Notícias: Tensão no Oriente Médio, Cultura e Universidades
Ler matéria →EUA e Irã trocam ataques pelo 2º dia seguido em meio a frágil cessar-fogo Mídia estatal iraniana informou que o Estreito de Ormuz foi "completamente fechado para todos os tipos de embarcações", mas Comando Central americano diz que navios comerciais continuam transitando na região. Os Estados Unidos e o Irã trocaram ataques no Oriente Médio pelo segundo dia consecutivo, fragilizando ainda mais o cessar-fogo acordado entre os dois países em abril.
O Irã atacou bases americanas na região do Golfo em resposta à nova ofensiva dos Estados Unidos contra o país, realizada após o presidente Donald Trump afirmar na quarta-feira (10/6) que Teerã seria atingida "com força" por levar "tempo demais para fechar um acordo" para encerrar a guerra. Após a declaração de Trump, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou ter concluído, na madrugada desta quinta-feira (horário local em Teerã), seu segundo dia consecutivo de "ataques de autodefesa", em "resposta à agressão injustificada e contínua do Irã". Reagindo à divulgação de novos números de inflação nos EUA, o presidente americano disse que "ama" a inflação, mas que os preços aos consumidores nos EUA "cairão como uma pedra" quando o conflito com o Irã terminar.
Leia no AINotícia: Notícias: Tensão no Oriente Médio, Cultura e Universidades
Trump disse que as forças americanas realizaram operações noturnas para tomar "milhões de barris" de petróleo do Irã, o que, segundo ele, teria contribuído para uma leve queda nos preços do petróleo. Mais tarde na quarta-feira os militares dos EUA bombardearam o Irã. Em retaliação aos ataques americanos, bases militares americanas no Bahrein e no Kuwait foram atingidas pelo Irã.
Elas já haviam sido alvo de ações semelhantes no dia anterior. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter disparado mísseis balísticos também contra um centro de comando americano na Jordânia, segundo a mídia estatal iraniana. A IRGC disse ter destruído "
um grande número" de caças e "instalações " americanas após disparar 12 mísseis balísticos contra a Base Aérea de Muwaffaq Salti, na Jordânia, embora as alegações não tenham sido verificadas de forma independente. O Ministério do Interior do Bahrein informou que suas sirenes de alerta aéreo foram acionadas durante a noite e que houve danos a casas e veículos na cidade de Hamad e na capital Manama, causados por estilhaços. Leia também: Jovem é encontrada morta com cápsulas de munição em Floriano, Piauí
Uma menina de 11 anos foi atendida por um "ferimento leve", disse o ministério. No Kuwait, o Exército do país publicou em sua conta no Facebook que seus sistemas de defesa antiaérea interceptaram "alvos aéreos hostis". O Kuwait afirmou ter fechado temporariamente seu espaço aéreo devido aos ataques iranianos.
Explosões também foram ouvidas em cidades no sul do Irã, próximas ao Estreito de Ormuz, onde as forças americanas haviam atingido sistemas de defesa aérea, radares e outros alvos militares na ofensiva anterior. A escalada dos confrontos nos últimos dias tem colocado à prova um frágil cessar-fogo firmado entre os dois países em abril. Em um dos episódios mais recentes dessa escalada, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou ter atingido dois navios petroleiros que cruzavam o Estreito de Ormuz.
A declaração foi feita durante a noite de quarta-feira, depois de a mídia estatal iraniana informar que o Estreito de Ormuz estava "completamente fechado para todos os tipos de embarcação". O Centcom, no entanto, afirmou que "navios comerciais continuam transitando para dentro e para fora do Estreito de Ormuz". O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa uma parcela significativa do petróleo global.
Os preços do petróleo subiram pouco depois do anúncio do fechamento da rota marítima e do aparente ataque aos navios. O barril do Brent, referência global da commodity, ultrapassou os US$ 95 após avançar cerca de 2% durante as negociações da manhã na Ásia. Este foi o segundo dia consecutivo de confrontos entre os dois países.
Na terça-feira (9/6) um helicóptero americano foi derrubado sobre o Estreito de Ormuz. Os Estados Unidos acusaram o Irã de ser responsável pelo ataque e iniciaram bombardeios contra o país. O IRGC respondeu atacando bases dos EUA em todo o Oriente Médio. Mais de noticia
Horas antes do ataque desta quarta, Trump havia alertado: " Nós os atingimos com força ontem e vamos atingi-los com força novamente hoje. "
Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que líderes iranianos têm "levado tempo demais para negociar um acordo", enquanto o Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou os EUA de "prejudicar o processo diplomático com mensagens contraditórias". Em resposta às declarações de Trump, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian disse que o Irã "permanecerá firme diante de qualquer pressão ou ameaça". O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou posteriormente que bombas iriam "atingir instalações-chave no Irã". Leia também: Notícias: Tensão no Oriente Médio, Cultura e Universidades
Hegseth disse que o Irã teve uma chance de fechar um acordo, mas não a aproveitou, e que Trump havia dito que o país seria atacado novamente caso não houvesse um acordo de paz. Em abril, EUA e Irã concordaram com um cessar-fogo que inicialmente deveria durar duas semanas. Desde então, ambos os lados têm trocado ataques esporádicos, sem retornar a hostilidades em grande escala.
No entanto, as recentes tentativas de mediação entre Washington e Teerã estão paralisadas, e os ataques têm se intensificado. Os esforços diplomáticos entre os dois países vêm sendo marcados por sucessivos impasses, especialmente em torno do programa nuclear iraniano e das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos. Diplomatas têm alertado que a falta de confiança mútua continua sendo um dos principais obstáculos para qualquer acordo duradouro, enquanto episódios de escalada militar na região reduzem ainda mais o espaço para negociações.
Em uma declaração na rede X, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o Oriente Médio está "sendo puxado cada vez mais para uma crise", e que os recentes ataques significam que "o cessar-fogo é mais um 'quase cessar-fogo'". " Não devemos minimizar os riscos de um 'quase cessar-fogo' se transformar em uma guerra total.
Todas as partes devem trabalhar por um acordo diplomático. Chega de ataques. Chega de desculpas", disse.
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