Verde: IPCA+8% em título público ainda é pouco prêmio para risco eleitoral
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“Dos quatro modelos que ajudam a explicar a eleição, três hoje são favoráveis ao Lula.” Foi com esse diagnóstico que o cientista político e diretor da Quaest Felipe Nunes resumiu a mudança de cenário da disputa presidencial de 2026 durante a Expert XP, nesta sexta-feira (24).
Ao lado de Antonio Lavareda, presidente do Ipespe, e Cila Schulman, CEO do Ideia Big Data, ele avaliou que o presidente ganhou competitividade no primeiro semestre do ano, mas que a campanha ainda pode mudar de rumo conforme avançarem os debates e a mobilização dos eleitores.
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Para Felipe Nunes, os indicadores que costumam antecipar resultados eleitorais passaram a favorecer o presidente desde maio. Segundo ele, a probabilidade de reeleição de Lula saiu de cerca de 38% para quase 60% após uma melhora na aprovação do governo federal.
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Na avaliação do diretor da Quaest, programas como o Desenrola, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais e a discussão sobre o fim da escala 6×1 ajudaram a reduzir a distância entre os bons indicadores macroeconômicos e a percepção do eleitor sobre sua vida financeira.
“O Desenrola foi muito importante (…), sobretudo para mudar um pouco essa perspectiva nos eleitores independentes”, afirmou. Segundo Nunes, os independentes— grupo considerado decisivo na disputa— passaram a migrar mais para Lula nas pesquisas recentes, embora segurança pública e violência continuem sendo temas que favorecem a oposição. Leia também: Verde: IPCA+8% em título público ainda é pouco prêmio para risco eleitoral
Abstenção pode definir a eleição
Para Nunes, o crescimento da abstenção tornou-se um dos principais fatores para entender o resultado das eleições brasileiras.
“O eleitor que é mais provável de votar no Lula é o eleitor que tende também a se abster”, afirmou. Ele acrescentou que o país chega à disputa presidencial com um eleitorado “desanimado, desengajado e desiludido”, depois de sucessivas alternâncias de poder sem melhora percebida no cotidiano.
Na avaliação do pesquisador, justamente por isso propostas relacionadas ao endividamento das famílias e à redução da jornada de trabalho tiveram impacto positivo sobre parte do eleitorado. “O Desenrola e a expectativa de trabalhar menos (…) eram uma certa esperança de um novo momento.”
Cila Schulman concordou que a abstenção continua sendo um desafio para o presidente, lembrando que esse fator foi determinante para impedir uma vitória de Lula no primeiro turno em 2022.
Resolução em primeiro turno
A pesquisadora ainda chamou atenção para um cenário que, segundo ela, ainda é pouco considerado pelo mercado financeiro: a possibilidade de a eleição ser decidida já no primeiro turno. Mais de economia
A CEO do Ideia argumentou que Lula chega à disputa sem concorrentes relevantes no campo da esquerda, diferentemente de eleições anteriores, quando dividiu votos com nomes como Ciro Gomes e Simone Tebet. Além disso, afirmou que parte dos eleitores que abandonaram Flávio Bolsonaro migrou para a indecisão— e não para outro candidato da direita —, o que reduziria a dispersão de votos no primeiro turno.
Ao mesmo tempo, ponderou que o presidente ainda enfrenta resistência significativa.
“Tem mais brasileiros que não querem que o presidente Lula seja eleito nesse momento do que querem”, afirmou. Leia também: Expert XP 2026 termina com premiação, João Fonseca, CEOs e influencers
Direita entra em disputa
Antonio Lavareda avaliou que a eleição de 2026 representa uma disputa que vai além da sucessão presidencial. Para ele, o pleito poderá definir se a direita voltará a ser conduzida por partidos tradicionais ou permanecerá sob a liderança do bolsonarismo.
“A principal questão dessa eleição (…) é que se abre nela a oportunidade de a direita brasileira (…) retomar as rédeas do seu destino político, que foram tomadas pelo bolsonarismo em 2018”, afirmou.
Segundo Lavareda, pela primeira vez existe uma estratégia organizada envolvendo lideranças de diferentes partidos de centro-direita, mas o resultado dependerá da campanha oficial. “Isso vai acontecer ou não, não sabemos. Mas, pela primeira vez, há uma estratégia organizada.”
Para ele, os primeiros sinais sobre qual caminho a direita seguirá deverão aparecer apenas após o início da propaganda eleitoral, quando será possível medir se surgirá uma alternativa competitiva ao bolsonarismo ou se o campo conservador permanecerá concentrado em torno de Flávio Bolsonaro.
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Marina Verenicz
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