
Crédito, Ricardo Stuckert / PR
- Author, Mariana Schreiber e Leandro Prazeres
- Role, Da BBC News Brasil em Brasília
- 4 maio 2026, 12:45 -03Atualizado Há 1 minuto
- Tempo de leitura: 5 min
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai se encontrar com o presidente americano, Donald Trump, na quinta-feira (7/5), na Casa Branca, em Washington, apurou a BBC News Brasil com fontes do governo brasileiro.
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A reportagem procurou a Casa Branca para uma confirmação, mas ainda não obteve resposta.
O episódio levou o governo americano a expulsar um policial federal que atuava nos Estados Unidos. Em resposta, o Palácio do Planalto também descredenciou um oficial americano que atuava no Brasil.
Aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Trump chegou a retaliar fortemente o Brasil na tentativa de impedir sua condenação por golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas não obteve êxito. Leia também: O que se sabe sobre o vírus que causou mortes em cruzeiro no Atlântico
O pacote de medidas incluiu um tarifaço de 50% sobre importações brasileiras ao mercado americano, retirada de vistos de autoridades e inclusão do ministro do STF Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky, que impõe restrições financeiras.
No entanto, Lula e Trump passaram a se aproximar desde que tiveram um breve encontro informal durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York em setembro de 2025.
Na ocasião, o republicano disse que houve "química excelente" com o brasileiro.
Depois disso, Lula e Trump trocaram telefonemas oficiais e tiveram um encontro bilateral na Malásia.
A previsão inicial era que o petista seria recebido na Casa Branca em março, mas isso não se concretizou. O adiamento foi atribuído ao conflito entre EUA e Irã, que monopolizou a atenção americana, além de desafios domésticos de Trump, como impacto da alta dos combustíveis no bolso dos americanos. Mais de mundo
A confirmação da visita agora acontece a poucas semanas do que interlocutores do presidente brasileiro consideravam a janela de oportunidade possível para que esse encontro acontecesse.
A avaliação de alguns de seus assessores era de que a chance de uma reunião entre os dois ficaria cada vez menor à medida em que o período eleitoral brasileiro se aproximasse.
O cálculo é de que essa espécie de janela de oportunidade só se manteria aberta até o fim do primeiro semestre porque a equipe de Lula não acredita que Trump gostaria de mostrar proximidade com o petista em meio à disputa eleitoral no país. Leia também: 'Tudo piorou': iranianos temem regime fortalecido e mais vingativo após a guerra com os EUA
Em entrevista à BBC News Brasil no final de abril, o especialista em relações internacionais Guilherme Casarões, professor da Florida International University (EUA), qualificou um encontro com Trump como algo "valioso" para a campanha petista "neutralizar" a narrativa da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de que ele seria o único candidato com boa relação com o presidente americano.
Ele ressalta, porém, que o encontro só terá esse efeito positivo para Lula desde que ocorra sem constrangimentos, como aconteceu com outros líderes criticados pelo republicano durante visitas à Casa Branca, como Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, e Cyril Ramaphosa, da África do Sul.
"Se houver a percepção [do Palácio do Planalto] de que essa conversa vai ser tranquila, ela vai simplesmente reafirmar a química, ela não vai comprometê-la, aí seria uma oportunidade para o governo Lula".
A expectativa de Casarões é que Trump não manifestará apoio expresso a Flávio Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto, apesar da proximidade ideológica e da forte atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em articulações políticas nos Estados Unidos, onde vive desde 2025.
"A sensação que eu tenho é de que o governo americano vai preferir jogar parado, porque, no fim das contas, ainda que fosse muito interessante para o governo Trump ter um aliado carnal, submisso aos Estados Unidos, eu não sei se é exatamente isso que o Trump está procurando nesse momento", afirmou Casarões, em referência à aliança da família Bolsonaro com o americano.

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