Vereador preso em operação contra PCC foi inocentado pelo PT em 2014
Ler matéria →Um dia após deixar a liderança do governo no Senado, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner (PT-BA) afirmou à Folha que reclamou com o presidente Lula (PT) da atuação da Polícia Federal na operação da qual foi alvo, particularmente pela divulgação de foto com cédulas de moeda estrangeira apreendidas no apartamento onde vive em Brasília. " Para que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF?
Esse processo era comum na Lava Jato. Se a Polícia Federal vai continuar nesse tipo de espetacularização, acho que o chefe da Polícia Federal tem que tomar conta", afirma. Para ele, isso violou a orientação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) —que determinou que a busca e apreensão ocorresse "de forma discreta
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" pelo "caráter sigiloso da investigação". Na entrevista, concedida em seu escritório político na Bahia na quinta-feira (25), Wagner afirmou desconhecer governador ou prefeito que não se relacione com empresários. E disse que é ridículo supor que o recebimento de dois convites para um show configure favorecimento.
" Estão achando que ele me comprou porque arrumou dois ingressos. Eu poderia pedir coisa mais importante, né?
" Ele revelou que os valores pagos pelo Banco Master para a empresa de sua nora são maiores do que os R$ 3,5 milhões divulgados e defendeu que o dinheiro tem origem legal. Também admitiu pegar carona com empresários, mas negou que tenham colocado um avião à sua disposição. Leia também: Setor de bebidas teme que definição de alíquotas de imposto seletivo fique
" Está se tentando criar uma retórica hipócrita. Tenho relação com uma porção de gente.
Aí o cara diz para mim: 'terça-feira eu estou indo para Brasília, quer ir de carona? ' Eu vou, qual o problema?
Fica-se criminalizando qualquer tipo de relacionamento. Óbvio que de vez em quando eu pego carona. O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca.
" O sr. resistia à ideia de afastamento do cargo para que não fosse interpretado como confissão de culpa. O que o presidente disse que o fez mudar de opinião?
Era importante ter uma conversa pessoal com o presidente. Quando ele me ligou, no dia do episódio, foi primeiro para se solidarizar e, depois, perguntar se era bom continuar ou não. Eu disse que minha cabeça era não entregar [o cargo], mas ontem [quarta] fui lá conversar. Mais de politica
Ele disse que me conhecia há 48 anos, mas que construíram uma história que eu teria que desmontar e questionou se eu teria cabeça para fazer as duas coisas [a defesa e a liderança]. Então, decidi me afastar. Há aliados que dizem que o sr. levou a crise para dentro do Palácio.
Quem faz essa crítica ou é ingênuo ou não está entendendo o que está acontecendo. Era mais próprio falar que a Polícia Federal tenta construir uma narrativa para envolver o PT. Não estou dizendo que foi feito por isso, não.
Qual é a narrativa do Flávio Bolsonaro e do PL? " Tudo começou na Bahia". Nada começou na Bahia. Leia também: Podcast discute impactos da briga em público de Michelle e Flávio Bolsonaro
Quando nós privatizamos a Cesta do Povo, em 2018, o cartão [de compras do programa] foi junto. Não existia [Daniel] Vorcaro, não existia Master. O banco virou sócio do Augusto Lima em 2019, se não me engano.
Os petistas estão comprando o discurso do PL? O cara [Flávio] pediu R$ 140 milhões [R$ 134 milhões para o filme 'Dark Horse']. Eu não pedi uma banda de conto.
O cara [Flávio] pediu R$ 140 milhões. Eu não pedi uma banda de conto O sr. diz que a PF está construindo uma narrativa, mas o diretor-geral foi escolhido pelo Lula.
Como vê a atuação de Andrei Rodrigues? Ele é quem tem que responder. A ordem do André Mendonça fala explicitamente para não ter fotografias.
Eles foram ao quarto de hotel onde eu moro, botaram lá em cima da cama [notas de dólares e euros] com o escudinho [da PF] e fotografaram. Estão desrespeitando ordem de juiz e reinventando a Lava Jato. Quem tem que saber se abre ou não processo administrativo é o Andrei, não sou eu.
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