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Ler matéria →Irã quer transformar conflito militar com EUA em guerra econômica, diz especialista

Crédito, Reuters
Published 14 julho 2026, 05:45 -03
Tempo de leitura: 4 min
O Estreito de Ormuz é hoje a principal fonte de influência estratégica e de dissuasão do Irã em seu conflito com os Estados Unidos e por isso Teerã tenta transformar o conflito militar em uma guerra econômica. A avaliação é de Mehran Kamrava, cientista político e professor da Universidade de Georgetown no Catar, em entrevista à BBC.
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Kamrava afirma que o chamado "Eixo da Resistência" do Irã— que inclui grupos como o Hamas, em Gaza, o Hezbollah, no Líbano, e os houthis, no Iêmen— está desarticulado, ou pelo menos militarmente enfraquecido, em consequência da guerra. Por isso, o Estreito de Ormuz ganhou importância estratégica para os iranianos.
"Para o Irã, o Estreito de Ormuz é uma importante fonte de influência estratégica e sua principal fonte de dissuasão", disse Kamrava ao programa Today, da Rádio 4 da BBC, nesta terça-feira (14/07).
Segundo o professor, o Irã "tem plena consciência" de que não pode enfrentar os EUA em condições de igualdade em uma guerra. Leia também: Irã diz que drone atingiu base dos EUA no Kuwait e divulga vídeo de explosão
Como resposta, Kamrava acredita que os EUA estão "determinados a retirar do Irã o controle do estreito", mas ele acha que ninguém sabe exatamente como isso pode ser feito— "nem mesmo os estrategistas do Pentágono".
"Já vimos o presidente dos EUA tentar diversas abordagens, e parece que os americanos agora estão adotando uma estratégia diferente. Eles estão atacando locais altamente estratégicos ao longo da costa sul do Irã, no Golfo Pérsico", afirma o professor da Universidade de Georgetown
"Se isso poderá eventualmente levar a uma invasão terrestre da Ilha de Kharg ou de alguma outra ilha iraniana é algo que precisaremos acompanhar de perto."
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O professor avalia que tanto o Irã quanto os EUA querem que o conflito chegue ao fim, mas ambos insistem que isso precisa acontecer nos seus próprios termos.
"Países como Omã, Catar e Paquistão estão fazendo o que podem para incentivar uma mediação. Seja por meio do memorando de entendimento já assinado ou de alguma versão dele, os dois países reconhecem a necessidade de chegar a algum tipo de solução negociada", diz Kamrava.
"O que exatamente isso significará, no entanto, ainda está indefinido." Leia também: Trump volta atrás em taxa de 20% sobre carga de navios no Estreito de Ormuz
O conflito entre Irã e EUA está tendo repercussões negativas na região, segundo o professor. Ele afirma que países como Catar e Emirados Árabes Unidos passaram as últimas décadas construindo uma imagem de segurança, estabilidade e prosperidade.
"E tudo isso está sendo abalado pelo que parece ser uma escalada involuntária do conflito. A frente envolvendo a Arábia Saudita e os houthis voltou a se intensificar. Se os houthis decidirem fechar o Estreito de Bab el-Mandeb [outra via marítima crucial para a economia global], poderemos estar diante de uma nova escalada significativa. Estamos vivendo um momento extremamente delicado."
Bloqueio americano em Ormuz
O presidente americano, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que os EUA irão controlar o Estreito de Ormuz e bloquear o acesso aos portos iranianos, alegando que o Irã violou um acordo firmado com o país.
Segundo Trump, o estreito permanecerá aberto, mas o controle americano impedirá que "navios iranianos ou seus clientes entrem ou saiam".
Em comunicado divulgado no X, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que o bloqueio entrará em vigor nesta terça-feira (14/7) às 17h (horário de Brasília).
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