IA faz fabricantes de memória acumularem dívidas bilionárias Empresas buscam empréstimo para reforçar estoques antes de novos reajustes no mercado. Adata, Apacer e TeamGroup levantaram mais de R$ 4,4 bilhões em crédito.
Empresas buscam empréstimo para reforçar estoques antes de novos reajustes no mercado. Adata, Apacer e TeamGroup levantaram mais de R$ 4,4 bilhões em crédito. A febre da inteligência artificial começou a cobrar a conta das marcas que abastecem o varejo.
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Neste mês, a Adata, TeamGroup e Apacer, fabricantes de módulos de memória RAM e armazenamento, tiveram que levantar quase US$ 880 milhões (mais de R$ 4,4 bilhões) por meio de títulos, empréstimos e ofertas de ações. Toda essa movimentação tem um objetivo: garantir estoques de chips DRAM e NAND antes que os custos disparem ainda mais no mercado global. O mercado global de semicondutores passou por uma mudança drástica de prioridades. Leia também: GitHub confirma invasão e roubo de milhares de repositórios internos
Gigantes que dominam a produção, como Samsung, SK Hynix e Micron, estão direcionando suas linhas de produção para memórias do tipo HBM (High Bandwidth Memory) e DRAM para servidores. Esses componentes são o coração dos data centers que sustentam infraestruturas de IA e computação em nuvem — e, o mais importante, entregam margens de lucro muito maiores. Porém, marcas como Adata e TeamGroup não fabricam os chips do zero, ao contrário da Samsung.
Elas compram os componentes prontos para montar os produtos que chegam às lojas, como kits de memória DDR5 e SSDs NVMe. Sem poder de barganha para disputar com os servidores de IA, comprar insumos de forma agressiva virou a única saída dessas empresas para evitar o desabastecimento. Todo esse direcionamento de produção para memórias HBM deixou as linhas de montagem voltadas para o consumidor final operando no limite, com preços da DRAM saltando entre 90% e 95% em comparação com o trimestre anterior.
Para o segundo trimestre, a previsão é de uma nova escalada de até 63%. As memórias flash NAND, usadas em SSDs, seguiram o mesmo ritmo, registrando uma alta acumulada de quase 60% nos primeiros três meses do ano. O ponto mais curioso é que a busca por crédito não reflete uma crise financeira nessas empresas. Mais de tecnologia
Na realidade, o setor vive um momento de faturamento recorde. Segundo o jornal Commercial Times, a Adata encerrou o primeiro trimestre de 2026 com faturamento na casa dos US$ 826,5 milhões (R$ 4,1 milhões) — mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. Outras marcas tradicionais, como Transcend e Innodisk, faturaram nos primeiros quatro meses deste ano mais do que ganharam em todo o ano passado.
Ainda assim, o custo para comprar matéria-prima inflou de tal maneira que o fluxo de caixa não deu conta sozinho. A própria Adata precisou garantir quase US$ 380 milhões (R$ 1,9 bilhão) em empréstimos bancários para sustentar as compras. TeamGroup e Apacer seguiram exatamente a mesma cartilha para inflar suas reservas. Leia também: Itaú permite virar a fatura do cartão antes do vencimento
De acordo com o TechSpot, queimar caixa para estocar componentes agora virou uma estratégia de sobrevivência a longo prazo, já que novas fábricas capazes de aliviar a escassez e reequilibrar o fornecimento só devem entrar em operação a partir de 2027. Até lá, o consumidor final continuará sentindo no bolso o impacto do boom da IA. {{ excerpt | truncatewords: 35 }} {% endif %
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