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ID Corretora deixa de administrar fundos do banco Digimais, de Edir Macedo

Maeli Prado São Paulo O Digimais, banco de Edir Macedo , fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record , investiu em cotas de fundos de investimentos

ID Corretora deixa de administrar fundos do banco Digimais, de Edir Macedo
Maeli Prado
São Paulo

O Digimais, banco de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record, investiu em cotas de fundos de investimentos em participações (FIPs) recém-criados que tiveram uma valorização de 178% em poucos meses.

No balanço do banco do segundo semestre de 2025, a auditoria Clifton Larson Allen Brasil destacou que o Digimais adquiriu R$ 357,6 milhões em cotas desses FIPs no segundo semestre do ano passado, sem especificar o mês. As aplicações passaram a valer R$ 997,5 milhões em dezembro.

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Esse salto, destaca a auditoria, gerou no semestre um resultado positivo de R$ 639,8 milhões para o banco, em uma operação da qual "não foi possível avaliar a razoabilidade ou potenciais ajustes decorrentes dos efeitos das avaliações" porque os fundos ainda não possuíam demonstrações financeiras auditadas na época da publicação do balanço.

retrato de edir macedo, que sorri
Bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus - Alan Santos/Divulgação/Presidência da República

Segundo a Folha apurou, os dois fundos aplicam recursos em empresas do setor imobiliário e ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança).

Dados da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) mostram que um dos FIPs nos quais a Digimais investiu no segundo semestre de 2025 é o Cajaíba, com patrimônio de R$ 419 milhões e investidor da Cajaíba Participações, que possui terras na Praia Grande da Cajaíba, em Paraty, no Rio de Janeiro. Leia também: Mesmo ainda distante do normal, fluxo de navios por Hormuz aumenta e alivia

Segundo informações do Ministério do Meio Ambiente, a praia é de difícil acesso e cercada por áreas de mata atlântica preservada, onde vive uma comunidade tradicional caiçara que sobrevive de pesca artesanal.

O investimento do Digimais no Cajaíba aconteceu apenas a partir de, já que esta é a data em que o fundo de investimento em participações anunciou a sua primeira emissão de cotas, segundo documentos apresentados à CVM.

Os FIPs são fundos de renda variável que compram participações em empresas, seja de capital aberto ou fechado. É raro que tenham valorização tão grande em um período tão curto de tempo.

Estudo realizado por Antonio Sanvicente, doutor em finanças pela Universidade de Stanford, analisou o desempenho de 50 FIPs entre dezembro de 2018 e dezembro de 2023, e concluiu que o retorno médio no período foi de 23%.

Menos da metade dessas aplicações rendeu mais do que a inflação, e o fundo de maior valorização viu seu retorno avançar 380% em um período de cinco anos. Mais de economia

Procurado, o Digimais afirmou que as ressalvas dos auditores no balanço estão relacionadas aos prazos distintos do balanço do banco e dos fundos de investimentos, e não a erros nos saldos contábeis.

"Os Fundos de Investimentos em Participações (FIPs) foram adquiridos no segundo semestre de 2025 e ainda não haviam completado o ciclo para a emissão de auditorias próprias até o fechamento do balanço do banco", disse o Digimais em nota.

"O Digimais reitera que todos os ativos destes fundos foram mensurados a valor justo por laudos de empresas especializadas e independentes, garantindo a transparência e a consistência das suas demonstrações financeiras", disse o banco em nota. Leia também: Tripee planeja captar até R$ 10 mi para expandir gestão de viagens corporativas

Essa não foi a única ressalva feita pelos auditores ao balanço do banco.

A instituição financeira investiu R$ 3 bilhões em fundos de investimento cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas por falta de documentos. O montante representa 73% do total investido pelo banco em fundos, segundo alerta feito pela auditoria.

Os auditores também apontaram que o Digimais vendeu R$ 741,3 milhões de cotas de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), o Hermon, para a B.A. Empreendimentos e Participações, que é a holding de Macedo que controla o banco.

A transação reverteu provisões para perdas e contribuiu positivamente em R$ 126 milhões para o balanço do banco no ano passado, quando o Digimais teve lucro de R$ 31 milhões.

De acordo com a auditoria, a operação com o Hermon, apesar de suportada por pareceres legais atestando sua lisura, pode não refletir condições usuais de mercado, já que "não prevê remuneração compatível com sua natureza econômica".

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