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Ler matéria →O Japão confirmou uma intervenção conjunta histórica com os Estados Unidos para sustentar o enfraquecido iene, enquanto os dois países prometeram voltar a atuar no mercado de câmbio, se necessário. O Ministério das Finanças interveio na última sexta-feira (31), em coordenação com o Departamento do Tesouro dos EUA, afirmou nesta segunda-feira (3) a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama. "
Essa ação conjunta [.] conteve a volatilidade excessiva e os movimentos desordenados do iene japonês nos últimos meses", disse ela em comunicado. " Não hesitaremos em realizar novas intervenções conjuntas.
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" A intervenção marcou a primeira vez em quase 30 anos que os dois países uniram forças para apoiar a moeda japonesa por meio de compras diretas. A medida ocorreu depois que o iene atingiu seu nível mais baixo em relação ao dólar desde 1986, em meio à preocupação de alguns investidores de que os planos de gastos da primeira-ministra
Sanae Takaichi alimentem a inflação. A desvalorização da moeda ameaça intensificar ainda mais a inflação e abalou o mercado de títulos. Após se aproximar de 164 ienes (R$ 5,31) por dólar em julho, a moeda japonesa se valorizou rapidamente ao longo de várias sessões. Leia também: Presidente do Republicanos diz a Flávio que maioria do partido quer neutralidade
Analistas suspeitam que o governo japonês tenha desembolsado cerca de 8,45 trilhões de ienes (US$ 273,3 bilhões) na quinta-feira (30) para sustentar a moeda, antes de voltar ao mercado no dia seguinte. O FT revelou na sexta que os EUA haviam tomado a medida incomum de vender euros para comprar ienes. Mais cedo naquele dia, um fotógrafo da Reuters havia registrado uma lista sobre uma mesa diante de Bessent, que tinha um único item: "
Comprar ienes japoneses (JPY), US$ 5-10 bilhões". Após os comentários de Katayama nesta segunda, o iene se valorizou mais de 1% em relação ao dólar, chegando a 155,21 ienes (R$ 5,01) —seu nível mais forte desde o início de maio—, antes de devolver parte dos ganhos e recuar para 156,75 ienes (R$ 5,08), enquanto operadores observavam atentamente possíveis sinais de novas intervenções. A ação fez o Nikkei 225 cair até 2,6%, antes de o índice encerrar o pregão em baixa de 0,9%.
Yujiro Goto, analista-chefe de câmbio da Nomura em Tóquio, afirmou que os movimentos acentuados desta segunda foram "muito provavelmente" resultado da intervenção, com as autoridades tentando "demonstrar seu compromisso" com um iene mais forte. " Acho que, se a moeda romper a marca de 155 ienes hoje, talvez a intervenção seja interrompida, mas, se a pressão de desvalorização for forte, ela poderá continuar amanhã", acrescentou.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, havia afirmado mais cedo nas redes sociais que "as ações cambiais coordenadas de sexta contiveram os movimentos desordenados do iene" e que seu departamento "não hesitará em participar de novas intervenções conjuntas". O comunicado de Katayama também revelou planos para utilizar uma linha de operações compromissadas disponibilizada pelo Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA). Segundo analistas, isso permitiria ao Japão tomar dólares emprestados temporariamente para usar em suas operações cambiais, em vez de ter de vender títulos do Tesouro americano.
Isso reduziria a pressão vendedora sobre o mercado de títulos do governo dos EUA, no qual os rendimentos dos papéis de 30 anos atingiram na semana passada o maior nível desde 2007, com a queda dos preços desses ativos. " Com o apoio dos EUA, a intervenção para sustentar o iene será vista como mais confiável e, caso se mostre mais eficaz, poderá significar que, no fim, será necessária uma intervenção menor, exigindo menos vendas de títulos do Tesouro", afirmou Lee Hardman, analista sênior de câmbio do MUFG. Mais de economia
Investidores, no entanto, argumentam que a intervenção cambial, embora possa dissuadir especuladores de curto prazo, dificilmente criará uma valorização duradoura do iene sem o apoio de aumentos mais rápidos dos juros. Na semana passada, o Banco do Japão (BoJ) manteve os juros em 1%, mas seu presidente, Kazuo Ueda, afirmou que garantiria que o banco central não "ficasse para trás" e que poderia acelerar as altas das taxas. Em seu comunicado, Bessent afirmou que os EUA apoiavam as "medidas monetárias
" do Japão para sustentar a moeda. As apostas em aumentos dos juros se intensificaram nos últimos dias, e a probabilidade de uma alta de 0,25 ponto percentual na reunião de outubro do BoJ subiu para cerca de 90%. Masayuki Nakajima, estrategista do Mizuho, afirmou que a justificativa dos EUA para a intervenção provavelmente refletia o desejo de evitar pressões de alta sobre os rendimentos dos títulos americanos. Leia também: Lucro da ISA Energia (ISAE4) recua 32% no 2º tri com avanço na despesa
" Movimentos acentuados nos rendimentos japoneses podem provocar um rebalanceamento de carteiras nos mercados globais de renda fixa, incluindo os títulos do Tesouro dos EUA e os títulos de governos europeus", disse Nakajima. Os comentários de Bessent sugeriram que "as autoridades econômicas dos EUA estavam acompanhando de perto os possíveis efeitos de contágio do Japão sobre os mercados globais de títulos", acrescentou.
O presidente Donald Trump afirmou na noite de domingo: "Temos uma boa relação com o Japão [.] eles estão com um iene em desvalorização e queriam um pouco de ajuda, e estamos sempre ao lado do Japão. O Japão tem sido muito bom conosco, com exceção, é claro, de Pearl Harbor".
Questionado sobre o que os EUA ganharam com a medida, acrescentou: " Benefício financeiro. Também é bom para a economia mundial".
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