Ambiente dos mercados está mais perigoso do que costumava ser, diz Andrew Ross
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A violência nas estradas, o roubo de cargas e os ataques cibernéticos deixaram de ser apenas um problema de segurança para se transformar em mais um fator de custo para a indústria brasileira. Uma pesquisa inédita feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 62% das empresas do setor registram aumento nos custos finais devido aos gastos com segurança no transporte de mercadorias, enquanto 45% afirmam que os investimentos gerais em proteção patrimonial encarecem seus produtos.
O levantamento reforça uma percepção cada vez mais presente entre os empresários: a insegurança tornou-se mais um componente do chamado “custo Brasil”. Segundo a pesquisa, 81% das indústrias acreditam que a falta de segurança contribui para elevar os custos de produção e reduzir a competitividade das empresas nacionais.
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Para especialistas do setor, o impacto vai muito além dos prejuízos causados por roubos ou furtos. As empresas passaram a incorporar despesas permanentes com monitoramento, rastreamento de cargas, vigilância patrimonial, proteção de dados e reforço logístico, custos que acabam sendo absorvidos pela operação e, em muitos casos, repassados ao consumidor final.
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“A segurança patrimonial é um aspecto fundamental das operações industriais. O levantamento mostra que a insegurança é mais um elemento que contribui para o ‘custo Brasil’, porque aumenta os gastos, exige investimentos em infraestrutura e logística e também afeta a segurança das informações das empresas”, afirma Cassio Borges, assessor especial da presidência da CNI.
Competitividade ameaçada
Além de pressionar custos, a insegurança afeta diretamente a capacidade competitiva das empresas. Segundo a pesquisa, 32% dos empresários avaliam que os impactos negativos sobre a competitividade são altos ou muito altos. Já 53% acreditam que a insegurança favorece fortemente a circulação de mercadorias roubadas, a pirataria e o mercado informal. Leia também: EUA negam entrada de árbitro somali que apitaria a Copa do Mundo
A preocupação ganha relevância em um momento em que a indústria busca recuperar participação na economia e aumentar a produtividade. “Não existe pirataria inofensiva. Por trás de cada produto ilegal existe um empresário prejudicado, empregos em risco e recursos que deixam de circular na economia formal”, afirma o deputado federal Julio Lopes, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria.
Maiores riscos
A pesquisa identificou que um dos principais gargalos está na logística rodoviária. Nos últimos cinco anos, 20% das indústrias afirmaram ter sido vítimas de roubo ou furto de cargas. Entre os casos registrados, 68% ocorreram diretamente nas rodovias, percentual muito superior ao observado em áreas urbanas, centros de distribuição ou armazéns.
O dado chama atenção porque o transporte rodoviário continua sendo responsável pela maior parte da movimentação de cargas no país. Entre os itens mais visados pelos criminosos aparecem fios e cabos, citados por 60% das empresas que sofreram ocorrências, seguidos por ferramentas (31%) e máquinas ou equipamentos de produção (23%). O cenário ajuda a explicar por que os empresários defendem o reforço da segurança nas rodovias como uma das prioridades das políticas públicas.
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Ataques digitais
A insegurança não está apenas nas estradas. A pesquisa mostra que uma em cada seis indústrias sofreu algum incidente de segurança cibernética nos últimos cinco anos, incluindo vazamento de informações, invasões de sistemas e ataques de ransomware, modalidade em que criminosos sequestram dados e exigem pagamento para devolvê-los. Mais de economia
Entre as empresas afetadas, 30% relataram perdas financeiras diretas decorrentes de fraudes ou pagamento de resgates. Para reduzir riscos, a maior parte das indústrias já adota medidas de proteção digital. Segundo a pesquisa, 75% realizam backups periódicos dos dados, 67% investem em softwares de segurança e 45% implementam políticas mais rígidas de controle de acesso e senhas.
“São números preocupantes porque a segurança da informação é essencial para o funcionamento dos negócios. Os impactos vão desde perdas financeiras até danos reputacionais e interrupções operacionais”, afirma Cassio Borges. Leia também: Ambiente dos mercados está mais perigoso do que costumava ser, diz Andrew Ross
Diante do cenário, a maior parte dos industriais avalia que houve pouca evolução na segurança nos últimos anos. Apenas 4% dos entrevistados afirmaram perceber melhora no ambiente de segurança nos últimos cinco anos.
Como resposta, os empresários apontam duas prioridades para o poder público: aumento do policiamento em áreas industriais, citado por 54% dos entrevistados, e reforço da segurança ostensiva em rodovias e no transporte de cargas, mencionado por 53%.
Os dados foram coletados pela Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados entre março e abril de 2026, com executivos de 1.003 empresas industriais de pequeno, médio e grande porte em todas as regiões do país e serão apresentados nesta terça-feira (9), em audiência pública da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria, que vai debater segurança pública e estratégias integradas de combate às ilegalidades.
Principais dados da pesquisa:
- 81% das indústrias concordam que a insegurança patrimonial contribui para o Custo Brasil;
- 62% das indústrias relatam aumento nos custos finais devido ao custo de segurança com transporte;
- 45% das empresas admitem que os investimentos gerais em segurança encarecem o custo final dos seus produtos;
- 20% das indústrias já sofreram com roubo ou furto de cargas rodoviárias
- 68% destas ocorrências acontecem diretamente nas rodovias.
- 1 em cada 6 indústrias sofreu ataque cibernético
- 30% das vítimas de ataques digitais tiveram perdas financeiras
- Apenas 4% percebem melhora na segurança nos últimos cinco anos
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Anna França
Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro
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