
Crédito, Getty Images
- Author, Pedro Martins
- Role, Da BBC News Brasil em Londres
- Published Há 29 minutos
- Tempo de leitura: 10 min
A ideia de que a geração Z estaria se tornando mais conservadora do que os mais velhos ganhou força nos últimos anos, impulsionada por pesquisas realizadas em outros países e por fenômenos culturais como Adolescência, a segunda série mais vista da história da Netflix. Mas um novo estudo sugere que a história pode ser diferente — ao menos no Brasil.
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Segundo o levantamento, realizado pela Quaest a pedido do instituto More in Common, embora a maioria dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos — faixa etária que concentra a maior parte da geração Z — se identifiquem como conservadores (68% entre os homens e 62% entre as mulheres), esses índices são menores do que os registrados entre as gerações mais velhas, como mostra o gráfico abaixo.
A pesquisa retrata uma juventude que ocupa uma posição intermediária no debate de costumes: embora demonstrem maior apoio à igualdade de direitos para as mulheres, os jovens — especialmente os homens — mantêm resistência a rótulos como feminismo e a algumas minorias sociais como travestis e mulheres trans.
"Descobrimos que o conservadorismo não tem uma especificidade geracional", diz Helena Vieira, professora e gestora cultural que atuou como consultora do estudo. "Existe uma aceitação de determinados conteúdos políticos, mas uma rejeição das identidades políticas que os mobilizam." Leia também: Por que Padre Zezinho está (de novo) na mira de católicos tradicionalistas
Homossexualidade e feminismo
A pesquisa registrou opiniões que, embora tratem de temas correlatos, podem parecer contraditórias.
Um exemplo é o debate sobre a homossexualidade: cerca de 70% dos homens e 83% das mulheres jovens concordam que "casais gays devem ter o direito de adotar crianças", mas mais da metade também diz concordar com a ideia de que "a homossexualidade deve ser vivida entre quatro paredes, de maneira reservada".
Vieira propõe uma interpretação para essas respostas. Em sua avaliação, a concordância com a adoção homoparental não estaria, necessariamente, ligada à aceitação de casais gays.
"A sociedade tem uma preocupação em tirar essas crianças da ausência de uma família, ou seja, em cuidar delas. É uma espécie de solidariedade com a infância, e é difícil dizer não para isso", explica.
Paradoxos semelhantes foram observados nas perguntas sobre gênero. Embora menos de um quarto dos jovens tenha concordado que "homens são superiores às mulheres", quase metade endossou as afirmações de que "o feminismo promove ódio aos homens" e de que "a ideologia feminista é uma ameaça à família brasileira". Mais de mundo
Fim do Promoção Agregador de pesquisas
Os questionamentos sobre o ensino da chamada "ideologia de gênero" também despertaram respostas mais alinhadas ao conservadorismo: entre os jovens, 59% concordam que o tema, ao ser discutido nas escolas, "confunde a sexualidade das crianças", e 55% consideram que a sexualidade "é assunto a ser tratado somente pela família, não pela escola". Leia também: Câmara dos EUA aprova resolução que limita poderes de Trump: os avanços na
Para Vieira, os dados sugerem que os jovens podem até concordar com reivindicações associadas à igualdade de direitos, mas reagem de forma diferente quando elas são apresentadas sob a bandeira de algum movimento político.
"Boa parte dos brasileiros é contra falar de gênero na escola, mas quando você pergunta se precisamos fazer alguma coisa contra o bullying, algo para os meninos afeminados não apanharem, aí sim, precisa. Tem um sentimento quase religioso de ser contra ver uma criança apanhar. É uma lógica protetiva mais relacionada às relações interpessoais do que às relações políticas", ela exemplifica.
Mas a pesquisa não encontrou, em nenhuma das perguntas feitas, evidência de que os jovens sejam mais conservadores do que os mais velhos. Mesmo nos casos em que uma parcela ligeiramente maior deles tenha concordado com afirmações conservadoras, a diferença é algo que tende a ser absorvido pela margem de erro do estudo, que pode ser verificada nos gráficos exibidos na reportagem.

Crédito, Arthur Menescal/AFP via Getty Images
Homens jovens são mais bolsonaristas
Outro achado do estudo é que o bolsonarismo é mais forte entre homens jovens do que entre os mais velhos, apesar de a identificação com a direita variar pouco entre os diferentes grupos etários.

Como a pesquisa foi feita
- Os papéis de homens e mulheres são e devem ser diferentes;
- Homens são superiores às mulheres;
- Hoje em dia os direitos das mulheres valem mais do que os direitos dos homens;
- O feminismo promove ódio aos homens;
- A ideologia feminista é uma ameaça para a família brasileira;
- Casais gays devem ter o direito de adotar crianças;
- A homossexualidade deve ser vivida entre quatro paredes, de maneira reservada;
- A ideologia de gênero nas escolas confunde a sexualidade das crianças;
- Sexualidade é assunto a ser tratado somente pela família, não pela escola;
- O SUS deve pagar pelas cirurgias de mudança de sexo;
- Travestis devem ter o direito de usar o banheiro feminino.
- A direita;
- O conservadorismo;
- O bolsonarismo.

O que pode explicar a diferença com estudos estrangeiros
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