Semaglutida ganha destaque após novo desdobramento em semaglutida: anvisa já
Ler matéria →Intestino faminto: conheça o tipo de obesidade que responde melhor ao Mounjaro Estudo aponta que o efeito de medicamentos para a doença varia conforme seu subtipo, o que pode impactar tratamentos A obesidade é uma doença crônica, multifatorial e complexa.
Quem não encara a condição, pode não fazer ideia de que diversos fatores levam ao excesso de adiposidade, e nem sempre os mesmos afetam todas as pessoas com a doença. Nesse contexto, um novo estudo publicado na revista científica Gastroenterology ajuda a responder uma dúvida comum: por que alguns indivíduos perdem bastante peso com medicamentos à base de GLP-1, enquanto outros conseguem resultados mais modestos? Bom, para começar, a resposta a qualquer medicamento é individual.
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Apesar de existir uma taxa média observada em testes clínicos que baseia as aprovações nas agências regulatória, nem todo organismo apresenta a mesma reação diante de terapias. O que a nova pesquisa traz é que, no caso de medicamentos contra a obesidade, isso pode ter a ver não apenas com a genética individual, mas também com o subtipo da doença de cada indivíduo. As variações da obesidade Cérebro faminto (hungry brain)- Problema: Saciação anormal durante a refeição.
- Como funciona: O cérebro demora mais para registrar que você comeu o suficiente. A pessoa precisa consumir um volume maior de calorias para se sentir satisfeito.
- Problema: Saciedade de curta duração.- Como funciona: O estômago esvazia rápido demais. Leia também: Campanha de multivacinação ganha destaque após novo desdobramento em campanha
Você até se sente cheio logo após comer, mas a fome volta muito rápido porque o sinal de saciedade se dissipa antes da hora.- Problema: Apetite hedônico guiado por sentimentos.- Como funciona:
A vontade de comer surge em resposta a emoções (estresse, ansiedade, tédio ou tristeza) e não por necessidade física de energia. A comida atua como uma recompensa ou válvula de escape.- Problema:
Gasto energético basal reduzido.- Como funciona: O corpo gasta menos calorias em repouso do que a média esperada.
Isso facilita o ganho de peso e torna a perda de gordura mais lenta, mesmo comendo menos. Produção insuficiente de hormônios No trabalho recém-publicado, o que mais chamou atenção é que pessoas com o fenótipo ‘intestino faminto’ parecem responder melhor a tirzepatida, princípio-ativo do medicamento Mais de saude
Mounjaro. Os pesquisadores estudaram 483 adultos com obesidade e cerca de 1 em cada 4 participantes estavam no grupo mencionado. Eles perderam, em média, 21,5% do peso corporal após seis meses de tratamento, em comparação com 11,7% entre os pacientes dos outros grupos.
Mas por que será que isso acontece? “ Essas pessoas apresentam níveis muito baixos de GLP-1 não só no plasma, mas também no intestino.
Ou seja, elas não estão produzindo GLP-1 suficiente“, afirma Andres Acosta, médico gastroenterologista e autor do estudo, em entrevista à VEJA SAÚDE. Lembrando que a tirzepatida é uma molécula que imita a ação do GLP-1 e do GIP, hormônios naturais liberados pelas células do intestino para atuar na saciedade. A hipótese é que, como essas pessoas produzem pouco, elas acabam respondendo melhor a moléculas que cumprem sua ação. Leia também: Saúde: Panorama da Semana com Foco em Vacinação e Alertas Climáticos
“Não temos prova ainda, mas acredito que isso seja causado por uma disfunção mais ampla, envolvendo as células produtoras de hormônios de todo o intestino das pessoas, já que os níveis de peptídeos YY e CCK [outros hormônios intestinais que também interferem na saciedade] também estão baixos”, complementa o pesquisador em obesidade da Mayo Clinic em Minnesota, Estados Unidos. Aplicação clínica da descoberta Segundo Acosta, o estudo reforça a medicina de precisão, que visa proporcionar medicamentos mais individualizados para cada indivíduo a depender das nuances de sua doença. “Mostramos que pacientes com ‘intestino faminto’ são super-respondedores aos GLP-1, enquanto pacientes com ‘cérebro faminto’ são não respondedores ou respondedores parciais a esse tipo de tratamento”, complementa o gastro.
Para o médico endocrinologista Rodrigo Lamounier, membro da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), os medicamentos agonistas de GLP-1 são os mais eficazes para qualquer pessoas com obesidade, mesmo que umas pessoas respondam mais que outras. Mesmo, aprender mais sobre essa doença é muito importante. “Estamos vendo uma curva de aprendizado enorme sobre obesidade, inclusive para os médicos e profissionais de saúde.
Entender melhor os subtipos da doença fazem parte dessa caminhada de conhecimento. Hoje, pode não influenciar tanto no medicamento, mas, no futuro, pode ser que isso seja bem relevante”, completa o endocrino. Acosta afirma que os próximos passos do trabalho envolvem compreender completamente por que alguns pacientes apresentam essas características de baixos níveis de GLP-1.
“ Ao mesmo tempo, precisamos validar essas descobertas por meio de um ensaio clínico randomizado e controlado por placebo, replicando os resultados externamente. Esses estudos já estão em andamento”, finaliza.
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