A Região Metropolitana de Salvador (RMS) registrou em março a maior taxa de inflação do Brasil, alcançando 1,47%. O índice, impulsionado principalmente pela disparada nos preços da gasolina e dos alimentos, foi divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acendendo um alerta para o custo de vida na capital baiana.
Os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) revelam uma aceleração significativa. Em comparação com fevereiro, quando a inflação na RMS foi de 0,40%, o salto em março mais que triplicou, superando inclusive a média nacional de 0,88%. Este patamar representa não apenas o maior entre os 16 locais pesquisados pelo IBGE, mas também o mais alto para Salvador em quatro anos, desde o registro de 1,53% em março de 2022.
Combustíveis e Alimentos Pressionam Preços
A escalada inflacionária na capital baiana foi abrangente, com altas em sete dos nove grupos de produtos e serviços que compõem a cesta de consumo pesquisada. Contudo, a maior força veio de dois setores específicos, que exerceram uma pressão inédita nos indicadores. Leia também: Comida di Buteco começa nesta sexta-feira no Vale do Aço
O grupo dos transportes registrou um aumento expressivo de 4,79%, o maior em duas décadas. A principal vilã neste cenário foi a gasolina, que apresentou uma alta de 17,37% – um índice não visto nos últimos 30 anos, impactando diretamente os motoristas e, por consequência, o custo de bens e serviços que dependem de logística.
Paralelamente, o segmento de alimentação e bebidas também pesou no bolso do consumidor, com uma inflação de 2,26%, a maior em seis anos. A alta nos alimentos de consumo no domicílio foi particularmente acentuada, com itens básicos sofrendo reajustes drásticos.
Batata e Tomate Lideram Alta de Alimentos
Entre os dez itens com os maiores aumentos na RMS, sete pertencem à categoria de alimentos consumidos em casa, refletindo a pressão sobre a mesa das famílias. Destacam-se as elevações vertiginosas: Mais de noticia
- Batata-inglesa: 55,15%
- Tomate: 49,25%
Os outros três itens no topo da lista dos aumentos pertencem ao grupo de transportes, sendo duas delas com combustíveis, reforçando a relevância do impacto do custo de locomoção no orçamento. Leia também: Agentes de trânsito de Uberlândia poderão usar arma de choque e bala de borracha; lei define regras e limites
Apesar do cenário de forte aceleração, a inflação na Região Metropolitana de Salvador só não foi ainda maior devido à queda média de preços em alguns setores. O vestuário, por exemplo, registrou deflação de 0,41%, marcando o terceiro mês consecutivo de redução. O grupo de habitação também apresentou recuo nos preços, com queda de 0,30% em março.
A disparada do IPCA em Salvador em março coloca um desafio significativo para o planejamento financeiro das famílias e empresas locais, que sentirão diretamente o peso dos aumentos, especialmente em itens essenciais como combustíveis e alimentos. Acompanhar a evolução desses índices será crucial para entender os próximos passos da economia regional.