Manaus celebra Copa do Mundo com agenda cultural diversificada e eventos de Dia dos Namorados
Ler matéria →Delatar o andar de cima é que são elas para Vorcaro Há informações de que a segunda tentativa de delação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, poderá ter o mesmo destino da primeira. Esse é um grande dilema para quem é apanhado com a boca na botija: livrar a própria pele de uma prisão que pode levar anos, comprometendo um dos períodos mais importantes da vida, ou abrir a boca e expor gente da prateleira de cima, composta de pessoas que se consideram intocáveis? Lembro-me de uma frase repetida pelo meu professor de oratória, Oswaldo Melantonio:
“Sou brasileiro. Antes de ser brasileiro, sou paulista. Antes de ser paulista, sou santista.
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Antes de ser santista, sou um Andrada”. Ou seja, primeiro cuido do meu lombo. Se sobrar espaço, penso no bem-estar dos outros.
Parece egoísmo, mas é a lei da natureza. Regra da sobrevivência A filosofia do direito costuma ilustrar esse tipo de dilema por meio da chamada Tábua de Carneades.
O exemplo é simples, mas elucidativo. Dois náufragos em um barco que só suporta um. Ou, para deixar mais clara a situação, apenas uma tábua disputada por duas pessoas que desejam sobreviver. Leia também: Manaus celebra Copa do Mundo com agenda cultural diversificada e eventos de Dia dos Namorados
São duas correntes que se opõem nesse debate. A primeira é a do Estado de Necessidade, a exclusão do crime. O artigo 24 do Código Penal sustenta que o sobrevivente age em Estado de Necessidade.
Assim, o ato deixa de ser crime porque a lei exclui a ilicitude da conduta. O argumento “lógico” é que, como o risco de perder a própria vida é iminente, isso justificaria o ato de tirar a vida do próximo. Procelas judiciais
A segunda é a Corrente da Culpabilidade, a exclusão da punição. O argumento é que nenhuma vida vale mais que a outra. Como solução, aplica-se a tese da Inexigibilidade de Conduta Diversa.
Há, portanto, o crime, mas a punição é excluída. Embora exista antagonismo entre as duas teses, em ambos os casos o sobrevivente será absolvido. Ora, se até diante de uma situação extrema como a descrita acima há quem defenda o sobrevivente, por que alguém prestes a consumir boa parte da vida em um cubículo na prisão não poderia comprometer pessoas influentes eventualmente implicadas nos fatos?
Só que nesse tsunami judiciário há procelas nem sempre identificáveis a olho nu. Aqui, dois mais dois nem sempre são quatro. São aqueles cálculos que nem sempre permitem resultados puramente matemáticos. Mais de noticia
Vorcaro e seus advogados, possivelmente, conversam e fazem contas. Pesam e sopesam as consequências. Um passo em falso, uma vírgula fora do contexto, poderão tornar irreversível um destino infortunado.
São aquelas situações em que a pessoa ouve todas as sugestões, mas, no fim, precisa ela mesma tomar a decisão, pelo simples fato de ser a sua vida que está em jogo. Dá para imaginar Vorcaro diante da reflexão de Henri Poincaré: “
Duvidar de tudo ou tudo crer são duas soluções cômodas, que dispensam, ambas, a refletir”. Pois é, esse não é o caso, nem de crer, nem de duvidar. A lei do silêncio Vamos admitir, apenas como hipótese, que pessoas situadas nos mais altos escalões da República pudessem ser alcançadas por uma eventual colaboração. Leia também: Nubank: Erro em e-mail causa pânico com falsa liquidação
O silêncio, tradicionalmente associado às organizações criminosas, seria comprometido. Quais seriam as consequências? Ao olhar para episódios recentes, observa-se que condenações inicialmente consideradas severas acabaram sendo revistas, reduzidas ou anuladas.
Decisão difícil. Há riscos em todas as direções. Por outro lado, Vorcaro vacilou e permitiu que a Polícia Federal apreendesse seus celulares.
Se houver elementos relevantes armazenados nesses aparelhos, eles já estão em poder dos investigadores. Ou confirma o que já está de posse das autoridades e contribui com mais informações para a identificação dos responsáveis, ou fica quieto para não mexer em vespeiro e sofre o peso insuportável da cadeia. A decisão é solitária
A dúvida deve ser alucinante. Se optar pelo silêncio, continuará preso, torcendo para que ocorra uma reviravolta nos meandros jurídicos e seja libertado. Se resolver implicar pessoas influentes, correrá o risco de a delação se esfarelar no meio do caminho e ficar sozinho, sem nenhum padrinho para salvá-lo da derrocada.
Eu não gostaria nunca de ter de tomar esse tipo de decisão. Deus nos livre. Siga pelo Instagram:
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