← Saúde
Saúde

Internações por ansiedade entre adolescentes crescem mais de 800% em uma década

Internações por ansiedade entre adolescentes crescem mais de 800% em uma década Quase 32 mil brasileiros com plano de saúde que foram hospitalizados nos últimos 10 anos

Internações por ansiedade entre adolescentes crescem mais de 800% em uma década

Internações por ansiedade entre adolescentes crescem mais de 800% em uma década Quase 32 mil brasileiros com plano de saúde que foram hospitalizados nos últimos 10 anos; jovens são o grupo com maior aumento de casos Na última década, o número de internações por crise de ansiedade triplicou entre quem tem plano de saúde, saindo de um patamar de 2.027 casos em 2015 e chegando a 6.084 registros em 2024.

De todas as faixas etárias, o maior aumento foi visto entre adolescentes. No início da série histórica, apenas um a cada 100 mil jovens de 10 a 19 anos com convênio era hospitalizado por ansiedade. Dez anos depois, 9,6 a cada 100 mil chegaram às emergências pelo mesmo motivo— um crescimento de quase nove vezes, ou 860%, em um curto período.

Leia no AINotícia: Saúde: Novidades sobre cirurgias plásticas e azeite aquecido

“ Hoje vemos jovens expostos a um volume enorme de informação, pressão por desempenho, redes sociais, comparação constante e muitas incertezas em relação ao futuro”, avalia o médico Denizar Vianna, professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e superintendente executivo do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS). Um dado que chama a atenção é a ocorrência de internações entre garotas: em 2024, foram registrados 438 casos entre elas e 118 entre meninos (ou seja, há 3,7 hospitalizações do sexo feminino para cada uma do sexo masculino).

Na análise por idade, houve também um aumento de quatro vezes entre idosos (de 2,92 para 11,54 a cada 100 mil) e de 2,5 vezes entre adultos (de 5,88 para 14,54 a cada 100 mil). Ao todo, ocorreram 31,9 mil hospitalizações por transtorno de ansiedade em uma década. Os dados são do mais novo relatório do IESS, organização que avalia o perfil e as necessidades dos usuários de convênios. Leia também: O que fazer se tomei a vacina da dengue do Butantan? Entenda se há riscos

Mas o comportamento se repete também em outras modalidades de atendimento. “Embora os dados sejam provenientes da saúde suplementar, dificilmente estamos diante de um fenômeno restrito aos planos de saúde. O que observamos é um sinal importante de transformação do perfil de saúde mental da população brasileira, especialmente entre adolescentes e mulheres jovens”, afirma o médico.

Palavra de especialista A seguir, leia a entrevista completa com o médico Denizar Vianna VEJA SAÚDE: O que pode estar por trás da alta de internações por ansiedade entre jovens?

Denizar Vianna: Muito difícil apontar uma única causa ou um padrão para isso. O que os dados do nosso estudo sugerem é que estamos diante de uma mudança importante no perfil da saúde mental dos jovens. A pandemia certamente teve um impacto relevante, porque interrompeu rotinas, afastou adolescentes da convivência social e aumentou situações de insegurança e sofrimento emocional.

Mas eu acredito que esse fenômeno vai além disso. Hoje vemos jovens expostos a um volume enorme de informação, pressão por desempenho, redes sociais, comparação constante e muitas incertezas em relação ao futuro. Provavelmente estamos observando o resultado da combinação de vários fatores. Mais de saude

O dado que mais chama atenção no estudo é que esse crescimento aparece justamente nos casos mais graves, aqueles que acabam chegando ao hospital. Sabe-se por que as meninas são as mais afetadas? Esse padrão não é exclusivo do Brasil e tem sido observado de forma consistente em estudos nacionais e internacionais sobre saúde mental na adolescência.

A literatura sugere que essa diferença pode estar associada a um conjunto de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Entre os fatores frequentemente discutidos estão a maior pressão relacionada à imagem corporal e aos padrões estéticos, a intensa exposição às redes sociais e a comparação social, que podem contribuir para sentimentos de inadequação, baixa autoestima e sofrimento emocional. Além disso, adolescentes do sexo feminino estão mais expostas a determinadas situações de vulnerabilidade, incluindo diferentes formas de violência, como violência doméstica, violência sexual e assédio. Leia também: Excesso de gases pode fazer mal à saúde?

Evidências também apontam que experiências adversas na infância e adolescência estão associadas a maior risco de desenvolvimento de transtornos de ansiedade e outros problemas de saúde mental. Em alguns contextos, fatores como gravidez precoce e responsabilidades familiares assumidas em idade jovem também podem representar fontes adicionais de estresse psicossocial. Como preparar os pais para essa situação?

Quais sinais de ansiedade não podem ser ignorados? Talvez a principal mensagem seja: não minimizar o sofrimento dos adolescentes. Muitas vezes existe a tendência de atribuir tudo à idade, aos hormônios ou a uma fase difícil.

Claro que a adolescência é um período de mudanças, mas alguns sinais merecem atenção. Quando um jovem passa a se isolar excessivamente, perde o interesse por atividades que antes gostava, apresenta mudanças importantes de comportamento, alterações persistentes de sono ou demonstra sofrimento emocional frequente, vale a pena procurar ajuda. O estudo mostra justamente a importância da identificação precoce.

Quanto mais cedo o problema é reconhecido, maiores são as chances de evitar que ele evolua para situações mais graves.

O que fazer se tomei a vacina da dengue do Butantan? Entenda se há riscos
Saude

O que fazer se tomei a vacina da dengue do Butantan? Entenda se há riscos

Ler matéria →

Leia também