Lucas Moura: o que acontece após o rompimento do tendão de Aquiles? Dá para voltar? Especialistas explicam o quadro do atacante do São Paulo, seus impactos e desafios para recuperação
Durante o jogo contra o Bahia, neste domingo (3), o jogador Lucas Moura, do São Paulo, sofreu uma lesão que culminou em ruptura total do tendão de Aquiles do seu tornozelo direito. Segundo nota publicada pelo time, estava previsto que o jogador passaria por uma cirurgia na manhã desta segunda-feira. Após o procedimento, a estimativa é de que o tempo de recuperação do meia-atacante chegue a um ano.
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Com isso, ele poderá ficar de fora do time até, no mínimo, a próxima temporada. Esse tipo de lesão pode resultar em dor intensa, perda de mobilidade e comprometimento das atividades diárias. Segundo especialistas, é um quadro considerado grave, apesar de comum.
“Apenas 70% dos atletas conseguem retornar ao esporte e, quando voltam, geralmente não conseguem retornar no mesmo nível“, afirma Tania Szejnfeld Mann, ortopedista especialista em cirurgia do pé e tornozelo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Ainda assim, essa não é uma regra absoluta, como explica José Antônio Veiga Sanhudo, Ortopedista Coordenador do Grupo de Pé e Tornozelo do Hospital Moinhos de Vento. “
O objetivo do tratamento é a recuperação completa com retorno ao esporte no mesmo nível de antes da ruptura, o que é possível de ser alcançado com tratamento e reabilitação adequados”, diz. + O que é a ruptura de tendão Um tendão, ou ligamento, é um cordão de tecido forte e flexível, semelhante a uma corda, que conecta os músculos aos ossos. Leia também: Hantavírus ganha destaque após novo desdobramento em hantavírus: entenda o patógeno que pode estar por trás da morte de três pessoas em cruzeiro transmitido principalmente por roedores, hantavírus
Ele permite que você mova seus membros e ajuda a prevenir lesões musculares, absorvendo parte do impacto que os músculos sofrem ao correr, pular, jogar bola ou realizar outros movimentos. O nosso corpo tem milhares deles. Literalmente dos pés à cabeça.
O tendão de Aquiles (ou calcâneo) é o maior de todos. E também o que mais se machuca. Estudos indicam que a ruptura dessa estrutura ocorre, em média, em pelo menos 18 pessoas a cada 100 mil por ano no mundo.
Essa estrutura conecta o músculo da panturrilha ao osso do calcanhar e, geralmente, se rompe quando o pé é forçado bruscamente para cima, em direção à canela, esticando o tendão além do seu limite. Ou em esforços explosivos, como arrancadas, mudanças bruscas de direção ou saltos. “É como se se fosse um tecido sendo esticado até se romper”, resume Mann.
Mas não pense que o problema atinge só os esportistas profissionais. As rupturas do tendão calcâneo são mais comuns em dois perfis bem distintos: atletas e sedentários que retomam a atividade física de forma intensa, mas sem preparo gradual e/ou sem fazer aquecimento e alongamento o suficiente antes de uma atividade vigorosa.
+ Sintomas e diagnóstico Quando o tendão se rompe, a sensação é meio difícil de esquecer. A dor é imediata e muitos descrevem que é como se tivessem levado um chute na parte de trás do tornozelo. Mais de saude
Em alguns casos, também é possível ouvir um estalo no momento da lesão. Depois, a panturrilha pode inchar e ficar arroxeada, e caminhar se torna difícil (ou até impossível). Para diagnosticar, os médicos normalmente se baseiam no exame físico.
Na maioria das vezes, o diagnóstico é clínico, feito no próprio consultório com testes simples. O mais conhecido é o teste de Thompson. Nele, o paciente fica deitado de bruços enquanto o médico aperta a panturrilha.
Em uma situação normal, esse movimento faz o pé se flexionar automaticamente para baixo. Quando isso não acontece, é um forte indicativo de ruptura. “ Leia também: Panorama da Saúde: Leite Materno e Alerta de Hantavírus
Quando o tendão calcâneo rompe, a força da panturrilha fica zerada, porque se perde a conexão da perna com o pé. Por isso, há uma incapacidade imediata de seguir pisando”, explica Mann. Algumas vezes, podem ser solicitadas imagens por ressonância magnética ou ultrassom.
Tratamento: quanto tempo de recuperação? O tratamento da ruptura do tendão de Aquiles pode seguir dois caminhos. O conservador usa bota imobilizadora com elevação do calcanhar para permitir a cicatrização.
Já o cirúrgico reconecta as extremidades do tendão por meio de sutura. Segundo os médicos, para pessoas jovens e ativas (principalmente atletas) a cirurgia é a escolha mais comum, porque reduz o risco de uma nova ruptura. Feita a operação, o processo de recuperação envolve fases de imobilização, restrição de carga e fisioterapia.
Com isso, em média, leva de 6 a 9 meses, podendo se estender em casos mais exigentes, como o de atletas. Nesses casos, é comum que o processo seja estendido até um ano ou mais. Carreira de Lucas será afetada?
“Toda lesão provoca um transtorno maior ou menor na carreira de um atleta. Para a ruptura do tendão calcâneo, pela incapacidade que provoca e pelo longo período de recuperação, não é diferente“, avalia Sanhudo. +
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