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Ler matéria →A paixão pelo futebol brasileiro ganha um significado ainda mais profundo em Rio Branco, Acre, onde o haitiano Saint Charles, de 47 anos, celebra 15 anos de sua chegada ao Brasil. Em meio à expectativa pela Copa do Mundo, Saint, que hoje vive e trabalha na capital acreana, acompanha a Seleção Brasileira com admiração, exemplificando a história de milhares de imigrantes haitianos que buscaram no país uma nova oportunidade após o devastador terremoto que atingiu o Haiti em janeiro de 2010.
A Jornada de Saint Charles do Haiti ao Acre
Natural de Gonaïves, no Haiti, Saint Charles desembarcou no Acre em 2011, um ano após o terremoto que deixou mais de 300 mil mortos em seu país natal. Sua decisão de migrar, sozinho, foi impulsionada pela busca por trabalho e uma vida melhor, além do desejo de continuar apoiando financeiramente sua família. Ele relata que a viagem até o Brasil foi longa e complexa, envolvendo múltiplos deslocamentos: partiu do Haiti de avião com destino ao Panamá, seguiu para o Equador e depois para o Peru, de onde prosseguiu por terra até chegar à fronteira do Acre.
Hoje, Saint trabalha como auxiliar de perecíveis e mantém um compromisso fundamental: todos os meses, envia cerca de R$ 500 aos seus pais, que ainda residem no Haiti. Esse apoio constante é, segundo ele, uma das principais razões que o impulsionaram a refazer a vida longe de seu país. Leia também: Turquia x Paraguai: busca pela vitória marca confronto decisivo na Copa
O Terremoto de 2010 e a Onda Migratória
O terremoto de janeiro de 2010 não apenas causou uma imensa tragédia humana, mas também desencadeou uma onda migratória sem precedentes. Diante do cenário de destruição e das dificuldades que se seguiram, muitas pessoas, como Saint Charles, decidiram deixar o Haiti em busca de melhores condições. Desde aquele ano, o Acre emergiu como uma das principais portas de entrada para esses imigrantes no Brasil.
Documentos oficiais indicam que mais de 40 mil pessoas passaram pelo estado do Acre nesse período, sendo os haitianos a maioria. O aumento repentino no número de chegadas resultou em momentos de grande fluxo migratório, com dezenas de imigrantes sendo recebidos diariamente em alguns períodos. O governo precisou montar abrigos temporários para lidar com a demanda. Em 2013, por exemplo, o fluxo de haitianos pela fronteira acreana chegou a triplicar em comparação ao ano anterior, embora dados posteriores tenham indicado uma queda significativa de 96% na entrada de haitianos em um período de 12 meses.
Um Novo Lar e a Paixão pelo Futebol Brasileiro
Ao contrário de muitos imigrantes que utilizaram o Acre como um estado de passagem para outras regiões do Brasil, Saint Charles decidiu estabelecer-se em Rio Branco. Ele nunca retornou ao Haiti desde sua chegada, embora a ideia de uma visita exista. Sua integração ao Brasil é visível também em sua paixão pelo futebol: ele é um fervoroso torcedor da Seleção Brasileira, destacando sua admiração pelo jogador Neymar. “Gosto muito do Neymar. Ele joga muito bem. Espero que ele faça muitos gols e represente o país”, afirma Saint, expressando a alegria de se sentir parte da torcida brasileira.
O que se sabe até agora
- Saint Charles, haitiano de 47 anos, vive no Acre há 15 anos.
- Ele chegou a Rio Branco em 2011, após o terremoto de 2010 no Haiti.
- Saint migrou em busca de trabalho e de uma vida melhor, com o objetivo de ajudar a família.
- Ele envia cerca de R$ 500 mensais aos pais que permanecem no Haiti.
- O Acre foi um dos principais pontos de entrada para mais de 40 mil imigrantes haitianos no Brasil após 2010.
- Saint Charles é um fã declarado da Seleção Brasileira e do jogador Neymar.
Perguntas frequentes
Qual foi o impacto do terremoto no Haiti em 2010?
O terremoto de janeiro de 2010 foi um dos momentos mais difíceis da história do Haiti, devastando parte do território e resultando em mais de 300 mil mortos. O evento desencadeou uma crise humanitária e uma onda migratória significativa, com milhares de haitianos buscando refúgio e novas oportunidades em outros países. Mais de noticia
Como o Acre se tornou porta de entrada para imigrantes haitianos?
Após o terremoto de 2010, o Acre, devido à sua localização fronteiriça, tornou-se um ponto estratégico de entrada para imigrantes haitianos no Brasil. Muitos chegavam por via terrestre, após atravessar vários países da América do Sul. O estado registrou um grande fluxo migratório, chegando a triplicar a entrada de haitianos em 2013, o que exigiu a implementação de abrigos pelo governo na época para acolhimento. Leia também: Ex-vice-prefeito de Ibitirama é condenado , mas é solto no ES
O que significa a Copa do Mundo para Saint Charles?
Para Saint Charles, a Copa do Mundo é um momento de celebração e integração. Como um admirador da Seleção Brasileira e do jogador Neymar, torcer pelo Brasil representa seu vínculo com o país que o acolheu e onde ele reconstruiu sua vida. Sua torcida simboliza a fusão de culturas e a paixão pelo esporte que une pessoas de diferentes origens.
A história de Saint Charles é um testemunho da resiliência humana e da capacidade de reconstrução em face de adversidades extremas. Ela também reflete a complexidade da imigração e o papel de acolhimento que o Brasil desempenhou para milhares de haitianos, transformando o Acre em um cenário de novas esperanças e de intercâmbio cultural.




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