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O guitarrista, compositor e diretor musical Luiz Carlini morreu aos 73 anos nesta quinta-feira (7), em São Paulo

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O guitarrista, compositor e diretor musical Luiz Carlini morreu aos 73 anos nesta quinta-feira (7), em São Paulo. O músico estava internado no Hospital Metropolitano, onde recebia tratamento médico. A morte foi confirmada por seu filho, Roy Carlini.

A partida de Carlini encerra a trajetória de um artista fundamental para a consolidação da guitarra elétrica no Brasil. Dono de identidade sonora própria, ele ajudou a estabelecer caminhos para o rock nacional ao combinar influências de blues, hard rock, psicodelia e música brasileira em uma linguagem singular. Nascido em São Paulo, Luiz Carlini começou a ganhar destaque ainda jovem, em uma fase de intensa transformação cultural no país.

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Seu estilo chamava atenção por unir técnica, criatividade e senso melódico, fugindo de exageros e priorizando musicalidade. O reconhecimento nacional veio nos anos 1970, quando fundou o Tutti Frutti, grupo que se tornaria peça central na carreira solo de Rita Lee após a saída da cantora dos Os Mutantes. A parceria rendeu discos importantes e ajudou a redefinir o rock brasileiro daquele período.

Com o Tutti Frutti, participou de trabalhos como Atrás do Porto Tem Uma Cidade, Fruto Proibido e Entradas e Bandeiras . Leia também: Artigo sem título

Especialmente em Fruto Proibido, sua guitarra ganhou protagonismo em arranjos que atravessaram gerações. Entre suas marcas registradas estavam riffs fortes, timbre encorpado e solos cantáveis, sempre construídos com senso de composição. Em vez de exibir velocidade gratuita, Carlini preferia frases marcantes, bends expressivos, vibratos intensos e pausas bem colocadas.

Seu fraseado trazia influência clara do blues rock britânico e norte-americano, mas adaptado à personalidade da música brasileira. Outra característica era o uso de bases cheias, com pegada firme e groove natural, sustentando as canções sem excessos. Também sabia explorar efeitos e texturas psicodélicas, recurso perceptível em gravações dos anos 1970.

Essa combinação fazia sua guitarra soar pesada quando necessário, mas também elegante e melódica. Seu trabalho em Ovelha Negra se tornou um dos maiores exemplos disso. O riff direto e memorável ajudou a transformar a faixa em clássico.

Já em outras músicas da fase com Rita Lee, mostrava versatilidade ao alternar momentos agressivos com passagens delicadas e climáticas. Ao longo das décadas, também colaborou com artistas como Guilherme Arantes, Erasmo Carlos, Marina Lima, Sá & Guarabyra e outros nomes relevantes da música nacional. Além dos palcos e estúdios, atuou como diretor musical e produtor, sendo respeitado também nos bastidores. Mais de noticia

Colegas frequentemente destacavam sua sensibilidade para tocar “a serviço da canção”. Carlini entendia quando a música pedia protagonismo da guitarra e quando exigia discrição, qualidade que o diferenciava de muitos instrumentistas tecnicamente virtuosos. Mesmo após décadas de carreira, seguia em atividade.

Recentemente, integrava a turnê “50 Anos-Luz”, de Guilherme Arantes. Em abril, precisou ser internado após enfrentar uma infecção. Leia também: globoesporte

A importância de Luiz Carlini vai além de riffs conhecidos ou discos clássicos. Ele ajudou a criar uma escola brasileira de guitarra, mostrando que era possível absorver referências estrangeiras sem perder identidade local. Nos anos 1980 e 1990, também teve proximidade artística com integrantes do Barão Vermelho e com a geração que consolidou o rock brasileiro naquele período.

Embora não tenha sido membro oficial do grupo, sua influência era reconhecida por músicos da cena, especialmente pela forma orgânica de misturar rock clássico, blues e linguagem nacional — elementos que dialogavam com a proposta de bandas como o Barão Vermelho. Outro aspecto interessante de sua musicalidade era o apreço por timbres diferenciados e sonoridades deslizantes. Carlini utilizava recursos inspirados em slide guitar e abordagens próximas da steel guitar em determinados arranjos e participações, explorando sustain, glissandos e climas mais atmosféricos.

Ainda que não tenha ficado identificado principalmente como um especialista em pedal steel tradicional, demonstrava familiaridade com essa estética e incorporava esses elementos ao seu vocabulário de forma pessoal.

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