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Junho tem 2ª saída mensal de estrangeiro da Bolsa: o que pode fazer “gringo”

Publicidade A saída de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira em junho acendeu um sinal de cautela para o mercado local, embora o saldo acumulado no primeiro

Junho tem 2ª saída mensal de estrangeiro da Bolsa: o que pode fazer “gringo”

A saída de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira em junho acendeu um sinal de cautela para o mercado local, embora o saldo acumulado no primeiro semestre ainda permaneça positivo.

Segundo dados da B3, os estrangeiros retiraram R$ 7,78 bilhões da Bolsa em junho, considerando apenas operações no mercado secundário, enquanto o saldo no ano ficou positivo em R$ 33,8 bilhões.

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Leia mais: Estrangeiros trazem R$ 33,8 bi para B3 no semestre; saída em junho foi de R$ 7,8 bi

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Depois de um início de ano marcado por forte entrada de recursos e maior apetite por ativos emergentes, a Bolsa passou a conviver com uma reversão parcial desse movimento, que começou em meados de abril e se estendeu até o fim do semestre.

Fluxo perdeu força

Para Eduardo Amorim, especialista em investimentos da Manchester, o fluxo estrangeiro precisa ser analisado dentro de um ambiente global “mais assimétrico”. Ele afirma que, enquanto mercados desenvolvidos concentram atenções em tecnologia, inteligência artificial, juros longos e tensões geopolíticas, regiões com dinâmicas menos correlacionadas a esses vetores passam a ganhar relevância dentro de carteiras globais. Leia também: Como o Brasil tenta convencer os EUA a desistirem da tarifa que podem chegar

“O fluxo estrangeiro precisa ser lido dentro de um ambiente global mais assimétrico”, afirma.

Ainda assim, Amorim pondera que é preciso separar os fatores que atraem o investidor estrangeiro para o Brasil. O especialista afirma que a vinda de recursos do estrangeiro para a B3 teve mais a ver, em primeiro momento, diferencial de juros, pelo carrego elevado e pela atratividade da renda fixa local, do que por uma tese estrutural para ações.

“O investidor estrangeiro olha para o Brasil também como uma oportunidade de juros reais altos, moeda e prêmio de risco, não apenas como exposição acionária”, afirma Amorim.

Danilo Coelho, economista e especialista em investimentos CEA, destaca também que o o início da guerra entre Irã e Estados Unidos foi um dos fatores que impactaram negativamente o apetite por ativos de risco, levando à retirada de parte dos recursos que haviam entrado na Bolsa brasileira nos meses anteriores.

Em sua avaliação, o fluxo foi positivo e crescente até o aumento dessas tensões, mas passou a perder força gradualmente depois disso. Em junho, segundo Coelho, a saída já reflete essa postura mais cautelosa do investidor estrangeiro em relação ao Brasil e aos emergentes de forma mais ampla. Mais de economia

“Então, o investidor estrangeiro está um pouco mais receoso no momento atual, mesmo com o arrefecimento de algumas tensões relacionadas à guerra, mas ainda assim, uma visão um pouco mais cautelosa com relação ao Brasil e emergentes como um todo. Especificamente o Brasil tem, especialmente o Brasil, tem um nível de receio maior embutido pela nossa questão eleitoral”, diz.

Desaceleração, não fuga estrutural

Para André Neves, sócio da área de Mercado de Capitais e Banking do BZCP Advogados, mestre em Política pela London School of Economics e doutor em Direito Comercial pela USP, o movimento recente de saída tem componentes técnicos e estruturais que se reforçam. Do lado técnico, ele aponta o retorno da tese de inteligência artificial, que voltou a concentrar fluxos no mercado americano.

Neves afirma que essa rotação para os Estados Unidos é, por natureza, reversível. No entanto, há também fatores mais estruturais pesando contra os emergentes, como a combinação de juros americanos elevados por mais tempo e o ciclo eleitoral brasileiro de 2026, com a possibilidade de estímulos econômicos de finalidade eleitoral. Leia também: Por que Jaques Wagner não contaminou Lula como Vorcaro atingiu Flávio?

A reaceleração de Wall Street também ajuda a explicar a perda relativa de atratividade da Bolsa brasileira. Neves avalia que o avanço dos mercados americanos está ligado principalmente à retomada do ciclo de inteligência artificial e tecnologia, que concentra capital nos Estados Unidos e em alguns mercados asiáticos, em detrimento de mercados mais associados a commodities, como o brasileiro.

Amorim também chama atenção para essa disputa dentro do próprio universo de emergentes. Ele lembra que o índice MSCI de mercados emergentes tem peso relevante em economias asiáticas, atualmente bastante expostas ao setor de tecnologia. Com o rali ligado à IA impulsionando esses mercados, parte importante do fluxo global para emergentes acabou direcionada à Ásia, e não necessariamente à América Latina ou ao Brasil.

“Nesse contexto, o Brasil pode funcionar como alternativa de diversificação. Os ativos locais são menos dependentes da tese de IA e tendem a responder mais a fatores domésticos, como juros, câmbio, fiscal, commodities, eleições e atividade econômica. Essa menor correlação pode ser positiva, mas exige que o país entregue fundamentos mais consistentes para atrair capital de forma sustentável”, afirma o especialista da Manchester.

Segundo Neves, o conjunto de juros mais altos lá fora com questões eleitorais no Brasil aumentou o prêmio de risco exigido para alocar em mercados como o Brasil.

Ainda assim, o advogado avalia que o movimento atual parece mais uma desaceleração do fluxo do que uma virada estrutural, embora o segundo semestre carregue risco de reversão caso juros americanos, dólar e incerteza fiscal continuem pressionando os emergentes.

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