Minério sobe com preocupações sobre demanda da China e esperanças de estímulos
Ler matéria →LONDRES, 18 Ago (Reuters)– Os custos dos empréstimos de longo prazo dos Estados Unidos ao Japão e à Alemanha atingiram nesta terça-feira seus níveis mais altos em décadas, uma vez que novas preocupações com a inflação se somaram aos temores persistentes com as pressões fiscais nas principais economias, dando um novo golpe nos mercados de títulos.
Os rendimentos dos títulos de 30 anos nos Estados Unidos, o mercado de títulos públicos mais crucial do mundo do ponto de vista sistêmico, atingiram seu nível mais alto desde 2007 conforme os preços do petróleo voltaram a subir para mais de US$90 o barril, alimentando os temores de inflação enquanto as esperanças de paz entre os EUA e o Irã se esvaíam.
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No Japão, o temor em relação à inflação e as expectativas de que o banco central possa elevar a taxa de juros já em setembro empurraram os custos de empréstimo da referência de 10 anos para o maior nível em três décadas, pouco abaixo de 3%.
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Já na Europa, o rendimento do Bund alemão de 10 anos atingiu seu nível mais alto desde 2011, enquanto os rendimentos franceses estavam no maior patamar desde 2009. Quando o rendimento de um título sobe, seu preço cai. Leia também: Juro médio do rotativo do cartão de crédito cai a 436,2% ao ano em julho
“O mercado está exigindo um prêmio de prazo mais alto para manter dívida pública de longo prazo”, disse Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos do Saxo Bank.
A competição por capital por parte das hiperescaladoras de IA, que intensificaram as vendas de títulos este ano, combinada com déficits orçamentários crescentes e, nos Estados Unidos, a preocupação com a clareza da comunicação do Federal Reserve sob o comando de Kevin Warsh, ajudam a explicar as vendas recentes, segundo analistas.
A liquidação nos mercados de títulos públicos, agravada pelas pressões inflacionárias, repercute nas economias, já que a dívida soberana define a referência para os custos de financiamento das empresas e de outros empréstimos, como hipotecas.
Rendimentos persistentemente mais altos nas vendas de títulos dos EUA na semana passada também colocaram em evidência o apetite dos investidores pela dívida pública em um cenário de déficits fiscais crescentes. Mais de economia
Os rendimentos dos Treasuries de 30 anos, negociados nesta sessão em torno de 5,32%, subiram quase 40 pontos-base no mês passado— maior salto mensal desde dezembro de 2024.
As participações estrangeiras em Treasuries caíram em junho, segundo dados divulgados pelo Departamento do Tesouro na segunda-feira, impulsionadas por reduções nas carteiras do Japão, do Reino Unido e da China. Leia também: Receita paga último lote do Imposto de Renda amanhã; veja se você tem direito
O Japão é o maior detentor estrangeiro de títulos dos EUA.
E o aumento dos rendimentos dos títulos no Japão— onde os custos de empréstimos de 30 anos estão um pouco acima de 4%— também está começando a atrair de volta ao país os investidores japoneses, tradicionalmente grandes compradores da dívida dos EUA.
“Os rendimentos dos títulos do governo japonês (JGBs) estão agora muito mais competitivos, à medida que o Banco do Japão normaliza sua política monetária”, disse Chanana, destacando a queda nas posições do Japão em títulos dos EUA em junho.
“Isso não significa que o Japão esteja abandonando os Treasuries, mas significa que Washington não pode mais presumir que a demanda estrangeira absorverá a oferta adicional aos rendimentos de ontem.”
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