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In-Edit exibe retrato vibrante de Dean Johnson, ícone da cena gay de Nova York

Uma das vantagens de ter um festival de documentários musicais de curadoria exemplar como o In-Edit Brasil é a chance de conhecer histórias e personagens pouco falados

In-Edit exibe retrato vibrante de Dean Johnson, ícone da cena gay de Nova York

Uma das vantagens de ter um festival de documentários musicais de curadoria exemplar como o In-Edit Brasil é a chance de conhecer histórias e personagens pouco falados. Na edição de 2026, em meio a filmes sobre heróis musicais como Boy George (Culture Club), Paul Di’Anno (Iron Maiden), a pioneira do rock Big Mama Thornton e a banda punk-glam Redd Kross, o festival traz um filme que certamente vai surpreender muita gente: " The Big Johnson".

Dirigido pela cineasta com o melhor nome artístico de todos os tempos, Lola Rocknrolla, o filme conta a história de Dean Johnson, uma figura central na cena gay nova-iorquina a partir dos anos 1980. O título do filme não mente: com quase dois metros de altura, Johnson era realmente "big", e sua figura atraía olhares por onde passava. Careca, invariavelmente de saia e usando imensos brincos de argola, Dean foi músico, ator pornô, garoto de programa e um dos maiores agitadores culturais que Nova York já conheceu.

Leia no AINotícia: Entretenimento: O que Movimentou a Semana

Filho de um pastor, Johnson largou a família em Massachusetts e chegou à Big Apple em 1979, aos 18 anos. À época, Nova York era o epicentro da música alternativa e da arte de vanguarda. Num clubinho do Bowery chamado CBGB’s, bandas como Ramones, Talking Heads e Blondie inventavam o punk rock. Leia também: Demi Moore faz homenagem ao ator Bruce Willis no Dia dos Pais dos Estados Unidos

No Bronx, DJs e produtores como Kool-Herc, Afrika Bambaataa e Grandmaster Flash criavam o hip-hop. Em galerias de arte, rebeldes como Jean-Michel Basquiat e Keith Haring misturavam pintura e grafite. Johnson amava a energia caótica e perigosa de Nova York, com suas altíssimas taxas de crime, mas aluguéis ridiculamente baratos, que possibilitavam a qualquer artista sobreviver.

Ele montou bandas de rock e passou a organizar festas de embalo que se tornaram lendárias na comunidade gay da cidade. Ele estava em todo lugar. Dez anos antes de Johnson chegar a Nova York, a cidade já era conhecida pelo ativismo gay e foi palco da famosa Revolta de Stonewall, nome de um clube gay que foi invadido pela polícia e causou uma manifestação, até então inédita, em prol dos direitos de gays e lésbicas.

Johnson não foi nenhum pioneiro do ativismo LGBT, mas certamente tornou tudo muito mais divertido. Quando a Aids chega com tudo, em meados dos anos 1980, matando incontáveis amigos e amigas e sendo chamada preconceituosamente de "peste gay", Johnson foi uma das figuras que manteve a comunidade unida, ajudando a organizar shows e eventos beneficentes. Um dos mais conhecidos foi o Wigstock, uma paródia do famoso festival de Woodstock ("wig" quer dizer "peruca"). Mais de entretenimento

" The Big Johnson" usa os diários de Dean Johnson como base para a narrativa e traz depoimentos emocionantes de amigos, amores, familiares e fãs. O famoso colunista da cena noturna Michael Musto, que escrevia para o jornal The Village Voice, fala da importância de Johnson para a cena underground da cidade e de como sua figura carismática passou a simbolizar toda a cena gay local.

Johnson morreu em 2007, aos 46 anos, num hotel em Washington D.C. Sua morte, considerada oficialmente uma overdose acidental, é contestada por muita gente que o conhecia, e o filme explora esse mistério. Mais que uma cinebiografia, "The Big Johnson" é também o retrato de uma Nova York esfuziante e cheia de vida, onde incontáveis personagens marcantes, como Dean Johnson, encontraram irmãs e irmãos de alma. Leia também: Entretenimento em Destaque: Sucessos, Homenagens e Despedidas da Semana

Criado em 2003 em Barcelona, na Espanha, o In-Edit é um dos mais respeitados festivais de documentários musicais do mundo e teve sua primeira edição brasileira em 2009. O evento reúne filmes nacionais e internacionais, tanto longas quanto curtas-metragens, e, neste ano, ocupa sete salas de cinema de São Paulo, além de casas de shows e lojas de discos. Para quem não está em São Paulo ou não conseguiu ingressos para alguma sessão que gostaria de ver, vale conferir a programação online do festival nas plataformas Itauculturalplay, Sesc em Casa e SPCineplay.

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