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Kátia Abreu sugere que Alcolumbre traiu Lula porque é judeu e depois apaga post

Cotada para disputar o governo do Tocantins, Kátia Abreu (PT) sugeriu, na noite da quarta-feira (29), que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP)

Kátia Abreu sugere que Alcolumbre traiu Lula porque é judeu e depois apaga post

Cotada para disputar o governo do Tocantins, Kátia Abreu (PT) sugeriu, na noite da quarta-feira (29), que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), traiu o presidente Lula (PT) porque é judeu. Sem citar nomes, a ex-senadora comparou Alcolumbre a Judas Iscariotes, em postagem na rede social X. " Até um pé na bunda te joga pra frente.

Nada como um dia após o outro e uma longa noite no meio. Judas era judeu. Pagou o preço que conhecemos.

Leia no AINotícia: Senado rejeita Jorge Messias para o STF em votação histórica

Cada época tem seu Judas", dizia a publicação original. Em seguida, Kátia editou o conteúdo, retirando a menção aos judeus. "

Até um pé na bunda te joga pra frente. Nada como um dia após o outro e uma longa noite do meio. Cada época tem seu Judas. Leia também: Rejeição a Messias abre caminho para maioria bolsonarista no STF caso Flávio vença a eleição

" Na manhã desta quinta-feira (30), nem a versão editada estava na rede social da ex-senadora. "

Já retirei", escreveu Kátia à reportagem da Folha, negando ter cometido antissemitismo. " Jamais.

Tenho, ao contrário, admiração", afirmou, lembrando não ter citado nomes. À tarde, Kátia emendou ainda um pedido de desculpas em sua conta no X, afirmando que se referia a traidores, e não a "povos, etnias e religiões". "

Errei ao me expressar, porque abri espaço para interpretações muito distintas do que queria dizer. Peço desculpas. Não era a minha intenção. Mais de politica

Mas o nosso Messias também foi traído, e isso não se duvida. " A declaração original se inseria no contexto em que a ex-ministra do governo Dilma comentava a rejeição do Senado ao nome de Jorge Messias, indicado por Lula a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

Personagem aludida na postagem, Judas, foi o apóstolo que, segundo o evangelho, traiu Jesus, entregando-o a seus perseguidores. Alcolumbre é judeu sefardita. Sua família tem origem no Marrocos e se instalou na região amazônica após a Segunda Guerra Mundial. Leia também: Kim e Paulo Serra se encontram e conversam sobre aliança para o Governo de SP

Ele segue a tradição judaica e, em sua gestão, promulgou a lei do Dia da Celebração da Amizade Brasil-Israel. Também nas redes sociais, especialistas e militantes contra o antissemitismo se mobilizaram contra a publicação da ex-senadora. Integrante da StandWithUs Brasil, o sociólogo Matheus Alexandre, que estuda o ódio contra judeus na UFC (Universidade Federal do Ceará), afirmou, no Instagram, que Kátia "invocou uma das formas mais bárbaras de antijudaísmo" ao associar Alcolumbre a Judas.

" A postagem é antissemita porque mobiliza uma linguagem que desumaniza os judeus com o objetivo de explicar a realidade política de hoje", disse Alexandre à Folha. Ele contou que a associação de judeus a Judas tem origem na Idade Média, época em que os cristãos ainda tinham uma relação negativa com os judeus.

Judas simbolizava então deslealdade, desonestidade e traição, características atribuídas à comunidade judaica. "É um cenário muito educativo para pensar o que é crítica política e o que é antissemitismo. Não é porque hoje cristãos e judeus têm boa relação que isso deixa de ser preconceito", afirmou Alexandre.

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