Em meio a desgaste com Trump, Flávio diz que Lula está ‘ficando meio Biden’
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O gestor de hedge fund Lee Robinson ficou conhecido por ter lucrado 900% durante a crise financeira global, ao transformar uma posição de US$ 20 milhões em US$ 200 milhões com apostas contra o mercado de hipotecas subprime nos Estados Unidos.
Agora, ele diz ver uma nova oportunidade à medida que crescem os riscos no mercado de crédito privado. Em vez de apostar diretamente contra o setor, porém, Robinson decidiu mirar os efeitos indiretos e montar posições vendidas contra alguns dos principais financiadores desse mercado de US$ 1,8 trilhão: as seguradoras.
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Ele vem ampliando apostas pessimistas contra empresas como Lincoln National, MetLife e até Berkshire Hathaway por meio de credit default swaps (CDS), derivativos usados como proteção contra calotes. Sua gestora, a Altana, está lançando um novo fundo— no qual também vai investir capital próprio— para se proteger do que ele vê como uma desaceleração inevitável no crédito privado, um esfriamento do entusiasmo com a inteligência artificial e o impacto da menor liquidez sobre o valor das empresas.
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Robinson afirma enxergar paralelos entre a calmaria que dominava o mercado de hipotecas subprime antes da quebra do Lehman Brothers e o cenário atual, em que os prêmios de risco corporativo continuam historicamente baixos. Para ele, a confiança dos investidores— ou o excesso dela— segue elevada mesmo com preocupações crescentes sobre a exposição do crédito privado a empresas de software ameaçadas pela IA e com sinais de alerta surgindo após alguns problemas corporativos.
“Em agosto de 2008, estávamos arrancando os cabelos tentando entender como a volatilidade podia estar tão baixa”, disse Robinson, fundador e diretor de investimentos da Altana Wealth, com sede em Londres. “Parece um pouco com isso agora.”
A tese dele não é a de que as seguradoras enfrentem uma ameaça existencial por causa dessa exposição. O argumento é mais sutil: na visão do gestor, o mercado ainda não precifica corretamente o risco adicional de baixas em um segmento pouco testado da dívida e que já mostrou pontos de fragilidade. A exposição das seguradoras ao crédito privado vem crescendo, especialmente entre as companhias de vida, e, embora essa fatia ainda seja relativamente pequena em muitas carteiras, ela traz riscos. Além disso, não é simples apostar diretamente contra o crédito privado. Leia também: Terremoto causa correria e apreensão durante partida de beisebol na Venezuela
A Lincoln National não respondeu a um pedido de comentário, enquanto a Berkshire Hathaway preferiu não comentar. Já a MetLife citou declarações recentes do diretor financeiro John McCallion, segundo as quais cerca de 95% da carteira de dívida privada da empresa tem grau de investimento e é “bem diversificada e preparada para atravessar diferentes ciclos de mercado”.
A aposta começa a ganhar corpo
A estratégia de Robinson já começa a se espalhar. Outros hedge funds passaram a mirar os CDS de seguradoras, e mesas de Wall Street, como as de JPMorgan e Goldman Sachs, também entraram nesse mercado ao estruturar produtos de proteção para clientes preocupados com os riscos ao redor do setor, segundo pessoas ouvidas pela Bloomberg.
As apostas nocionais líquidas em CDS de seguradoras americanas subiram para US$ 5,5 bilhões em 22 de maio, ante menos de US$ 4,9 bilhões no fim do ano passado, segundo dados da Depository Trust and Clearing Corp. O volume negociado nesses contratos também aumentou, e o custo para comprar proteção contra calote começou a subir— ainda de forma modesta diante dos riscos potenciais, o que, na visão de alguns investidores, deixa espaço para ganhos maiores em caso de um estresse mais forte.
A exposição das seguradoras ao crédito privado cresceu bastante na última década, à medida que gestores buscaram mais retorno e diversificação, especialmente no período de juros muito baixos, quando os ativos tradicionais rendiam perto de zero. Um levantamento da Moody’s Ratings com seguradoras de vida dos EUA mostrou que um quinto dos US$ 4 trilhões em ativos de renda fixa do setor estava alocado em ativos ilíquidos— principalmente crédito privado— no fim de 2025, acima dos 18% registrados um ano antes.
O movimento foi especialmente forte entre seguradoras de vida controladas por gigantes da gestão com braços de private equity, como KKR e Apollo, segundo pesquisadores do Federal Reserve de Chicago— embora não haja indicação de que Robinson e outros estejam mirando especificamente essas companhias. A migração ocorreu, em grande parte, para dívida privada com grau de investimento. Mais de economia
“As seguradoras se tornaram parte do ecossistema mais amplo de crédito privado”, escreveram Ralf Meisenzahl, Jackson Overpeck e Andy Polacek em um estudo revisado no fim de abril.
Algumas seguradoras já falaram publicamente sobre essa exposição. No ano passado, a Lincoln Financial lançou um fundo com a Bain Capital para “dar a investidores individuais acesso ao crédito privado”. A MetLife, por sua vez, informou que tinha cerca de US$ 85 bilhões em renda fixa privada considerada “de alta qualidade” em 31 de março.
Sinais de alerta
O custo de proteção contra calote de grandes seguradoras americanas, incluindo a American International Group, já começou a subir e neste ano superou o de um índice amplo de crédito high grade da América do Norte, segundo dados compilados pela Bloomberg. Isso aparece no alargamento dos spreads de CDS. Leia também: Sem desligar do presencial, Caixa Seguridade aposta em superApp para 2º semestre
Movimento semelhante foi visto na Europa, com Allianz, Generali, Aviva e Axa em relação ao índice regional de CDS high grade. O tema chamou a atenção até do Banco Central Europeu, que alertou para o risco de perdas para as seguradoras.
Mesmo depois da abertura recente, porém, os spreads desses CDS seguem relativamente apertados, o que sugere que o mercado ainda não embute um cenário de estresse mais severo. A Lincoln National, por exemplo, era cotada recentemente a 142 pontos-base— pior do que antes, mas ainda longe do nível típico de uma empresa realmente em dificuldade.
“Vai haver mais dor para investidores privados e institucionais daqui para frente, e as seguradoras provavelmente terão de fazer baixas parciais em seus investimentos”, disse Mark Lieb, CEO da Spectrum Asset Management, gestora que atua com títulos preferenciais desde os anos 1970.
“No caso das seguradoras, a gente acompanha isso de perto. Algumas ficaram um pouco mais agressivas nas colocações privadas”, disse Lieb. “Fizemos mudanças internas sobre o que gostamos e não gostamos em alguns nomes, então é preciso prestar mais atenção a essa parte da carteira.”
Histórico de apostas em estresse
No novo fundo, Robinson vem distribuindo as posições entre CDS de seguradoras e opções de ações individuais. Ex-integrante da equipe do bilionário Paul Tudor Jones, ele construiu carreira em apostas oportunísticas e em dívida estressada.
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