco Joe Biden. A economia sob Biden não foi ruim, considerando que ele herdou o legado da pandemia. E as pessoas ficavam arrumando pequenas queixas. Sabemos como aquilo acabou.

BBC News Brasil– O fator geracional tem impacto nessa falta de entusiasmo?

Hunter– Tem. No Brasil há voto obrigatório, mas na última eleição uma porcentagem considerável de pessoas simplesmente não votou. Muitos eram idosos e pobres. Essa será uma eleição muito disputada, e se Lula quiser vencer, essas pessoas têm que ir às urnas. Há um déficit de entusiasmo. Tanto malaise, tanto malaise.

BBC News Brasil– Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro têm índices de rejeição próximos de 50%. Há espaço para uma terceira via?

A imagem mostra dois homens se abraçando e sorrindo durante um encontro oficial, tendo ao fundo bandeiras do Brasil e da Venezuela. Um deles segura uma caneta na mão enquanto ambos posam em um gesto amistoso diante das câmeras.
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