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Lula autoriza ajuda humanitária para a Bolívia; entenda a crise política no país

Lula autoriza ajuda humanitária para a Bolívia; entenda a crise política no país Crédito, Reuters Legenda da foto, Manifestantes estão pedindo a renúncia do presidente

Lula autoriza ajuda humanitária para a Bolívia; entenda a crise política no país
Lula autoriza ajuda humanitária para a Bolívia; entenda a crise política no país
Um policial corre em frente a manifestantes durante uma marcha que pede a renúncia do presidente boliviano Rodrigo Paz, em meio ao agravamento da crise econômica e de combustíveis no país, devido à escassez de dólares americanos e à queda na produção interna de energia, em La Paz, Bolívia, 25 de maio de 2026

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Manifestantes estão pedindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz
Published 26 maio 2026, 05:17 -03
Tempo de leitura: 7 min

O Brasil anunciou na segunda-feira (25/05) que vai enviar ajuda humanitária à Bolívia, que vem enfrentando ondas de protestos contra o governo. O anúncio foi feito após uma conversa por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz, da Bolívia.

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As ondas de protestos e bloqueios de estradas já duram quase um mês e vêm causando desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos no país.

"O presidente Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos e ressaltou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito", disse a Presidência do Brasil em comunicado após a conversa.

O pedido por ajuda humanitária foi feito a Lula pelo presidente boliviano, que é conservador cristão de centro-direita. Os protestos contra o governo de Paz estão sendo liderados por setores do sindicato Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas e grupos ligados ao ex-presidente de esquerda Evo Morales, que rejeitou os pedidos do governo por diálogo. Leia também: 'Hipersexualização dos seios traz ansiedade para mulheres': o que uma socióloga

Lula disse na sua nota que defende que "governo e movimentos sociais evitem o recurso à violência e privilegiem o diálogo como caminho para a superação das divergências e para a preservação da paz social".

Os EUA e a Argentina também ofereceram assistência para lidar com o desabastecimento das últimas semanas.

O departamento de Estado dos EUA descreveu a situação na Bolívia como uma "crise humanitária" e classificou os protestos como "ações destinadas a desestabilizar o governo democraticamente eleito de Rodrigo Paz".

A Argentina enviou uma aeronave militar de sua Força Aérea "para realizar pontes aéreas para o transporte de alimentos", enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro, descreveu a situação como um "levante popular".

Na semana passada, alguns brasileiros relataram à BBC News Brasil as dificuldades que vêm passando com os protestos na Bolívia, que incluem problemas para viajar e riscos de desabastecimento. Mais de mundo

Manifestantes correm durante uma marcha exigindo a renúncia do presidente boliviano Rodrigo Paz, em 18 de maio de 2026, em La Paz, Bolívia.

Crédito, Reuters

O que está acontecendo na Bolívia?

Os setores mais críticos, incluindo agricultores e trabalhadores ligados a organizações sociais associadas ao ex-presidente Evo Morales, chegam a pedir a renúncia de Rodrigo Paz. O governo afirma que Morales está por trás dos protestos, algo que o ex-presidente nega.

Os protestos, que começaram há quase um mês com bloqueios de estradas, se intensificaram e afetam o cotidiano de grande parte da população boliviana, que sofre com a escassez de alimentos, combustível e medicamentos. Leia também: Ferrari apresenta seu 1º carro elétrico: as reações após montadora italiana

Mulheres caminham ao lado de um grafite que diz "Fora Rodrigo Paz", em referência ao presidente da Bolívia, em La Paz, em 19 de maio de 2026.

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Os manifestantes picharam slogans no centro de La Paz com a mensagem "Fora Rodrigo Paz"

Os protestos mascaram um profundo descontentamento com Paz entre aqueles que votaram no presidente, mas sentem que, em seu primeiro mandato, ele não está atendendo às suas demandas.

"A novidade é que esta é uma mobilização multissetorial que adota uma postura abertamente desestabilizadora, que não se limita mais a pedir demandas específicas, mas sim a exigir a renúncia do presidente", disse a cientista política Luciana Jáuregui à BBC News Mundo.

Uma mulher faz compras em um supermercado em meio à escassez de alimentos causada por bloqueios de estradas durante protestos contra o governo do presidente Rodrigo Paz, em La Paz, Bolívia, em 18 de maio de 2026.

Crédito, Reuters

1. Propriedades rurais

Os protestos começaram no final de abril, depois que o presidente Paz anunciou uma reforma agrária com o objetivo de transformar pequenas propriedades rurais em propriedades de médio porte.

Policiais de choque removem pedras de uma estrada bloqueada por manifestantes rurais em Lipari, departamento de La Paz, Bolívia, em 16 de maio de 2026.
Legenda da foto, Os bloqueios de estradas estão afetando o fornecimento de alimentos, medicamentos e combustível

2. Baixos salários

Professores urbanos participam de uma marcha em La Paz, Bolívia, em 29 de abril de 2026.
Legenda da foto, Os professores foram os primeiros a se manifestar, exigindo melhorias salariais

3. 'Gasolina de má qualidade'

Uma imagem aérea mostra caminhões enfileirados após ficarem parados por dias, enquanto manifestantes bloqueavam uma rodovia principal exigindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz em meio a uma crise econômica e de combustíveis, em Apacheta, Bolívia, em 13 de maio de 2026.
Legenda da foto, Uma fila de caminhões aguarda na estrada para poder passar pelos bloqueios

4. Reforma constitucional

Protestos no centro de La Paz, Bolívia, em 18 de maio de 2026.
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