IA não deveria aparecer para quem não gosta, diz chefe do Instagram
O executivo afirma que o algoritmo deve ser ajustado para atender a essa preferência, mas descarta a ideia de bloquear a IA na rede social
Publicado em: 10/07/2026 16:09Autor:Redação AI NotíciaLeitura: 5 min de leituraAI Notícia
Resumo
O chefe do Instagram, Adam Mosseri, afirma que conteúdos de inteligência artificial não deveriam aparecer para usuários que não gostam.
O executivo afirma que o algoritmo deve ser ajustado para atender a essa preferência, mas descarta a ideia de bloquear a IA na rede social.
A Meta já explora ideias como um espaço separado para conteúdos gerados por IA e uma certificação de conteúdos reais para facilitar a identificação.
As redes sociais foram inundadas por conteúdos de inteligência artificial nos últimos anos, mas não existe um botão para escondê-los. Para o chefe do Instagram, Adam Mosseri, a plataforma deveria deixar de recomendar conteúdos de IA para quem não tem interesse, usando o próprio algoritmo para identificar essa preferência.
Em uma entrevista ao podcast de Lenny Rachitsky, o executivo explica que a ideia na rede social da Meta é justamente melhorar a identificação desses vídeos e imagens e fazer com que os próprios sistemas de recomendação entendam quem tem e quem não tem interesse neles.
Não faz muito tempo que Mosseri veio a público reconhecer que o feed do Instagram deixou de representar os verdadeiros interesses dos usuários com o aumento de poder nas mãos do algoritmo.
Na ocasião, a fala se deu em decorrência da expansão da ferramenta “Seu algoritmo”, que revela quais tipos de publicação a tecnologia acredita que você tem interesse e permite ao usuário definir temas que quer ver menos. Mesmo nesse caso, não é possível impedir que o Instagram te entregue certos conteúdos. Leia também: Samsung, Huawei e mais: smartwatches em promoção que valem a pena agora
Detectar IA está ficando mais difícil, diz executivo
De acordo com Mosseri, o problema é que detectar IA está ficando cada vez mais difícil com a evolução dos modelos de linguagem.
Por isso, o executivo sugeriu que o Instagram poderia adotar respostas menos absolutas sobre a origem de uma mídia. Em vez de afirmar sempre se algo foi ou não feito por IA, a rede poderia indicar graus de confiança, como “provavelmente sim”, “não temos certeza” ou “definitivamente não”.
A rede possui atualmente um sistema de sinalização de uso de ferramentas generativas, assim como as plataformas rivais YouTube e TikTok. No feed, essas publicações podem apresentar uma indicação “Informações de IA” que, ao expandi-la, diz que o conteúdo do post “pode ter sido criado por IA”.
Instagram sinaliza postagens com IA (imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)
Mosseri fala em espaço separado para IA
Durante o podcast, o executivo revelou algumas ideias. Na primeira, o espaço funcionaria para separar melhor conteúdos gerados completamente por IA— incluindo postagens de spam, montagens enganosas e outros tipos de “lixo de IA”— de posts que receberam auxílio de ferramentas criativas de edição ou remix de conteúdo.
A Meta já explorou algo parecido no app Meta AI, com feeds de postagens de imagens geradas pelos modelos da empresa e até uma espécie de Reels de vídeos sintéticos. Mais de tecnologia
Já a segunda ideia seria uma certificação de conteúdos reais, defendida por Mosseri desde dezembro do ano passado, como lembra o The Verge. O raciocínio é que pode ser mais fácil certificar a origem de uma foto real do que provar o uso de IA.
Indústria tenta certificar conteúdo de IA
Empresas usam marcações para identificar conteúdo de IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Atualmente, grandes empresas de IA com modelos de imagem e vídeo, como OpenAI, Google, Microsoft e a própria Meta, dizem usar certificados digitais, como o C2PA, e marcas invisíveis nos conteúdos, como o SynthID, gerados pelas próprias ferramentas para facilitar a identificação. Leia também: Após polêmica, Instagram cancela IA que acessava as fotos dos usuários
Além da declaração do próprio usuário no momento da postagem, o Instagram é capaz de ler essas informações para informar o possível uso de IA. Entretanto, além de não ser uma prática padronizada, não é impossível burlar ou remover as identificações.
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Escrito
Felipe Faustino
Redator
Felipe Faustino é bacharel em jornalismo pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp). Escreve sobre tecnologia, eletrônicos e ciências, editoria na qual também atuou pelo Jornal da USP. Além de jornalista, fã de tecnologia e fissurado por questões de meio ambiente, é, sobretudo, apaixonado pela DC Comics e pelo SPFC.