← Notícias
Notícia

Juiz indígena é afastado de tribunal e diz ser vítima de perseguição; entidade

Juiz indígena é afastado de tribunal e diz ser vítima de perseguição; entidade pede apuração do CNJ Yves Guachala, de 37 anos, atuava na comarca de Catanduvas (SC)

Juiz indígena é afastado de tribunal e diz ser vítima de perseguição; entidade
Juiz indígena é afastado de tribunal e diz ser vítima de perseguição; entidade pede apuração do CNJ

Yves Guachala, de 37 anos, atuava na comarca de Catanduvas (SC). Desde janeiro, ele responde a processo na corregedoria da Justiça de SC que pode resultar em demissão.


  • A Apib pediu ao CNJ para investigar o afastamento do juiz indígena Yves Guachala do TJSC. A entidade e o magistrado apontam perseguição etno-ideológica.

  • Filho de pai indígena e mãe dona de casa, Yves Guachala afirma que o sonho de carreira na magistratura virou um "pesadelo" após assumir a comarca de Catanduvas.

    Leia no AINotícia: Palmas: Pai e madrasta são presos e morte de menino de 3 anos

  • Desde janeiro, ele responde a um processo disciplinar no tribunal que pode resultar em sua demissão. A Corregedoria do TJSC o acusa de irregularidades administrativas.

  • Testemunhas ouvidas pelo TJSC criticaram a origem de Guachala e seus hábitos pessoais. Uma delas declarou que ele "facilmente levaria enquadro se não fosse juiz" pela aparência. Leia também: Como um hobby de infância virou uma empresa de barracas para teto de carro

Juiz indígena afastado de tribunal diz ser vítima de perseguição

Juiz indígena afastado de tribunal diz ser vítima de perseguição

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que investigue o afastamento do juiz indígena Yves Luan Carvalho Guachala, de 37 anos, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

  • 🔎O CNJ contabiliza há apenas 24 juízes que se autodeclaram indígenas no Brasil, representando 0,1% do total (18.931). Enquanto isso, magistrados brancos representam 82,5% (15.373).

Guachala ingressou na magistratura por meio do sistema de cotas para indígenas e exercia a função em Catanduvas (SC). Desde janeiro, ele responde a um processo disciplinar que pode resultar em sua demissão.

"Desejam me retirar do cargo, talvez por achar que sou incapaz por ser cotista e por incômodo com decisões garantistas. Esvaziaram todas as funções adquiridas por concurso público, descredibilizaram-me perante todos e estimularam boatos falsos contra mim numa cidade de 10 mil habitantes", afirma.

No documento da Apib enviado ao CNJ e obtido pelo g1, a entidade afirma que o caso extrapola os limites individuais e produz impactos sobre toda a coletividade indígena. Mais de noticia

A Apib informou que ainda aguarda um retorno do CNJ. Procurado pela reportagem, o conselho respondeu que "não localizou processo com a Apib como requerente"; Já o Tribunal de Justiça de SC respondeu que o caso corre em segredo de Justiça e que, por isso, não poderia fornecer mais informações.

Entenda o caso

O juiz Yves Guachala, no dia em que tomou posse no TJSC— Foto: Flickr/TJSC Leia também: Notícias: Panorama Relevante da Semana

No documento enviado ao CNJ em maio deste ano, a Apib afirma que as decisões de Guachala que geraram incômodo incluíam a extinção de execuções fiscais antieconômicas de baixo valor e o relaxamento de prisões em audiências de custódia.

Segundo o documento, essas decisões eram tomadas especialmente em casos envolvendo pequena quantidade de drogas ou indícios de violência policial e tortura contra os custodiados.

A apuração estimulou uma audiência pública na qual os depoentes apresentaram diversas críticas contra o magistrado, o que sua defesa e a Apib classificaram como "pesca de provas".

A origem indígena de Guachala teria repetidamente sido citada pelas testemunhas.

"Uma advogada, que fez questão de destacar sua ascendência italiana no depoimento, reclamou que o juiz lhe deu em uma sentença. Além disso, espalharam-se boatos infundados de que o juiz seria o 'novo traficante da cidade' ou que estaria ligado a facções criminosas", diz a Apib.
  • Brasília
  • CNJ - Conselho Nacional de Justiça
  • Distrito Federal
Como um hobby de infância virou uma empresa de barracas para teto de carro
Noticia

Como um hobby de infância virou uma empresa de barracas para teto de carro

Ler matéria →

Leia também