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Liberland e Próspera: as micronações que bilionários tentam construir em nome

Liberland e Próspera : as micronações que bilionários tentam construir em nome da liberdade a qualquer custo Legenda da foto, Mulher observa Liberland , a micronação

Liberland e Próspera: as micronações que bilionários tentam construir em nome
Liberland e Próspera: as micronações que bilionários tentam construir em nome da liberdade a qualquer custo
Uma mulher de cabelos longos e loiros, vestindo um suéter cinza e um boné escuro, bebe champanhe em uma taça enquanto contempla uma paisagem à beira de um rio.
Legenda da foto, Mulher observa Liberland, a micronação situada nas planícies de inundação do rio Danúbio
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    • Author, Matt Shea
    • Reporting from, Liberland
  • Published Há 2 horas
  • Tempo de leitura: 9 min

Vista do barco, a República Livre de Liberland não parece grande coisa.

Você jamais imaginaria que essa extensão plana e lamacenta de várzea do rio Danúbio, pontilhada de amieiros, barracas e casas na árvore, está ligada a alguns dos homens mais ricos do mundo, incluindo um dos maiores investidores do negócio de criptomoedas da família Trump.

Leia no AINotícia: Mundo: Panorama da Semana em Geopolítica, Esporte e Ética Pública

Em contrapartida, a versão em realidade virtual de Liberland que me mostram— projetada pelo escritório de arquitetura ZHA, de Zaha Hadid— apresenta torres reluzentes, parques públicos flutuantes e estruturas aquáticas que desafiam a gravidade.

Quem me apresenta o projeto é Vít Jedlička, o presidente de Liberland. Ele fundou essa micronação em um território disputado entre a Sérvia e a Croácia, com o objetivo de criar um país digital e verdadeiramente libertário, operado com a mesma tecnologia das criptomoedas.

Tenho visitado Liberland ao longo do último ano para produzir um documentário da BBC Two intitulado The Tech Billionaire Takeover (A Ascensão dos Bilionários da Tecnologia, em tradução literal). Leia também: Irã afirma ter atacado bases dos EUA no Bahrein, Kuwait e Jordânia

Liberland pode parecer uma piada. No entanto, o projeto é financiado por alguns dos homens mais ricos do setor de criptomoedas e baseia-se em uma ideia que eles tentam exportar: a de que o próprio governo pode ser substituído.

Cidadãos de Liberland transportam alimentos e equipamentos no navio Swan.

Crédito, Davor Javorovic/PIXSELL/DeFodi Images News/Getty Images

Legenda da foto, Liberland é uma micronação não reconhecida no sudeste da Europa que reivindica uma parcela desabitada de terra em disputa na margem ocidental do rio Danúbio, entre a Croácia e a Sérvia. Ela foi proclamada em 13 de abril de 2015 por Vít Jedlička, um político da República Tcheca

Chegamos ao país de barco, já que as autoridades croatas impediram o acesso por terra. Alguns colonos, vestindo jaquetas corta-vento, saem à margem para nos acenar, e o presidente Jedlička, comunicando-se por meio de um megafone, entrega uma medalha oficial a um deles.

Na maioria das democracias modernas, o voto de cada pessoa tem o mesmo peso. Mas, em Liberland, a situação é diferente graças a um token de criptomoeda que pode ser comprado, chamado Liberland Merits.

O presidente Jedlička me explica que a eleição de uma pessoa ocorre por meio desses Merits. "Assim, as pessoas que possuem mais Merits têm maior influência na definição de quem assumirá a liderança do país", diz ele.

Na prática, isso significa que é possível votar diretamente com o seu dinheiro. Leia também: Esqueça as promessas de Ano Novo: você pode 'recomeçar' a vida a qualquer

Liberland também é totalmente isenta de impostos, algo que seu ministro do Interior, Ivan Pernar— um controverso ex-deputado croata expulso do parlamento por disseminar teorias da conspiração— explica.

"Normalmente, as pessoas que acreditam na liberdade, em finanças descentralizadas e coisas do gênero tendem a pertencer à classe alta da sociedade", diz Pernar. "Se você não fizer nenhuma seleção e disser que qualquer um que chegar de barco é bem-vindo, acabaríamos como o Reino Unido. Não queremos isso."

"Claro", diz Pernar. Ele afirma que, se houvesse "um monte de vagabundos no seu país sem nada", outros teriam de contribuir para pagar seus benefícios.

Ele então compara os pobres a animais: "Não alimente os animais, pois, se o fizer, eles se acostumarão a isso e perderão a capacidade de se alimentar sozinhos. O mesmo vale para as pessoas".

Bandeira amarela, com faixa marrom e brasão vermelho, branco e azul com um pássaro ao centro

Crédito, Davor Javorovic/PIXSELL/DeFodi Images News/Getty Images

Legenda da foto, Bandeira de Liberland no navio Liberty, próximo a Batina, na Croácia
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