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Lula sem 'frente ampla' e Flávio isolado: por que líderes nas pesquisas têm

Crédito, Reuters e EPA/Shutterstock Article Information Author, Mariana Schreiber* Role, Da BBC News Brasil em Brasília Published Há 1 hora Tempo de leitura: 6 min O

Lula sem 'frente ampla' e Flávio isolado: por que líderes nas pesquisas têm
Montagem com foto de Flávio Bolsonaro e Lula, ambos com semblante neutro.

Crédito, Reuters e EPA/Shutterstock

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    • Author, Mariana Schreiber*
    • Role, Da BBC News Brasil em Brasília
  • Published Há 1 hora
  • Tempo de leitura: 6 min

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas eleitorais, chegam para disputar a Presidência da República com um arco de apoio menor do que seus partidos alcançaram em 2022 e sem firmar alianças com o Centrão, grupo de centro-direita que reúne as outras maiores legendas do país.

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Alianças com partidos maiores tendem a significar mais palanques para conquistar votos nos Estados, acesso maior a recursos financeiros para a campanha e mais tempo de propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão. Por isso, historicamente, candidatos com alianças maiores têm levado vantagem na disputa eleitoral, mas isso nem sempre é verdade.

Jair Bolsonaro venceu a eleição de 2018 concorrendo com apoio de duas siglas nanicas, PSL e PRTB. Naquele ano, Geraldo Alckmin concorreu pelo PSDB, com apoio de grandes legendas de centro-direita, mas não chegou ao segundo turno.

A dificuldade em angariar apoios em 2026 não é apenas dos dois candidatos mais competitivos. Nenhum outro concorrente ao Palácio do Planalto, além de Lula, conseguiu montar uma coligação— é a primeira vez que isso ocorre em disputas presidenciais desde 1989, segundo levantamento do jornal Folha de S.Paulo. Ou seja, quase todos os candidatos estão concorrendo apenas por seus próprios partidos. Leia também: A desesperada busca por sobreviventes na Colômbia: 'Cada vez que anunciam

Segundo cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil, isso reflete mudanças estruturais na política brasileira. Hoje, ressaltam, as grandes legendas têm preferido focar na disputa pelo Congresso, pois uma grande bancada garante acesso a uma maior quantidade de recursos por meio das emendas parlamentares (R$ 61 bilhões em 2026). Além disso, um maior número de deputados e senadores obriga que, qualquer que seja o presidente eleito, negocie apoio da sigla posteriormente.

"Aqueles tempos de coligações entre partidos de centro e de partidos grandes e médios não existem mais", enfatiza o cientista político Lucas Aragão, da Arko Advice.

Isso também acontece, nota Aragão, devido à forma como as siglas do Centrão se relacionam regionalmente com a forte polarização entre lulismo e bolsonarismo. É comum que esses partidos se aproximem do PT onde o partido de Lula é mais forte, como na região Nordeste, mas estejam posicionados à direita em outros Estados.

Com isso, essas siglas preferem manter neutralidade na disputa nacional para que as lideranças estaduais possam apoiar localmente os candidatos que preferirem.

"Com as próprias divisões regionais que existem, fica difícil ter uma posição única, nacional", resume.

Um exemplo desse fenômeno é o PP, presidido pelo senador Ciro Nogueira, que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, mas agora busca sua reeleição no Piauí, Estado de forte eleitorado lulista. Leia também: Discord no Brasil: a decisão que suspende lives da rede social no país

Em 2022, a sigla apoiou a tentativa de reeleição de Bolsonaro, mas agora decidiu não entrar na disputa pelo Palácio do Planalto. O mesmo ocorreu com o Republicanos.

A resistência dessas duas siglas em repetir o apoio à família Bolsonaro, agora com Flávio, deixou o candidato do PL com pouca margem para escolha do candidato a vice.

Entre os nomes cotados estavam o da senadora Tereza Cristina (PP) e da ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos), mas o escolhido acabou sendo o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), político de pouca projeção nacional.

"O vice escolhido reflete uma maturidade do Centrão, de entender que é melhor estar na eleição para o Congresso do que em uma eleição para a Presidência. O Centrão não comprou a candidatura do Lula, não comprou a candidatura do Flávio, nem de outro candidato. Isso deixou o Flávio sem opções", afirma o analista político Creomar de Souza, sócio-fundador da consultoria Dharma e professor da Fundação Dom Cabral.

mapa fazendo a comparação entre coligações dos dois principais candidatos da eleição presidencial de 2022 com a de 2026, com fotos de Lula e Flávio e Lula e Jair Bolsonaro

Lula sem frente ampla

Já Lula, embora tenha reunido apoio de sete legendas, formou uma aliança restrita à esquerda. Apoiam sua tentativa de reeleição o PCdoB e o PV, que integram uma federação com o PT, a federação PSOL-Rede, além das siglas PSB e PDT.

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