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Ele causa quase 3 milhões de mortes todos os anos

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Ele causa quase 3 milhões de mortes todos os anos. É responsável por 200 doenças diferentes. E, se fosse descoberto hoje, os padrões modernos de segurança quase certamente o classificariam como uma droga ilegal.

No entanto, você pode comprá-lo no supermercado se tiver mais de 18 anos. Estamos falando, é claro, do álcool. É a droga psicoativa mais socialmente aceita no mundo.

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Até patrocina oficialmente os jogos da Copa. Mas você já parou para se perguntar por quê? Por que uma substância tão claramente prejudicial é não apenas legal, mas celebrada?

| A resposta não é simplesmente que as pessoas gostam de beber. É uma história que abrange milhões de anos de evolução, experimentos governamentais fracassados e uma armadilha econômica tão profunda que nenhum país consegue escapar dela.

Para entender por que não podemos proibir o álcool, primeiro precisamos entender por que o desejamos. E a razão pode estar escrita no seu DNA. Os cientistas chamam isso de "hipótese do macaco bêbado". Leia também: jogos da copa amanhã

Milhões de anos atrás, nossos ancestrais primatas viviam em árvores e sobreviviam de frutas. Mas, em uma floresta tropical densa, encontrar as melhores frutas era uma questão de vida ou morte. Aqui está a explicação científica: quando a fruta fica muito madura, ela fermenta.

Leveduras na casca da fruta consomem o açúcar e o convertem em etanol: álcool. Esse álcool libera um cheiro forte que se propaga pelo vento. Para nossos ancestrais, aquele cheiro não era um convite para uma festa; era um sinal de comida pronta.

Indicava um alimento rico em calorias e denso em energia. Aqueles que se sentiam atraídos pelo cheiro do álcool comiam mais, sobreviviam por mais tempo e transmitiam seus genes para nós. Seu cérebro é literalmente programado para recompensá-lo por encontrar álcool.

Quando você bebe, seu cérebro libera dopamina, apropriando-se do mesmo sistema ancestral de recompensa que manteve seus antepassados vivos. Proibir o álcool não é apenas combater um hábito; é lutar contra milhões de anos de programação evolutiva. Mas os governos tentaram fazer isso.

E, todas as vezes, o resultado foi um fracasso espetacular. O exemplo mais famoso é, naturalmente, a Lei Seca nos Estados Unidos, na década de 1920. O governo proibiu a venda de álcool para melhorar a moral da sociedade. Mais de esporte

O resultado? As pessoas não pararam de beber; apenas transferiram o controle da indústria para a máfia. As taxas de criminalidade dispararam.

A taxa de homicídios, na verdade, aumentou quase 30% durante a Lei Seca. Mas um fracasso menos conhecido, e talvez mais fascinante, ocorreu na União Soviética em 1985. Mikhail Gorbachev lançou uma campanha massiva contra o álcool.

Ele fechou lojas de vodca e destruiu vinhedos. A princípio, parecia funcionar. A expectativa de vida chegou a aumentar. Leia também: jogos da copa amanhã

Mas, logo, a economia soviética começou a entrar em colapso. O açúcar desapareceu das prateleiras em toda a URSS. Por quê?

Porque as pessoas o compravam desesperadamente para produzir bebida destilada caseira em suas banheiras. O Estado perdeu bilhões em arrecadação de impostos, e a revolta popular explodiu. A popularidade de Gorbachev despencou, rendendo-lhe o apelido irônico de "

Secretário da Água Mineral". Por falar em Rússia, o álcool, a falta dele, colocou o último prego no caixão dos Romanoff. O czar Nicolau II proibiu a venda e a produção de vodca no Império Russo em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial.

O objetivo era conter o alcoolismo entre os soldados e melhorar o desempenho das tropas. A medida gerou graves consequências econômicas, sociais e políticas. Como o monopólio estatal sobre o álcool representava uma das maiores fontes de arrecadação do império, a proibição tirou bilhões de rublos dos cofres públicos.

A população contornou a proibição produzindo bebidas destiladas ilegalmente, o que causou problemas de saúde e intoxicações. Privados da bebida, muitos soldados sofreram com traumas psicológicos severos na frente de batalha A insatisfação generalizada com a guerra e a economia russa culminou na Revolução de Fevereiro de 1917, levando Nicolau II a abdicar.

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