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Ler matéria →Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões. Está no ar mais uma comissão de inquérito das manhãs "360", que pode também acompanhar numa transmissão ao vivo do Tiago Couto nas redes sociais do Observador. E hoje é nosso convidado João Goulão.
É figura central na concepção, implementação e consolidação deste modelo português de prevenção, redução de riscos, tratamento e combate à toxicodependência. É também antigo presidente do Instituto para os Comportamentos Aditivos e Dependências. João Goulão, muito bem-vindo.
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Obrigado pela disponibilidade de estar cá conosco. Bom dia. Vai responder aqui a cinco perguntas, cinco pontos por cada resposta certa.
Se precisar das nossas ajudas, só recebe dois pontos, caso acerte. E vamos à primeira pergunta. Vamos até à Alemanha com a Carla Jorge Carvalho.
Vamos. Não há problema, aqui isto não causa dependência. Mas vamos aqui falar de muitas adições. Leia também: B3 volta ao centro do debate na temporada
Christiane F., " Os Filhos da Droga", lembra-se com certeza, um livro que foi muito popular nos anos 80, se calhar 70, que conta a história verídica de uma jovem alemã que cai no mundo da toxicodependência. Que droga é que ela consumia, João Goulão?
Eu creio que consumia heroína. É isso mesmo. E a música "Heroes" do David Bowie, que se associa muito também à história da Christiane F. Supostamente foi depois de ouvir essa música que ela experimentou.
Mas estamos aqui a falar de uma realidade muito diferente da atual, em que o mercado foi invadido por drogas sintéticas e com outro impacto e outros riscos. A nossa lei e a nossa abordagem, aquela que o João Goulão ajudou a implementar no terreno, ainda responde ao mundo atual, ao mundo destas drogas sintéticas? Sim, creio que sim.
Sobretudo os princípios que norteiam esse tipo de políticas, que é um respeito pela pessoa em quaisquer circunstâncias. E foi isso que foi introduzido pela nossa política de drogas. Não é propriamente uma aceitação da condição de utilizador, mas é o respeito pelas escolhas individuais e a oferta, em todas as circunstâncias, de meios pra que a pessoa altere o seu estado perante as substâncias.
E estamos a falar de substâncias, não só de substâncias ilícitas, mas também do álcool, por exemplo. E hoje em dia, o instituto e as políticas dirigidas às dependências são muito mais abrangentes, porque incluem também comportamentos sem substância, como seja o jogo. Uma das grandes dificuldades que temos hoje é a forma de lidar com os ecrãs, com as redes sociais, que são verdadeiramente geradoras de dependência. Mais de esporte
E falaremos até com mais detalhe dessas novas formas de adição. Mas deixe-me insistir só relativamente à questão destas drogas. Há uma sensação de que a situação se descontrolou um pouco.
Vemos mais pessoas na rua com dependências deste gênero. Eu penso que nós tivemos, nas décadas de 80 e 90, uma situação perfeitamente catastrófica relativamente ao uso de drogas, e nomeadamente a heroína. Tivemos uma epidemia brutal de uso de heroína, 1% da população portuguesa atingida por essa epidemia.
Mas na altura, e isto foi uma das características do desenvolvimento do fenômeno em Portugal, essa epidemia era perfeitamente transversal a todos os grupos sociais. Enquanto na maioria dos países, até europeus, os consumos se caracterizavam por uma incidência acrescida na margem, digamos assim, nas pessoas mais fragilizadas do ponto de vista social, econômico, etc. Nós aqui tivemos uma coisa perfeitamente transversal a todos os grupos sociais. Leia também: Esporte: Panorama Semanal com Críquete, F1 e Futebol
Claro que as classes mais vulneráveis foram mais atingidas, mas isto atingiu classe média, classes altas, classe política. Era praticamente impossível encontrarmos uma família portuguesa que não tivesse problemas com drogas. Ainda assim, a visibilidade, embora alta, não era comparável à que temos hoje, em que a vulnerabilidade está muito associada ao uso das drogas.
Não é tão transversal como foi no passado. Daí uma maior visibilidade no espaço público. Portanto, eu não tenho a certeza, aliás, tenho grandes dúvidas de que haja hoje mais pessoas a consumirem drogas, pelo menos com características de uso problemático, do que houve no passado.
Ainda assim, é muito visível, afeta muito o espaço público. Daí uma sensação, fala-se muito das impressões ou das percepções. Eu penso que a percepção está muito associada a isto, uma maior visibilidade.
Também o assunto deixou de ser o tabu que era há algumas décadas. Também. E isso é uma das virtualidades do próprio sistema, em que privilegia uma abordagem de saúde Privilegia as abordagens, como foi dito no lançamento, de prevenção, de oferta de tratamento a todos aqueles que o pretendem, redução de risco e minimização de danos, um conjunto de políticas tendentes a reduzir o impacto individual e coletivo deste uso, reinserção social, que é uma componente também fundamental, e esta parte do combate à oferta.
Terá sido nesse aspecto que as novas drogas sintéticas trouxeram mais desafios? Sim, sem dúvida, porque, por um lado, há um enorme desconhecimento, até porque temos novas drogas todos os dias. Todos os dias são lançadas novas substâncias no mercado, contornam a legislação existente, as proibições, as classificações.

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