Eu adoro o Dia das Mães. Em geral, ganho café da manhã e almoço preparados pelos meus filhos, muitas vezes acompanhados de flores. Há uma divisão de tarefas na minha família, e imagino que seja assim em muitas outras.
Algumas preferem se aventurar e enfrentar as imensas filas nos restaurantes. De um jeito ou de outro, esperamos sempre um dia agradável e com muitas risadas. Na minha casa, o almoço foi tranquilo e muito saboroso.
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O dia terminou leve, ainda mais com a vitória do Corinthians. Sabemos que a maternidade não se resume a um único dia e que o cotidiano pode ser bastante pesado, principalmente para as mães, que, em geral, continuam sendo as principais responsáveis pelos cuidados. A literatura acadêmica mostra que os efeitos da maternidade sobre as mulheres abrangem não apenas aspectos emocionais, mas também suas trajetórias no mercado de trabalho. Leia também: Governador de Alagoas sorteia transferências de R$ 200 via Pix em ato público
Por isso, uma divisão mais igualitária das tarefas de cuidado pode trazer diversos benefícios. Os pais fortalecem o vínculo com os filhos e há redução do estresse materno. No entanto, para avançarmos nessa direção, é necessário superar barreiras culturais, que ainda associam os cuidados principalmente às mulheres.
A extensão da licença-paternidade pode ser uma dessas formas. Para se ter uma ideia de quão arraigada ainda é a visão de que a mãe é a principal cuidadora, a base de dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), que reúne informações sobre o mercado de trabalho formal, não inclui, entre os motivos de afastamento do trabalhador, a licença-paternidade. Essa licença ainda é tão incomum que o meu corretor ortográfico do editor de texto que utilizo sublinhou a palavra e sugeriu substituí-la por "licença-maternidade".
Adicionei o termo ao dicionário, mas, se pudesse, enviaria também uma explicação completa sobre por que a licença destinada aos pais é importante. A licença-paternidade vem sendo ampliada em diversos países. No Brasil, a Lei 15.371/2026, sancionada no mês passado, elevará gradualmente a licença de cinco para 20 dias até 2029.
A mudança ainda é tímida, mas representa um avanço importante ao reconhecer que os cuidados com os filhos também são responsabilidade dos pais. Na Dinamarca, por exemplo, a licença parental pode chegar a 48 semanas, sendo parte exclusiva das mães, parte dos pais e outra compartilhada. Em 2022, o país ampliou a licença reservada aos pais de duas para onze semanas. Mais de politica
A novidade foi que essa ampliação ocorreu às custas da parcela compartilhável: se os pais não utilizarem a licença, a família perde esse período. Segundo o artigo " Leia também: Vorcaro pagou R$ 61 milhões para filme sobre Jair Bolsonaro e Flávio pediu
Expanding paternity leave: effects on beliefs, norms, and gender gaps", os efeitos da reforma de 2022 na Dinamarca levaram os pais a aumentar sua licença, em média, em 3,7 semanas, enquanto as mães a reduziram em mais de cinco semanas. Apesar de muitos considerarem que a reforma diminuiu o poder de escolha das famílias, ela também alterou as percepções sobre os papéis de gênero, tornando os entrevistados menos refratários à mudança.
No primeiro ano após o nascimento, a reforma reduziu o diferencial de gênero nos rendimentos em cerca de 34 pontos percentuais e nas horas trabalhadas em 33 pontos percentuais —efeito em grande parte mecânico, decorrente da realocação da licença entre mãe e pai. No segundo ano, já após o fim da licença, a redução foi de 2,8 pontos percentuais nos rendimentos e de 1,4 ponto percentual nas horas trabalhadas. Os resultados sugerem que políticas desse tipo podem alterar não apenas a divisão da licença, mas também a percepção dos papéis de gênero.
O Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer, mas demos o primeiro passo. Para todas as mamães, um feliz Dia das Mães! Comentários
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