← Notícias
1 pessoa lendo agora Notícia

Lula vazou audiência antes de Trump confirmar que o receberia

Por que foto com Trump pode ser valiosa para Lula na eleição, segundo analistas Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma ligação telefônica para Donald

Lula vazou audiência antes de Trump confirmar que o receberia

Por que foto com Trump pode ser valiosa para Lula na eleição, segundo analistas Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma ligação telefônica para Donald Trump em outubro do ano passado, o petista tentou quebrar o gelo fazendo uma brincadeira com a idade deles.

Lula estava prestes a completar 80 anos, idade que Trump alcançará no próximo mês de junho. Na época, o Brasil vivia sob as tarifas impostas pelo governo dos EUA sobre diversos produtos brasileiros e aquela ligação era a primeira vez que eles conversavam sobre o tema. Segundo uma fonte próxima ao governo afirmou à BBC News Brasil na época, Lula afirmou, com um tom de "deixa disso", que eles não tinham "mais idade" para provocações.

Leia no AINotícia: Lula e Trump Se Encontrarão na Casa Branca Nesta Quinta-feira

E prometeu que visitaria Trump próximo ao 80º aniversário do americano. Faltando um mês para Trump completar 80 anos, Lula estará na Casa Branca, para uma reunião com o líder americano nesta quinta-feira (7/4). O encontro ocorre após o novo atrito entre os dois países causado pelo episódio de prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) nos Estados Unidos.

A situação levou o governo americano a expulsar um agente da Polícia Federal brasileira que atuava como oficial de ligação nos Estados Unidos. Em resposta, o Palácio do Planalto também descredenciou um oficial americano que atuava no Brasil. No pano de fundo estão também os ataques de Trump ao Pix, a possibilidade de os EUA classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os investimentos em minerais críticos e as tarifas que ainda permaneceram do "tarifaço".

Pano de fundo eleitoral Para Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o encontro deve tangenciar a pauta das terras raras, o acordo que o Brasil pode firmar com a China e o do Mercosul com a União Europeia. Já para Oliver Stuenkel, pesquisador do Carnegie Endowment e Harvard e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a reunião dos chefes de Estado deve ser sem tensionamentos e "com alguns avanços pontuais na redução de tarifas". Leia também: Agenda Cultural: Shows, Teatro e Humor Agitam o Alto Tietê Neste Fim de Semana

Mas ambos concordam que a ida de Lula à Casa Branca é estratégica para as eleições deste ano. " A direita tem um imaginário que vincula muito a política externa brasileira à Venezuela, a governos progressistas, à esquerda.

E essa estratégia de tentar se desvincular disso é interessante, sobretudo se o encontro significar que existe uma autonomia e soberania brasileira", afirma Bressan. Em entrevista à repórter Mariana Schreiber, da BBC News Brasil em Brasília, na semana passada, o especialista em relações internacionais Guilherme Casarões, professor da Florida International University (EUA), afirmou algo na mesma linha. "

A única forma pela qual Trump poderia reequilibrar esse lugar que os Estados Unidos ocupam na conversa eleitoral é se ele tiver o encontro com o Lula e se esse encontro for bom. " Segundo Stuenkel, além da direita perder a narrativa de que seria mais alinhada a Trump, Lula ainda teria a seu favor a cartada da diplomacia.

" Se for uma reunião bem-sucedida, é claro que o Lula vai usar isso dizendo que consegue trabalhar com qualquer um, enquanto Flávio [Bolsonaro] carece de uma experiência diplomática. "

Ainda para ele, mesmo que a reunião seja ruim — o que ele não acredita que será — isso não representará, necessariamente, uma má notícia para o petista. " Se for uma percepção que o Trump está querendo humilhar Lula, mas Lula demonstrar uma postura firme, isso pode ser utilizado pela campanha do Lula também", diz. Mais de noticia

Já Bressan pondera que "pensando em relação a essa estratégia de desvincular a direita dos EUA, ela é interessante para mostrar o quanto o Brasil dialoga com os EUA", diz. " Mas não salva nenhuma eleição".

Esta será a segunda vez que o presidente brasileiro viaja aos Estados Unidos em seu terceiro mandato, mas é a primeira vez que ele irá à Casa Branca. O primeiro encontro entre Lula e Trump ocorreu brevemente durante a cúpula da ONU, em Nova York, em setembro do ano passado. "

Tivemos uma química excelente", afirmou Trump, na época, sobre o breve encontro, no auge das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil. No fim de outubro, eles se reuniram em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro durou cerca de 50 minutos e ocorreu durante a realização da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Leia também: japão

A suspensão das tarifas de Trump era o centro daquela primeira reunião. Mas os dois presidentes trataram de outros temas também. Segundo o chanceler Mauro Vieira afirmou na época, Lula também se ofereceu para ser um "interlocutor" entre EUA e Venezuela.

Naquele momento, Trump pressionava o Caribe, atacando embarcações sob o pretexto de que estavam carregadas com drogas, e ameaçava Nicolás Maduro. " O presidente Lula levantou o tema e disse que a América Latina e a América do Sul, onde estamos, é uma região de paz.

E ele se prontificou a ser um contato, um interlocutor, como já foi no passado, com a Venezuela, para se buscar soluções que sejam mutuamente aceitáveis e corretas entre os dois países", disse o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após o encontro de outubro. Ainda assim, a captura de Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, na Venezuela, ocorreu cerca de dois meses depois, em 3 de janeiro. Eles seguem nos EUA, onde enfrentam acusações de tráfico de drogas e outros crimes.

Lula e Maduro estavam distanciados desde que o governo brasileiro não reconheceu formalmente a mais recente reeleição do herdeiro de Hugo Chávez, vista por atores da região e observadores como não legítima. Assim como a Venezuela, Cuba também está no alvo do presidente americano, que vem pressionando o país por um acordo. Após a captura de Maduro, Trump interrompeu o fornecimento do petróleo venezuelano e ameaçou com novas tarifas países que oferecessem ajuda a Cuba.

Com apagões sucessivos e escassez de alimentos e medicamentos, a ilha está à beira de um colapso. Embora o governo Trump não tenha declarado planos claros para Cuba, o presidente dos EUA já afirmou que uma intervenção militar era desnecessária porque o país estava "prestes a cair". Diálogo ou 'armadilha'?

Noticia

Agenda Cultural: Shows, Teatro e Humor Agitam o Alto Tietê Neste Fim de Semana

Ler matéria →

Leia também