Bololo Restaurant, do MC Ryan SP, é alvo de operação da PF — Foto: Reprodução YouTube A Polícia Federal (PF) identificou uma movimentação financeira superior a R$ 30 milhões, entre débitos e créditos, em um restaurante ligado ao cantor MC Ryan SP e apontou indícios do uso de um familiar como possível “laranja” na administração do negócio. De acordo com relatório de inteligência finaneira obtido pela TV Globo, o montante registrado entre abril de 2024 e outubro de 2025 é "flagrantemente incompatível" com o porte e a atividade econômica do Bololô Restaurant &
Bar. A PF sustenta que o local funcionaria como um "veículo de integração" e possível "posto de arrecadação bancarizado" para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A PF aponta ainda que ele teria utilizado uma manobra de blindagem patrimonial para afastar seu nome de negócios sob suspeita.
Logo após ser alvo de buscas e apreensões da Polícia Civil por supostos vínculos com o PCC e esquemas de rifas ilegais, o artista saiu formalmente da sociedade do restaurante. Em seu lugar, entrou sua avó materna. Para a Polícia Federal, a substituição teria sido uma tentativa de "ocultar o beneficiário final" e "desvincular a imagem do artista" de transações suspeitas, mantendo o controle financeiro dentro do núcleo familiar.
A avó, que declara uma renda de R$ 25 mil, teve movimentações milionárias em sua conta pessoal, e funcionaria, segundo a investigação, como um "entreposto de liquidez" para o esquema. O monitoramento bancário identificou ainda que o restaurante recebeu recursos de 152 contrapartes com histórico criminal ligado ao tráfico de drogas e organizações criminosas. Foram detectados pagamentos atípicos, entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, valores considerados incompatíveis com o consumo de refeições.
A hipótese dos investigadores é que o restaurante servia para o recolhimento da "cebola" — como é chamada a mensalidade paga por membros de facções criminosas à organização. O dinheiro sujo seria misturado ao faturamento legítimo do comércio para conferir aparência de legalidade aos recursos. A investigação, deflagrada na quarta-feira (15), investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas estimado em R$ 1,6 bilhão (leia mais abaixo).
MC Ryan SP foi um dos 33 presos na operação. Ele foi detido em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista, e teve a prisão mantida pela Justiça após audiência de custódia realizada na quinta (16). Leia também: Oposição articula novo pedido de impeachment de Gilmar Mendes após pedido para incluir Zema no inquérito das fake news
Em nota, o advgado de MC Ryan SP, Felipe Cassimiro, informou que "o Bololô Restaurant não pertence ao Ryan, se tratou de um presente dele para a avó. Quanto às movimentações, hoje o Bololô é visto como um dos principais restaurantes de São Paulo, altamente frequentado, sobretudo por muitos famosos. A movimentação condiz com o tamanho do empreendimento".
O esquema A Polícia Federal revelou que o esquema de uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão utilizava uma estrutura complexa, com empresas, influenciadores digitais e operações financeiras sofisticadas para ocultar a origem de recursos ilícitos. No total, foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal.
Os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo estão entre os presos. Os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que tem quase 15 milhões de seguidores, também foram presos na operação, além de outros produtores de conteúdo. Como funcionava o esquema bilionário MC Ryan SP e MC Poze do Rodo — Foto: Reprodução/Redes sociais 💰
Origem do dinheiro Em coletiva de imprensa, o delegado Marcelo Maceira explicou que o dinheiro usado no esquema teria como origem apostas em bets ilegais, rifas digitais clandestinas e tráfico internacional de drogas. Segundo as investigações, o esquema começava com a captação de valores por meio de plataformas de apostas não regulamentadas e rifas ilegais, que arrecadavam dinheiro de milhares de pessoas.
Esses recursos eram inicialmente pulverizados em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento. 🔄 Rede de operadores Depois de arrecadado, o dinheiro passava por uma rede estruturada de operadores financeiros, empresas e intermediários responsáveis por centralizar e redistribuir os valores. A decisão judicial, obtida pela TV Globo, descreve um sistema com funções bem definidas, incluindo responsáveis por captação, armazenamento, circulação e reinserção dos recursos no sistema financeiro formal. Mais de noticia
" Dentro desse esquema, eles usavam algumas processadoras de pagamento para circular um montante relevante de dinheiro. Através delas, conseguiram partir para as fases finais de lavagem que era a descentralização desses recursos, a utilização de laranjas para que esse dinheiro não chamasse a atenção de autoridades e ficasse mais difícil fazer o rastreio disso", explicou o delegado.
🧩 Fragmentação e ocultação Para esconder a origem ilícita, o grupo utilizava técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como o fracionamento de transferências — prática conhecida como “smurfing” — além do uso de criptomoedas e movimentações entre empresas e contas de terceiros. Leia também: Cão caramelo rouba a cena em ato com Simões e Tarcísio em Ouro Preto; veja
Também foram identificados indícios do uso de “laranjas” e da transferência de bens e empresas para familiares ou pessoas interpostas, como forma de dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários. 🎤 Empresas e imagem pública
Um dos pontos centrais do esquema era o uso de empresas ligadas ao setor artístico e de entretenimento para dar aparência legal ao dinheiro. Os valores ilícitos eram utilizados para custear despesas da carreira artística de alguns investigados pela PF, incluindo cachê de shows. Influenciadores e páginas de grande alcance nas redes sociais também eram contratadas para fazer a divulgação de plataformas de apostas e rifas, contribuindo tanto para a entrada de novos recursos quanto para a legitimação das operações.
Um dos alvos da operação é, justamente, Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, conhecida pelas publicações de fofoca e entretenimento. " Essas pessoas públicas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos.
Então, eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações", afirma Maceira. Carros apreendidos em operação da PF contra organização criminosa por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão — Foto: Divulgação/PF 🏠 Dinheiro convertido em patrimônio
Após passar por essas etapas, os influenciadores e artistas investigados acumularam patrimônios milionários por meio da compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor. Os itens de luxo eram ostentados nas redes sociais. Para a Polícia Federal, essa fase representa a etapa final da lavagem, quando os recursos já aparecem como aparentemente legais e podem ser utilizados sem levantar suspeitas imediatas.
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